Tag

crescimento econômico Archives - Análise Macro

Efeito sísmico do coronavírus sobre a previsão do PIB

By | PIB

Economistas de mercado estão nesse momento com uma pergunta difícil de ser respondida: qual será o efeito do coronavírus sobre a economia brasileira? As medidas de distanciamento social necessárias para conter a pandemia no país paralisaram o nível de atividade, em particular o setor de serviços, fazendo com que desabe o crescimento do PIB nesse ano. O mais provável é que tenhamos uma recessão econômica. E aí vai a pergunta: de qual tamanho?

Para ilustrar o tamanho da incerteza, vamos pegar o desvio-padrão das projeções de crescimento do PIB da pesquisa Focus, diretamente do Sistema de Expectativas do Banco Central através do pacote rbcb.


library(rbcb)
library(ggplot2)
library(scales)
library(ggrepel)
library(png)
library(grid)
library(dplyr)
library(magrittr)

pibe = get_annual_market_expectations('PIB Total',
start_date = '2015-01-01')

img <- readPNG('logo.png')
g <- rasterGrob(img, interpolate=TRUE)

filter(pibe, reference_year == 2020 & date > '2016-02-01') %>%
ggplot(aes(x=date))+
geom_line(aes(y=sd), size=.8)+
labs(title='Desvio-padrão das previsões para o crescimento do PIB em 2020',
caption='Fonte: analisemacro.com.br com dados do BCB.')+
xlab('')+ylab('')+
scale_x_date(breaks = date_breaks("2 months"),
labels = date_format("%b/%Y"))+
theme(axis.text.x=element_text(angle=45, hjust=1))+
theme(panel.background = element_rect(fill='#acc8d4',
colour='#acc8d4'),
plot.background = element_rect(fill='#8abbd0'),
axis.line = element_line(colour='black',
linetype = 'dashed'),
axis.line.x.bottom = element_line(colour='black'),
panel.grid.major = element_blank(),
panel.grid.minor = element_blank(),
legend.position = c(.5,.4),
legend.background = element_rect((fill='#acc8d4')),
legend.key = element_rect(fill='#acc8d4',
colour='#acc8d4'),
plot.margin=margin(5,5,15,5))+
annotation_custom(g,
xmin=as.Date('2016-02-03'),
xmax=as.Date('2017-12-30'),
ymin=1, ymax=2)

A tarefa de verificar o impacto da pandemia sobre o nível de atividade é provavelmente o maior desafio da profissão nos últimos anos.

(*) Isso e muito mais você aprende em nossos Cursos Aplicados de R.

___________


Focus: caiu a ficha da recessão para o mercado

By | Indicadores

O boletim Focus divulgado hoje pela manhã pelo Banco Central trouxe uma convergência das projeções de crescimento em 2020 rumo à recessão econômica. A média do mercado está agora em -0,14% de crescimento em 2020, enquanto a mediana situa-se em -0,48%. Houve, com efeito, forte revisão em relação à semana anterior, onde os números estavam em 0,89% e 1,48%, respectivamente. Parece que caiu a ficha do mercado sobre a gravidade da situação que estamos vivendo. O gráfico a seguir ilustra.

As projeções, contudo, devem ser vistas com cautela, dada a incerteza que estamos vivendo. Para se ter uma ideia disso, a mínima do Focus está em -5% e a máxima em 2,85%, entre 84 respondentes no dia 27/03. A expectativa para as demais variáveis é ilustrada a seguir. A inflação mediana esperada ficou em 2,94%, enquanto o câmbio médio no final do ano está em 4,50 R$/US$. A taxa de juros mediana esperada recuou para 3,5%.

 

 

(*) Isso e muito mais você aprende em nossos Cursos Aplicados de R.

___________


Focus: pandemia ainda não atingiu a previsão média do mercado

By | Indicadores

O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe hoje pela manhã as previsões do mercado para o crescimento em 2020. A mediana ficou em 1,48%, enquanto a média caiu para 0,89%. Esses números colocam o mercado em posição mais otimista que o governo, com previsão de crescimento revisada recentemente para 0,02%.

