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Gráfico do Dia: Balança comercial desagregada.

By | Setor Externo
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Fonte: Elaboração própria com dados da Funcex. Clique para melhor visualização.

Diz a teoria que as exportações são função (positiva) do câmbio real e da renda do resto do mundo. Desse modo, se você desvaloriza o câmbio real, as exportações aumentam, elevando assim o saldo da balança comercial. Correto? Não se a sua principal empresa de petróleo reduzir a produção - sabe-se lá por que, não é leitor - e se o acionamento de térmicas demandar mais combustíveis. Nesse caso, as importações aumentam, diminuindo o saldo da balança comercial de combustíveis (linha azul clara), fazendo com que o saldo total da balança comercial permaneça minguado (as barras rosas). Adicione a isso o fato da indústria ter aumentado as importações de bens intermediários (linha marron) - como havia citado aqui. Desse modo, não, leitor, a depreciação cambial - mesmo que real - não é o bastante para fazer aumentar o saldo da balança comercial.

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Uso de Poupança Externa dispara

By | PIB, Setor Externo

sextAs contas externas têm sido um problema para a macroeconomia brasileira. Os dados do PIB divulgados hoje de manhã parecem confirmar essa preocupação. O saldo de exportações e importações em relação ao PIB ficou em -3,87%. O menor nível das Contas Econômicas Integradas (CEI) disponíveis pelo IBGE desde 2000. Isso fez com que a poupança externa, o déficit em conta corrente com sinal trocado, fosse de incríveis 5,54%. É bem maior do que o déficit que o Banco Central divulga, que está em 3,6% do PIB, pelo último dado referente a abril. O resultado da poupança externa pode ser calculado pela diferença entre poupança doméstica e formação bruta de capital: aquela foi de 12,67% e esta de 18,22% do PIB. Interessante notar que com a revisão da produção industrial, a oferta agregada, em média, cresceu mais do que a absorção doméstica (C+I+G), logo o crescimento das importações acima do das exportações só se explica se considerarmos que a produção doméstica fez maior uso de insumos importados. Creio que uma discussão séria sobre como aumentar a poupança doméstica é mais do que urgente no Brasil. E não me venham com a teoria geral a uma hora dessas...

Expectativas Racionais e Paridade da Taxa de Juros

By | Economia Internacional, Ensino de Economia, Macroeconometria, Setor Externo

iecrfEm dia de Copom, nada mais apropriado do que falar em taxa Selic, não é mesmo? Eu estava olhando o balanço de pagamentos para um trabalho que estou fazendo e acabei achando um dado interessante. A correlação entre a taxa Selic nominal e investimentos estrangeiros em renda fixa é negativa. Ora, não faz muito sentido, não é mesmo? Afinal, se a taxa Selic aumenta, isso deveria atrair investidores estrangeiros em busca de arbitragem, como a gente aprende lá em economia no tópico paridade da taxa de juros. Para quem conhece a série de investimento estrangeiro sabe que ela é muito volátil, oscilando ao sabor de cada nova notícia no mercado financeiro. No gráfico acima é possível ver o comportamento dela na linha azul. Eu suavizei a série, usando médias móveis trimestrais, semestrais e de 12 meses para ver se as coisas mudavam. Apenas para a média móvel anual é que as coisas começam a fazer sentido, isto é, a correlação passa a ser positiva. Estranho, não?

Pois é. Para avaliar melhor a situação eu fui dar uma olhada na correlação cruzada. Em outras palavras, a ideia era ver se o comportamento se modifica se compararmos uma série com a defasagem de outra. O correlograma cruzado é posto abaixo.

correlograma_iecrf

Através desse procedimento é possível ver que as coisas começam a fazer sentido novamente. O que o correlograma cruzado mostra é que se considerarmos o Investimento Estrangeiro em Carteira - Renda Fixa (IECRF) com a Selic defasada (esquerda do gráfico), a correlação entre eles mantém-se negativa até a décima sétima defasagem da Selic. Se considerarmos, entretanto, o IECRF com a Selic futura, as coisas mudam radicalmente. Isto é, a partir da quarta defasagem do IECRF em relação à Selic, a correlação passa a ser positiva e vai aumentando conforme essa diferença entre elas aumenta. O mesmo ocorre se considerarmos a média móvel trimestral, como pode ser visto abaixo.

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Significa dizer, leitor, que a teoria da paridade da taxa de juros deve ser compreendida a partir do conceito de expectativas racionais. Isto é, os agentes reagem a diferenças entre taxas de juros, buscando se beneficiar disso por meio de processos de arbitragem - ou, mais tecnicamente carry trade. A reação, entretanto, é do tipo forward looking, ou seja, "olhando para frente". Os agentes formam expectativa sobre qual será a taxa básica de juros que vigorará daqui a alguns meses e, a partir disso, montam seu portfólio, colocando seu capital em países que oferecem maior oportunidade de ganho. O Carlos Lessa chamava nas aulas de brasileira esse capital de "capital de motel", bom, eu não preciso falar o por quê...

Nesse contexto, diz-se que quanto maior for essa diferença entre as taxas de juros doméstica e internacional maior será a expectativa de depreciação futura da taxa de câmbio. Isto porque, os agentes sabem que as taxas de juros devem caminhar razoavelmente juntas ao longo do tempo, diferenciando-se apenas pelo risco de cada país.  Se elas estão muito distantes, os agentes esperam uma correção futura de preços relativos, entre a moeda doméstica e as demais moedas.

O experimento, a propósito, permite testes mais robustos, para verificar se essa causalidade apontada pela teoria verifica-se na prática. Algo que faço em outro post...

O título desse post bem que poderia ser por que você não deveria acreditar no seu professor keynesiano, mas talvez soasse provocação de mais. Como hoje estou de (muito) bom humor, pouparei meus amigos do outro lado da força... 🙂

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