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Relatório AM #31 - Mercado de Crédito

By | Indicadores

As variáveis de crédito são de extrema importância para acompanhar a concessão de crédito no país, de forma que seja possível analisar o consumo das famílias e os investimentos das empresas. Quando se analisa essa dinâmica através das operações que ocorrem dentro do Mercado de Crédito, separa-se os empréstimos feitos por pessoas físicas e jurídicas, além das instituições que a concedem. No Relatório AM de hoje, iremos analisar as operações de crédito no país.

Concessões mensais de crédito

Após uma recuperação no início do ano de 2021 e uma estagnação nos meses anteriores, vemos que há um avanço das concessões de crédito no mês de outubro.

PJ x PF

O aumento das concessões de crédito nos últimos meses advém de Pessoas Jurídicas. Por outro lado, as Pessoas Físicas tem diminuído sua participação na contratação de crédito.

Direcionado x Livre

É possível visualizar que há uma queda no crédito direcionado, enquanto há um movimento contrário pelo lado do crédito livre.

Estoque de crédito

Após uma leve queda, o estoque de crédito em relação ao PIB tem aumentado nos últimos meses.

Estoque de crédito - Privado x Público

Em relação ao crédito público e privado, vemos que há ainda uma queda por parte do público, enquanto o crédito privado tem continuadamente elevando sua fatia em relação ao total.

 

Taxas de Juros

Em relação as taxas médias de juros, vemos que há o aumento na margem, explicada pelo aumento do juros básicos da economia. Pelos últimos movimentos do Banco Central, ainda é esperado que tenha mais variações positivas nas taxas.

 

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(*) Para entender mais sobre análise de conjuntura econômica, confira nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R - Versão 5.0.

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Vamos desestatizar o mercado de crédito?

By | Crédito

O novo ministro da economia, Paulo Guedes, ao tomar posse fez questão de mencionar a atual estrutura do mercado de crédito brasileiro. Guedes falou da necessidade de desestatizar o mercado. E será que faz sentido o que o ministro disse? Para mostrar, assim como fazemos em nossos Cursos Aplicados de R, podemos usar o R para ver o estoque de crédito na mão de instituições estatais e privadas. O código abaixo pega as séries de crédito para essas diferentes classes de instituições com o pacote rbcb.

library(rbcb)
privado <- get_series(2043, start_date = '2000-01-01')
estatal <- get_series(2007, start_date = '2000-01-01')

Uma vez que tenhamos esses dados, criamos um data frame dividindo as mesmas pelo total de estoque de crédito.

dates <- seq(as.Date('2000-01-01'), as.Date('2018-11-01'), by='1 month')

data <- data.frame(privado=privado$`2043`/(estatal$`2007`+privado$`2043`)*100,
                   estatal=estatal$`2007`/(estatal$`2007`+privado$`2043`)*100)

Utilizamos, então, o pacote xts para ordenar o data frame e depois a função melt para empilhar os dados.

library(xts)
library(reshape2)
data <- xts(data, order.by=dates)
data <- data.frame(time = index(data), melt(as.data.frame(data)))

Por fim, usamos o código abaixo para criar um gráfico ggplot.

library(scales)
library(ggplot2)
ggplot(data, aes(x = time, y = value)) + 
  geom_area(aes(colour = variable, fill = variable))+
  xlab('')+ylab('Participação Percentual')+
  labs(title='Crédito Estatal vs. Crédito Privado',
       caption='Fonte: analisemacro.com.br com dados do Banco Central.')+
  theme(legend.position = 'bottom',
        legend.title=element_blank())+
  scale_x_date(breaks = date_breaks("2 years"),
               labels = date_format("%Y"))

E o resultado é esse daí...

O gráfico parece dar razão a fala do novo ministro da economia. Mais da metade do estoque de operações de crédito no país está nas mãos de instituições estatais, sujeitas a incentivos distintos daqueles observados no mercado. Desestatizar o mercado de crédito parece ser, de fato, algo a se fazer, não é mesmo?

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Aprenda a coletar, tratar, analisar e apresentar dados reais em nossos Cursos Aplicados de R!

Crédito Livre vs. Crédito Direcionado

By | Crédito

O tema juro alto no Brasil volta em meia aparece na imprensa. Em tempo de eleições gerais no país, o tema tem sido recorrentemente abordado por jornalistas, candidatos e economistas. Como já disse em diversas oportunidades nesse espaço, existem três razões principais para que o juro de equilíbrio da economia brasileira seja elevado: o fiscal ruim, a poupança baixa e o crédito direcionado. Sobre esse último, a despeito de existirem diversos trabalhos mostrando sua relevância para explicar o juro mais alto no país, ainda há muito desconhecimento sobre a questão. Mesmo entre pessoas que deveriam entender sobre o assunto, como economistas e professores de economia. Nesse post, como no nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, mostro como é possível verificar a expansão do crédito direcionado nos últimos anos no país.

A ideia é razoavelmente simples. Enquanto o crédito direcionado possui taxas de juros subsidiadas para alguns setores da economia, o crédito privado vai ter taxas de juros mais elevadas para todos os demais setores. Afinal, o Banco Central precisará aumentar mais os juros básicos para atingir o chamado crédito livre, que não atende a direcionamentos do setor público, para conter a demanda em tempos de contração monetária. Tudo, diga-se, previsto pela teoria da política monetária. Abaixo, ilustramos que a coisa só se agravou nos últimos anos, com o crédito direcionado saindo de 35% no início de 2007 para mais de 47% no último dado disponível, que é junho desse ano.

O gráfico é, a propósito, gerado no R (aprenda a usar R nos nossos Cursos Aplicados) com dados coletados diretamente do site do Banco Central com o pacote BETS. Ela dá uma dimensão sobre a presença do crédito direcionado na economia, ocupando hoje quase a metade de todo o crédito disponível no país. Somado ao elevado endividamento do setor público e a baixa poupança, o crédito direcionado nessas proporções explica por que temos um juro de equilíbrio tão alto, se comparado a países com mesmo nível de renda.

Atacar o problema, por suposto, implica em desmontar todo o sistema que está por trás desse número, composto basicamente por bancos públicos como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. É uma tarefa díficil, que vai contra diversos interesses, principalmente daqueles que se beneficiem desse tipo de crédito direcionado. Mas, se o objetivo é ter um juro de equilíbrio mais baixo, é por aí que se deve caminhar...

Qual a participação do BNDES no crédito total?

By | Crédito

O mínimo que se espera em debates econômicos é o uso correto dos dados. Isso dito, para a pergunta qual a participação do BNDES no crédito total não dá para citar a concessão de crédito do banco em um mês e confrontar esse dado com o crédito total concedido no mesmo mês. Ao invés de olhar o fluxo em um mês o correto é investigar o estoque. O código abaixo faz isso.

library(ggplot2)
library(BETS)

cred = window(BETS.get(20539), start=c(2007,03))

bndes.pj = BETS.get(20604)
bndes.pf = BETS.get(20616)
bndes = (bndes.pj+bndes.pf)/cred*100

autoplot(bndes)+
 geom_area(stat='identity', colour='red', fill='red')+
 scale_x_discrete(limits=c(2007:2017))+
 xlab('')+ylab('')+
 labs(title='Participação do BNDES no Crédito Total (%)',
 caption='Fonte: analisemacro.com.br com dados do BCB.')

 

E abaixo o gráfico...

Na ponta, por suposto, a participação do banco no crédito total está em 18,73%.

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