Há também a possibilidade do mercado não estar conseguindo avaliar de forma adequada o impacto do coronavírus sobre o crescimento econômico. Nesse momento, a melhor previsão deve ser feita através de matrizes insumo-produto, a partir das contas nacionais, e não necessariamente por meio de modelos econométricos.

(*) Isso e muito mais você aprende em nossos Cursos Aplicados de R.

___________


A austeridade causou a recessão econômica brasileira?

By | Comentário de Conjuntura

Volta e meia, vejo nas redes sociais um ou outro economista mal treinado defendendo a absurda tese de que a suposta austeridade fiscal implementada por Joaquim Levy e pela equipe econômica do governo Temer teria causado a recessão econômica que vivemos. Em alguns desses casos, o autor colore ainda mais o discurso, utilizando expressões gastas como "ajuste neoliberal" para ideologizar ainda mais as coisas. Impressiona que essas pessoas não tenham olhado os dados, não tenham aberto, por exemplo, as Contas Nacionais Trimestrais, algo que fazemos aqui na Análise Macro, no nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R. Nesse post, desmistificamos o assunto fazendo o que essas pessoas não fazem: prestando atenção no que dizem os dados.

Para começar a desmistificar, vamos ilustrar quando começou a queda do crescimento. A tese desse pessoal é tão absurda, mas tão absurda, que eles atribuem ao Joaquim Levy e à equipe econômica atual algo que é anterior a eles, isto é, começou no governo Dilma I. O gráfico abaixo traz a taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres do PIB brasileiro. Observe que a queda começa no início de 2014, atingindo o "fundo do poço" em meados de 2016. Basta, desse modo, saber interpretar um gráfico para entender que a tese não fica de pé.

Isso dito, um outro ponto é se, de fato, houve ajuste fiscal de 2015 para cá e qual foi o impacto disso no nível de atividade. Para ilustrar esse ponto e para contribuir com o debate sobre política fiscal, eu divulguei há algum tempo aqui nesse espaço a dissertação de mestrado do economista da Instituição Fiscal Independente (IFI), Gabriel Leal de Barros, recentemente defendida na FGV.  A dissertação faz uma discussão metodológica e empírica sobre o Resultado Fiscal Estrutural, aquele que desconsidera receitas e despesas não recorrentes e é controlado pelo ciclo econômico no que tange ao seu efeito sobre receita/despesa do setor público.

Uma vez definido o resultado fiscal estrutural, pode-se calcular o impulso fiscal, isto é, a variação do resultado fiscal entre dois períodos. Se o impulso é positivo (negativo), diz-se que a política fiscal encontra-se em terreno expansionista (contracionista). Isso dito e utilizando o pacote tabulizer, extrai a tabela 5 da dissertação e gerei o gráfico abaixo, que retrata o impulso fiscal ao longo de 1998 a 2017.

Como se vê pelo gráfico, o impulso fiscal foi positivo tanto em 2015 quanto em 2016, o que configura uma política fiscal expansionista nesse período. Em outras palavras, o efeito da política fiscal sobre o nível de atividade teria sido expansionista e não contracionista, como defendem os críticos. Apenas em 2017, com efeito, o impulso fiscal passa a ser levemente negativo. Nesse ano, por suposto, a economia brasileira já estava em recuperação, como se pode notar pelo primeiro gráfico.

Pode se aprofundar essa discussão, por suposto, medindo o efeito do impulso fiscal sobre o nível de atividade em algum exercício econométrico. Ainda não conheço nenhum estudo nessa linha - quem conhecer, por favor, deixe nos comentários. Isso dito, primeiro, é absurda a tese de que a política fiscal pós-2015 causou a recessão. Segundo, para que a política fiscal pós-2015 tivesse um impacto recessivo, o seu impulso fiscal teria que ser bastante contracionista. Não é o que vemos quando olhamos os dados...

Para terminar, leitor, fica nítido que a recessão que tivemos no país - com uma recuperação clássica em V, como se nota pelo primeiro gráfico - tem origens bastante anteriores à condução de política econômica feita a partir de 2015. Em outra oportunidade, comento os fatores que nos trouxeram a ela... 🙂

______________________________________________________________________

No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, por suposto, os alunos aprendem o passo a passo para gerar apresentações como essa, coletando os dados de forma automática do SIDRA e tratando os mesmos com o R. Já na sequência de Cursos de Econometria, os alunos aprendem a construir modelos univariados e multivariados para séries como a do desemprego. As inscrições, por suposto, para as turmas de 2019 estão abertas: não perca tempo e garanta a sua vaga!

