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diogowolff

Movimentos do setor externo no FOCUS

By | Indicadores

Passada a maior parte do impacto das notícias da semana passada, vemos ainda alguma reverberação nas estimações da última semana, porém em menor nível. As estimativas do IPCA e do IGP continuam sua escalada, em ritmos diferentes - como explicado nesse post de janeiro -, enquanto que quase não há mudança na taxa de câmbio, PIB e meta da SELIC.

Dentre as outras variáveis reportadas, vemos dois movimentos mais alarmantes. O primeiro é a queda expressiva das expectativas de produção industrial, que vê redução de 0,88% em relação ao valor da semana passada:

O segundo movimento é do setor externo. Por um lado, vemos redução do investimento direto de 60 para 55 bilhões de dólares, e por outro, redução do déficit de conta corrente de 16 para 12 bilhões. A redução do déficit parece ser resultado direto da escalada do preço de commodities, setor importante para as exportações brasileiras. A questão do investimento é mais complexa: o comovimento entre a produção industrial e o investimento direto tem um efeito de ida, dado que o país está espantando investidores devido à expectativa de atraso para a retomada da economia, e um efeito de volta, onde a própria depressão de investimentos dificulta a retomada da indústria, com uma oferta menor de capitais.

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Semana de turbulência e o impacto no FOCUS

By | Indicadores

O boletim Focus dessa semana refletiu duramente as notícias preocupantes da semana passada. As falas do presidente Bolsonaro sobre a troca da presidência da Petrobras impactaram diretamente no preço das ações da empresa, e, com a indicação de que podem ocorrer intervenções em outras empresas de energia, o mercado está apreensivo com a possível guinada da política econômica. O resultado dos anúncios pode ser visto nas projeções de aumento da taxa de juros de longo prazo e de redução do crescimento, impactos diretos de um país com maior nível de incerteza econômica.

Como pode-se ver acima, também vemos aumento nas expectativas de inflação. Além da turbulência apresentada, esse movimento é explicado pelo aumento do preço de combustíveis anunciado pelo Petrobrás, resultado da continuação da escalada dos preços do petróleo. Os indicadores de IGP-M e preços administrados também aparentam seguir essa tendência, apresentando aumento na semana:

 

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O IGP-M volta a se descolar do FOCUS

By | Indicadores

No boletim FOCUS dessa semana, o IGP-M vê escalada de mesma magnitude da semana anterior, chegando agora a 6,57%. O IPCA, por outro lado, não acompanhou esse aumento, indicando que a variação está ocorrendo em setores de pesos diferentes para cada índice. O IGP-M dá maior peso para preços industriais, e também inclui em sua composição índices de custos de construção e de produtos de atacado agropecuários, o que o torna mais dependente de variações de preços nas primeiras etapas da cadeia de produção.

O IPCA, por outro lado, só possui preços industriais como proxy da cadeia produção em seu cálculo, e em menor peso, dando mais espaço para variáveis que afetam o consumidor final, como alimentação no domicílio e serviços. Com isso, podemos ver que a diferença entre os dois índices depende da capacidade de repasse dos custos crescentes de produção ao consumidor, através do preço final. Essa capacidade é de modo geral limitada, efeito que se exacerba com a diminuição de renda vista desde o começo de 2020. O resultado que pode ser inferido então é de que o mercado prevê um aumento do custo dos insumos industriais.


As outras variáveis apresentam pouca ou nenhuma variação na última semana, com algum otimismo para os resultados do governo, com o resultado nominal subindo de -7% para -6.85%, e para o resultado externo, com a balança comercial subindo de -19,95 para -19,66 bilhões de dólares.

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Expectativas de inflação continuam sua escalada

By | Indicadores

Em relação ao relatório anterior, as expectativas do mercado se mantiveram relativamente constantes para a maior parte das variáveis na semana passada. A exceção que vemos aqui é o aumento das expectativas de inflação, que subiram para 3,50% para o IPCA. O IGP-M é ainda mais preocupante, com um aumento de 4,94% para 5,52%. Tais movimentos são influenciados pelo aumento gradual do preço das commodities, como já visto em 2020, aumentando custos ao longo de toda a cadeia de produção. O fim do auxílio emergencial pode combater a pressão inflacionária nos próximos meses, porém, há a possibilidade de extensão do programa.

As pressões crescentes da inflação podem influenciar o Banco Central para um aumento da SELIC antes do esperado. As expectativas da última semana revelam isso, com um aumento da SELIC para 3,50%. Essa decisão, porém, pode retardar o crescimento real do produto, que só deve ocorrer no segundo semestre, segundo o Boletim Macro do IBRE dessa segunda-feira.

Outro fator que preocupa para a escalada da inflação é o de preços administrados, que também vê aumento em suas expectativas. A mediana sobe de 4,20% para 4,39%.

 

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Análise do boletim Focus com o R

By | Indicadores

A variação do IPCA de dezembro de 2020 foi divulgada na semana passada em 1.35%, sendo a maior desde fevereiro de 2003. O valor pode ser atribuído ao reajuste da eletricidade residencial, porém gera preocupações para uma elevação nos próximos meses. O aumento do índice de difusão de 66.1% para 72.1% indica que a inflação está permeando um maior número de setores, se descolando do efeito isolado em alimentos que ocorreu na segunda metade de 2020. Com isso, o Focus dessa semana tem um aumento da previsão do IPCA em 2021 para 3.43%.

As expectativas para o crescimento, a taxa de câmbio e a Selic se mantém estáveis em relação à semana passada. Com a incerteza em relação à manutenção do regime forward-looking das metas da Selic, poderíamos esperar uma maior variância nas expectativas nas últimas semanas, porém esse efeito não é evidenciado, com a banda de 1 desvio-padrão das observações de expectativas se mantendo estável, como pode ser visto no gráfico abaixo:

Os fatores observados como influência para o IPCA também afetam o IGP-M, que tem alta de expectativa para 4.94%. Vemos também a continuação da escalada das expectativas sobre a produção industrial em 2021, com a retomada econômica prevista com a vacinação que deve se iniciar essa semana.

Em relação ao setor externo, manteve-se o superávit mediano esperado para 2021 na balança comercial em US$ 55 bilhões. Já o déficit em conta corrente mediano oscilou para US$ 19,4 bilhões, contra US$ 16 bilhões que eram esperados na semana passada. Dada a dificuldade de projetar essa variável ao longo do ano, oscilações nas projeções são vistas como normais.

Já o desafio fiscal permanece ainda bastante elevado. O resultado primário médio esperado para 2021 é de -3,04%, enquanto o nominal  médio está em 6,5%.

Para finalizar, as expectativas de crescimento estão estáveis na faixa dos 3.4% para 2021. O que podemos ver, porém, é uma diminuição da variância da estimação, indicando que o mercado está ficando cada vez mais seguro em relação à retomada do crescimento.

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