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Repasse cambial para os preços não é automático

By | Indicadores

O boletim Focus divulgado agora há pouco trouxe uma leve revisão na inflação esperada para esse ano. De 3,33% para 3,46%. O motivo é uma pressão no grupo de alimentos vindo das carnes. Houve também uma revisão no crescimento esperado, de 0,92% para 0,99%. Outro destaque do boletim é uma revisão no câmbio esperado, que agora está em 4,10 R$/US$. A evolução do câmbio, diga-se, pode ser um fator a pressionar uma revisão do cenário de juros traçado pelo Banco Central.

Como se sabe, há um repasse entre desvalorização cambial para a inflação, que pode ser capturado por uma Curva de Phillips como abaixo:

(1)   \begin{align*} \pi_t^{livres} = \sum_{i>0} \beta_{1i} E_t \pi^{total}_{t+i} +\sum_{j>0} \beta_{2j} \pi^{total}_{t-j} +\sum_{k \geq 0} \beta_{3k} \pi^{importada}_{t-k} + \sum_{l>0} \beta_{4l} hiato_{t-l} + \sum_{m = 1}^4 D_m + \epsilon_t  \end{align*}

com a imposição da restrição de verticalidade de longo prazo:

(2)   \begin{align*} \sum_{i>0} \beta_{1i} +\sum_{j>0} \beta_{2j} +\sum_{k \geq 0} \beta_{3k} = 1 \end{align*}

Basicamente, a inflação dos preços livres é uma função linear da **inflação passada**, das **expectativas de inflação**, do **hiato do produto** e da **inflação importada**. Como estimamos na edição 48 do Clube do Código e como ensino nos cursos de Macroeconometria usando o R e Modelos do Banco Central, uma elevação de 10% na inflação importada provoca, em média, uma elevação de 0,56 p.p. nos preços no horizonte de um trimestre.

Esse repasse, contudo, não é automático posto que depende principalmente do grau de ociosidade da economia. Sabe-se que com o hiato do produto em terreno negativo, há maiores dificuldades para um repasse integral desse aumento para os preços. É justamente por isso que não se pode decretar que a escalada do câmbio nas últimas semanas irá afetar a queda dos juros na reunião de dezembro do COPOM. É preciso acompanhar/estimar o efeito dessa escalada sobre os preços na próximas semanas, de modo a verificar se está tendo alguma contaminação. Notadamente sobre os preços considerados tradeables, aqueles mais sensíveis a movimentos do exterior.

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Depreciação cambial ainda não preocupa

By | Indicadores

O boletim Focus divulgado agora há pouco trouxe poucas novidades. O destaque é que, pela quarta semana seguida, a mediana das instituições consultadas corrigiu a expectativa para a taxa de câmbio R$/US$ no final do ano. Agora, espera-se que o câmbio feche próximo a 3,87 R$/US$. A despeito disso, a inflação esperada segue em queda, agora esperada em 3,54% para o ano de 2019. O motivo disso é que o repasse cambial parece estar sendo compensado pela queda dos preços de commodities e, obviamente, pela ociosidade ainda grande da economia.

Para a semana, o destaque é a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio na quarta e da Pesquisa Mensal de Serviços na quinta-feira. Ambas as pesquisas contam com scripts automáticos que são detalhados em nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R. Maiores detalhes sobre o boletim Focus, veja nossa apresentação automática aqui.

Para nossos alunos do plano premium e para todos os assinantes do Clube do Código, a Edição 48 constrói um modelo que busca medir o repasse cambial para a inflação. Em média, a cada 10% de desvalorização, estimamos um repasse de 0,56 p.p. em um trimestre. Como dito acima, entretanto, esse repasse não é automático, uma vez que pode ser compensado pela ociosidade da economia e por outros fatores como preços de commodities.

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