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comunicação do banco central Archives - Análise Macro

rbcb 0.1.5 está no ar!

By | R News

A versão 0.1.5 do pacote rbcb já está disponível no CRAN. Nessa versão, foram adicionadas três funções para baixar dados das expectativas TOP5 do boletim FOCUS (mensal e anual) e para baixar as expectativas de inflação de diversos índices, IPCA incluído. Abaixo um exemplo.


library(rbcb)
expipca = get_twelve_months_inflation_expectations('IPCA')

 

E um gráfico é colocado abaixo...


library(ggplot2)
library(scales)
ggplot(expipca, aes(date, mean))+
geom_line()+
scale_x_date(breaks = date_breaks("1 years"),
labels = date_format("%Y"))+
xlab('')+ylab('%')+
labs(title='Expectativas de Inflação 12 meses à frente',
subtitle='Boletim FOCUS - Banco Central',
caption='Fonte: analisemacro.com.br')

Estamos todos muitos felizes, não? Agradeçam ao Wilson Freitas! 🙂

Medindo o "efeito Ilan" na comunicação do Banco Central

By | Comentário de Conjuntura

Essa semana, voltei a pegar no tema da minha dissertação de mestrado: comunicação do Banco Central. A ideia é fazer um exercício para o Clube do Código sobre o assunto. Para isso, atualizei a série de legibilidade das atas do COPOM, por meio do cômputo do índice Flesch-Kincaid. O índice FK é um índice de facilidade de entendimento de um texto medido em anos de estudo formal necessários para compreender o mesmo. Para atualizar a série, utilizei os pacotes pdftoolsreadability. O primeiro transforma as atas do COPOM de pdf para texto e a segundo calcula o índice. O resultado desse processo está exposto no gráfico abaixo.

O gráfico ilustra o comportamento do índice FK aplicado às atas do COPOM desde meados de 2011 até ao último documento, divulgado essa semana. Antes de Ilan, a média de anos de estudo necessários para comprender a ata era de quase 19 anos. Com Ilan no Banco Central, essa média caiu para 16,45. Uma possível explicação para isso é que com Ilan na presidência, o Banco Central adotou o regime de inflation forecast targeting, isto é, passou a guiar suas decisões com base nas projeções e expectativas para a inflação. Nesse regime, a comunicação ganha uma importância muito grande, já que é através dela que o banco consegue gerenciar as expectativas, para utilizar a expressão consagrada por Woodford.

Ao longo das próximas semanas, pretendo publicar alguns exercícios no Clube relacionando essa série com outras variáveis macroeconômicas.

COPOM Watch 06: A nova comunicação do Banco Central

By | Clube AM

Enviamos agora há pouco para os membros do Clube do Código o relatório COPOM Watch 06 com o tema A Nova Comunicação do Banco Central. Nele, analisamos a recente melhora na qualidade da comunicação do Banco Central, por meio da aplicação de índices de legibilidade às atas do Comitê de Política Monetária (COPOM), bem como verificamos como essa série se relaciona com as expectativas de inflação do próprio BCB. Excepcionalmente para esse relatório, decidimos disponibilizar também para não membros em repositório aberto do GitHub aqui. Além do pdf com o relatório, membros do Clube têm acesso a todos os arquivos e scripts que o geraram, usando o R.

Vítor Wilher

Vítor Wilher

Bacharel e Mestre em Economia

Vítor Wilher é Bacharel e Mestre em Economia, pela Universidade Federal Fluminense, tendo se especializado na construção de modelos macroeconométricos e análise da conjuntura macroeconômica doméstica e internacional. Sua dissertação de mestrado foi na área de política monetária, titulada "Clareza da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil", defendida perante banca composta pelos professores Gustavo H. B. Franco (PUC-RJ), Gabriel Montes Caldas (UFF), Carlos Enrique Guanziroli (UFF) e Luciano Vereda Oliveira (UFF). É o criador do Blog Análise Macro, um dos melhores e mais ativos blogs econômicos brasileiros, sócio da MacroLab Consultoria, empresa especializada em data analysis, construção de cenários e previsões e fundador do Grupo de Estudos sobre Conjuntura Econômica (GECE-UFF). É também Visiting Professor da Universidade Veiga de Almeida, onde dá aulas nos cursos de MBA da instituição. Leia os posts de Vítor Wilher aquiCaso queira, mande um e-mail para ele: vitorwilher@analisemacro.com.br

Tombini rompe o período de "Purdah" da política monetária e comenta previsões do FMI