 

Eleições e a retomada do crescimento

By | Comentário de Conjuntura

O IBGE divulgou na última sexta-feira o resultado das Contas Nacionais Trimestrais referentes ao segundo trimestre. Como esperado, o resultado foi bastante contaminado pela greve dos caminhoneiros em maio, com um leve crescimento de 0,2% na comparação com o primeiro trimestre. Em termos anuais, o crescimento ficou em 1,4% e no acumulado de dois anos, enfim, uma leitura positiva de também 0,2%. Nessa post, fazemos uma análise dos resultados divulgados, bem como tentamos projetar os próximos anos tendo por base o perfil do próximo presidente eleito. Uma análise completa do PIB com o uso do R é, a propósito, ensinada no nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Falta um longo caminho para que a economia brasileira volte ao nível que tinha em 2014, início oficial da última recessão. O gráfico abaixo, por suposto, ilustra a taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres do PIB. As áreas sombreadas ilustram três momentos de política econômica: o tripé macroeconômico, a nova matriz econômica e a transição em curso.

A despeito de ter voltado a crescer no final de 2016, encerrando uma das piores recessões da sua História, a economia brasileira ainda está longe de voltar ao nível pré-crise, como ilustra o gráfico a seguir.

A transição atual é, basicamente, uma volta ao tripé macroeconômico, vigente entre 1999 e o início da crise norte-americana. Das três pernas do tripé (câmbio flutuante, metas para inflação e superávit primário), falta recuperar a solidez fiscal, isto é, sair do atual déficit primário para um superávit primário capaz de estabilizar a relação Dívida/PIB. Isso exige hoje um ajuste da ordem de R$ 300 a R$ 400 bilhões de reais, sem o qual a dívida pública continuará em trajetória explosiva, como ilustra os gráficos a seguir.

Um ensaio na direção do ajuste foi feito por meio da aprovação do teto de gastos, no final de 2016, sem o qual dificilmente o Banco Central seria capaz de ancorar expectativas, fazendo a inflação convergir para a meta. Outra variável que também sentiu os efeitos da transição, até aqui parcial, foi o desemprego, que parou de piorar, como ilustra o gráfico abaixo.

A consolidação desse processo, contudo, escapou por conta da não aprovação da reforma da previdência, vítima das corporações de funcionários públicos que não querem perder privilégios. O próximo presidente, por suposto, precisará enfrentar essas corporações, encaminhando e aprovando uma reforma da previdência que seja capaz de estancar o crescimento dos gastos com essa rubrica. Sem reforma, os gastos com previdência dominarão o orçamento, não restando mais recursos para todos os demais bens e serviços públicos. O governo passará a ser um mero pagador de salários, aposentadorias e pensões. A trajetória da dívida, naturalmente, será explosiva, nos levando para o inferno da dominância fiscal, com reflexos na estagnação do crescimento e na também trajetória explosiva da inflação.

O eleitor médio tem, portanto, uma decisão muito importante a tomar no mês que vem. Precisará votar em um candidato comprometido com o ajuste fiscal e com a agenda de reformas para que o país complete a transição ilustrada acima. Votar em candidaturas à esquerda, assessoradas por economistas heterodoxos, é voltar à Nova Matriz Econômica (NME), que causou uma das piores recessões da nossa História. Espero, sinceramente, que o eleitor médio não cometa esse erro, mais uma vez.

______________________________________________________________________

No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, por suposto, os alunos aprendem o passo a passo para gerar apresentações como essa, coletando os dados de forma automática do SIDRA e tratando os mesmos com o R. Já na sequência de Cursos de Econometria, os alunos aprendem a construir modelos univariados e multivariados para séries como a do desemprego. As inscrições, por suposto, para as turmas de setembro, que começam no próximo dia 3/9, estão se encerrando: corra e garanta a sua vaga!

 

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais
e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

Assinar Gratuitamente