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Núcleos vs. Meta de Inflação

By | Comentário de Conjuntura

Como tenho mostrado nesse espaço ao longo das últimas semanas, a inflação medida pelo IPCA sofreu um choque no último trimestre de 2019 causado, basicamente, pela maior demanda da China por proteínas. Isso fez com que subitens ligados à carne tivessem um repique inflacionário, causando um deslocamento do índice cheio para próximo da meta de inflação. Os dados mais recentes, contudo, mostram uma dissipação desse movimento. Não por outro motivo, a expectativa de inflação para o final de 2020 despencou no Focus, chegando a 3,25% - para uma meta de 4%.

Mais interessante do que acompanhar o índice cheio, entretanto, tem sido verificar o comportamento dos núcleos de inflação. A ideia de um núcleo é capturar a tendência da inflação ao longo do tempo, retirando assim variações idiossincráticas. Em outros palavras, busca capturar a persistência do aumento de preços ao longo do tempo. Considere, por exemplo, que o preço de um bem/serviço {i} varie de acordo com a equação \pi_{i,t} = \pi_t + \mu_{i,t}, onde \pi_t representa uma tendência e \mu_{i,t} uma idiossincracia. Desse modo, para {n} bens/serviços, o núcleo será dado por:

(1)   \begin{align*} \pi_t^{nucleo} = \sum_{i=1}^{n} \omega_{i}\pi_{i,t} - \sum_{i=1}^{n} \omega_{i}\mu_{i,t} \end{align*}

Em outras palavras, o objetivo do núcleo é reconhecer e retirar a parte idiossincrática, \sum_{i=1}^{n} \omega_{i}\mu_{i,t}, concentrando-se na verdadeira tendência da variação dos preços ao longo do tempo. Não à toa, Bancos Centrais de todo o mundo procuram construir e acompanhar medidas de núcleo de inflação. No Brasil, em particular, temos atualmente sete medidas de núcleo - para saber mais sobre eles, ver aqui.

Tendo isso em consideração, podemos nos concentrar nos núcleos de inflação mais sensíveis ao ciclo econômico, isto é, à ociosidade da economia. Das sete medidas construídas e divulgadas pelo Banco Central, os núcleos IPCA-EX2 e IPCA-EX3 seriam aqueles mais correlacionados à medidas de hiato do produto. Com efeito, podemos compará-los à meta de inflação. O gráfico a seguir ilustra.

Como é possível verificar, os núcleos mais sensíveis ao hiato do produto estão performando próximos ao limite inferior da meta de inflação, após a desinflação de 2016. A posição dos núcleos nessa situação, por suposto, mostra uma ociosidade ainda bastante elevada, com baixa pressão inflacionária.

O que esse dado mostra é que a política monetária atual, situada em posição expansionista, é condizente com o estado da economia, de elevada ociosidade. E, ademais, não há motivo para esperar uma alta de juros tão cedo por parte do Comitê de Política Monetária. O risco aqui, como mostra a ata divulgada hoje pela manhã, é de que o Comitê tenha de rever a posição de manutenção dos juros em 4,25% para baixo em algum ponto nos próximos meses. Combinado, claro, com a perspectiva para o nível de atividade.

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Expectativa de inflação para 2020 despenca

By | Indicadores

O IBGE divulgou na última sexta-feira a inflação medida pelo IPCA. Dois pontos sobre o dado divulgado. Primeiro, parece que o choque de proteínas que afetou o índice cheio no último trimestre de 2019 está se dissipando. Segundo, a despeito dos diversos choques que afetaram o índice cheio nos últimos anos, a média dos 7 núcleos de inflação - que buscam expurgar esses choques, concentrando-se na tendência da inflação ao longo do tempo - mantém-se próxima ao limite inferior da meta. Isso é uma evidência forte de que a economia brasileira caminha com elevada ociosidade, mantendo a necessidade de política monetária ainda estimulativa.

Para ilustrar esse ponto, podemos ver uma evidência bastante consagrada na literatura que é a existência de uma correlação negativa entre desemprego - uma medida de ociosidade da economia - e a taxa de inflação. Para isso, vamos carregar alguns pacotes do R, como abaixo.


library(BETS)
library(ggplot2)
library(png)
library(grid)

Podemos agora coletar os dados diretamente do site do Banco Central. Pegamos a taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua e a taxa de inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA.


desemprego = BETSget(24369, from='2012-03-01', to='2018-12-01')
inflacao = BETSget(13522, from='2013-03-01', to='2019-12-01')
data = data.frame(desemprego=desemprego, inflacao=inflacao)

Com os dados coletados, nós podemos construir o gráfico abaixo.

Como se vê, há uma correlação negativa entre desemprego e inflação, relação essa bastante conhecida pelos economistas. O gráfico a seguir, por suposto, mostra o comportamento da inflação cheia e dos núcleos de inflação.

Enquanto a inflação cheia foi contaminada pelo choque de proteínas no último trimestre de 2019, a média dos sete núcleos de inflação - que tentam expurgar choques que afetam o índice cheio - se manteve próxima ao limite inferior da meta. Isso é uma evidência de que a ociosidade da economia brasileira ainda segue bastante elevada.

Não por outro motivo, houve redução importante na inflação esperada para 2020 no boletim Focus, como pode ser visto no gráfico abaixo.

A expectativa caiu de 3,4% para 3,25% na mediana das instituições que participam do boletim Focus.

A semana, por fim, é marcada pela divulgação da ata do COPOM amanhã, pelas vendas do varejo na quarta-feira, pela PMS na quinta-feira e pelo IBC-Br na sexta-feira. Momento importante para fazer um balanço sobre o nível de atividade no final de 2019.

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