By | Política Monetária

Soou (muito) estranho, leitor, a nota divulgada hoje pelo Banco Central (ver aqui) sobre a revisão das projeções do FMI para o crescimento brasileiro. Primeiro, porque essa revisão era para lá de esperada: o número anterior do fundo para o crescimento esse ano era de -1%, que não levava em consideração nem mesmo o carregamento estatístico de 2015. Segundo, porque essa declaração do presidente do Banco Central ocorre um dia antes da decisão sobre a taxa básico de juros. Em geral, há um período conhecido como "Purdah", antes das reuniões de política monetária, onde os diretores/membros do board evitam falar com a imprensa, para não gerar volatilidade no mercado. Um texto interessante sobre o assunto pode ser lido aqui. Fica difícil, nesse contexto, imaginar o que quer o Banco Central. Desde a última ata, passando pelo relatório de inflação de dezembro, a sinalização por aumento de juros era bastante clara. Agora, aos 45 minutos do segundo tempo, ele faz isso? Estranho, muito estranho, leitor... 🙁

Ata do Copom exige quase 19 anos de estudo para ser compreendida

By | Copom Watch

palavrasA partir desse mês começo a publicar no site resenhas sobre os comunicados do Banco Central na categoria Copom Watch, que ficará ai em cima para o leitor interessado. Em particular, acompanharei as atas do Copom, os relatórios de inflação e as idas do presidente do Banco Central à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. É uma forma de dar continuidade ao meu trabalho de mestrado, titulado "Claridade da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil", no qual avaliei o impacto da qualidade da comunicação do BCB sobre as expectativas de inflação dos agentes privados. De fato, analistas e economistas têm reclamado da comunicação do Banco Central com o mercado. Alegam que ela tem sido confusa, com sinais ambíguos sobre os rumos da política monetária.

Nos últimos 15 anos uma extensa literatura tem sido desenvolvida sobre o papel da transparência do Banco Central na condução das expectativas dos agentes privados. Sendo este um dos principais canais de transmissão das decisões de política monetária, a forma como o Banco Central se comunica com o público determina em muitos graus a eficiência de sua estratégia. Em particular, a qualidade do que o banco comunica é avaliada, por exemplo, pela facilidade de leitura de seus documentos. Atas ou relatórios muito grandes tendem, em geral, a ser pouco compreendidos. Igualmente, sinais difusos e ambíguos podem elevar a volatilidade das expectativas, contribuindo para um ambiente pouco previsível.

A análise das atas do Comitê de Política Monetária, no período de julho de 1999 até janeiro de 2015, mostra pontos interessantes. Salta ao olhos, por exemplo, que o Banco Central aumenta o tamanho do documento em períodos de maior incerteza na economia mundial. Isso, claro, provoca maior dificuldade de leitura por parte dos agentes privados, que acompanham com bastante atenção o que diz a autoridade monetária. No período considerado, o número médio de palavras das atas é de 4.742. Há nos últimos anos uma tentativa do Banco Central brasileiro em melhorar a qualidade do que comunica, como pode ser visto pela redução do número de palavras do documento mostrado no gráfico acima e pela quantidade de sílabas por palavras e palavras por sentenças, como mostrado abaixo.

determinantes

Observa-se que quanto maior forem esses dois aspectos - sílabas por palavras e palavras por sentenças - mais difícil será compreender um documento. Esses são, de fato, os insumos básicos para a construção de índices de legibilidade de um documento, como os índices Flesch Ease e Flesch Kincaid. Como se pode observar nos gráficos acima, tanto o número de sílabas por palavras quanto as palavras por sentença têm tido uma redução nos últimos anos. O Banco Central brasileiro tem se unido a uma tendência mundial de maior transparência e qualidade dos seus textos, ainda que, de maneira geral, sejam difíceis de serem compreendidos. É precisamente isso que mostra a aplicação dos índices de legibilidade sobre as atas do Copom.

legibilidade

A linha vermelha do gráfico acima mostra o índice Flesch Ease aplicado às atas do Copom. Ele varia de 0 a 100, onde quanto maior o índice, mais fácil é ler o texto. De outra forma, o índice Flesch Kincaid mostra a facilidade de leitura de um texto por meio dos anos de estudo necessários para compreendê-lo. Em média, as atas do Copom exigem quase 19 anos de estudo para serem compreendidas. É um valor bastante elevado, mesmo se considerarmos outros bancos centrais, como mostrado no trabalho de Bulir, Cihak e Jansen (2012).

leiturabcb

Aplicando o índice Flesch Kincaid para seis bancos centrais, os autores mostram que Chile, ECB, Polônia e Tailândia encontram-se próximos a 16 anos de estudo, enquanto Suécia e U.K. estão em torno de 12 anos. Isto é, as atas brasileiras ainda têm um longo caminho pela frente, se o objetivo é melhorar a comunicação com o público.

Nas próximas semanas e meses publicarei maiores detalhes sobre a comunicação do banco central com o público, como, por exemplo, uma relação de palavras e sentenças-chaves para compreender a ação futura da política monetária, um índice de riscos inflacionários, a ambiguidade de sinais presentes nas atas, o impacto da comunicação do banco central sobre as expectativas e outras coisas. Para quem gosta de política monetária, haverá de gostar do Copom Watch! 🙂

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