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Vitor Wilher

Expectativa de crescimento em 2020 estaciona em -6,5%

By | Indicadores

As expectativas de crescimento nesse ano parecem que, de fato, encontraram um limite próximo a -6,5%. Tudo indica que se não ocorrer uma segunda onda de infecções deverá ocorrer surpresas positivas para o crescimento no segundo semestre. Um dado que reforçou essa expectativa é o da produção industrial, que após recuar 18,8% em abril, cresceu 6,9% na margem. Ainda é cedo para dizer que isso sinaliza uma recuperação em "V", mas parece ser suficiente para "estancar" o pessimismo.

Na comparação interanual, a produção industrial continuou no terreno negativo em maio, com -21,8%, após registrar 27,3% em abril.

A produção de veículos de junho, divulgada hoje pela manhã, vai na direção da recuperação na margem, com avanço de 129% na comparação com maio. A recuperação ainda é lenta, tomada como métrica a comparação interanual, que ainda registra variação negativa (-57,6% na comparação com junho de 2019).

A semana é marcada pela divulgação de dados do CAGED, vendas no varejo, serviços e IPCA.

Os dados aqui referidos são coletados de forma automática com o R.

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Falências e PIB Potencial: o efeito permanente do choque

By | Comentário de Conjuntura

Uma das grandes preocupações dos economistas nessa pandemia era evitar que ocorresse um número grande de falências de empresas. Isso porque, quanto maior o número de falências, maior o impacto sobre o potencial de crescimento da economia. Para ilustrar esse argumento, nesse Comentário de Conjuntura fiz um exercício simples que verifica o efeito de um choque no número de falências sobre o PIB Potencial da economia brasileira.

Como proxy para essas séries, utilizei o PIB Potencial construído pela IFI, a Instituição Fiscal Independente, e o total de falências decretadas disponibilizado pelo Serasa Experian. Foi, então, construído um modelo de correção de erros e extraída a função de impulso-resposta, considerando um choque no número de falências e o seu efeito sobre o PIB Potencial. O gráfico a seguir ilustra.

O aumento no número de falências tem efeitos deletérios sobre o potencial de crescimento da economia, como era esperado. Isso porque, o efeito mais visível da falência de empresas é a destruição de capacidade produtiva.

Os dados do levantamento da Serasa vão até abril. Como é provável que haja uma defasagem não desprezível entre a empresa ter dificuldades de caixa e a decretação de uma falência, ainda não é possível verificar um aumento nesse número em 2020. Entretanto, dadas as imensas dificuldades de acesso a crédito e o impacto considerável da pandemia no caixa das empresas, é de supor que esse número mostre algum avanço nos próximos meses.

Caso isso se confirme, o efeito sobre a capacidade produtiva do país será considerável.

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Selic esperada para o fim de 2020 vai a 2%

By | Indicadores

A ata do COPOM divulgada na semana passada fez as instituições ouvidas pelo boletim fazerem, na média, uma leve correção na expectativa para a taxa básica de juros no final do ano para 2%. Isto é, os participantes do Focus esperam mais um corte de 25 pontos-base na taxa Selic.

Sobre a expectativa para o PIB, houve um retrocesso em relação ao alívio da semana anterior. Uma leve correção para baixo de -6,5% para -6,54% para a expectativa média para o crescimento esse ano. A boa notícia é que o desvio-padrão das expectativas continua caindo, mostrando que aos poucos os agentes estão conseguindo "tatear" o fundo do poço.

Os dados do boletim Focus são coletados de forma automática com o R a partir da base de dados do Banco Central.

A semana é marcada pela divulgação de dados de mercado de trabalho e pela produção industrial, que abre uma série de indicadores de atividade a serem divulgados sobre o mês de maio.

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Medindo o efeito da incerteza sobre o hiato do produto

By | Comentário de Conjuntura

O momento atual tem sido marcado não apenas por uma elevação da incerteza como por um novo equilíbrio em patamar elevado. Sem uma vacina ou tratamento comprovadamente eficaz para o novo coronavírus, o "novo normal" se desenha de maneira ainda bastante incerta. Pensando nisso, resolvi verificar o efeito dessa incerteza sobre o nível de atividade. O resultado é a edição 75 do Clube do Código, que sai nos próximos dias.

Como proxy para a incerteza, utilizamos o índice de incerteza econômica da FGV. O objetivo do exercício será estimar uma versão da Curva IS com adição de um componente de incerteza (ver o Estudo Especial número 65/2019 do Banco Central do Brasil), conforme descrito abaixo:

(1)   \begin{align*} h_t = \beta_0 + \beta_{1} h_{t-1} + \beta_{2} (r_{t-1} - r_{t-1}^{n}) + \beta_{3} \Delta sup_t + \beta_{4} incerteza_t + u_t \end{align*}

Basicamente, a Curva IS estimada irá descrever a dinâmica do hiato do produto com base em **suas próprias defasagens**, da **taxa de juros real**, da **variação do superávit primário** e de um **índice de incerteza econômica**. A tabela abaixo resume a estimação dessa Curva considerando o método de mínimos quadrados como benchmark e os métodos TSLS e GMM como referências mais robustas para o exercício.

 

Efeito da Incerteza sobre o Hiato do Produto
Variável Dependente: Hiato do Produto
OLS TSLS GMM
(1) (2) (3)
Intercepto 6.17*** (1.37) 12.01*** (3.74) 17.35*** (2.81)
Hiato (-1) 0.70*** (0.06) 0.56*** (0.09) 0.47*** (0.08)
Juro Real -0.07* (0.04) -0.17*** (0.06) -0.25*** (0.04)
Variação do SPrimário -0.71* (0.36) -0.10 (0.97) 1.03 (0.85)
Incerteza -0.06*** (0.01) -0.11*** (0.03) -0.16*** (0.03)
J-Test 5.95
J-Test (p-valor) 0.43
Observations 70 67 67
R2 0.86 0.89
Adjusted R2 0.85 0.89
Residual Std. Error 0.84 (df = 65) 0.74 (df = 62)
F Statistic 99.99*** (df = 4; 65) 121.38*** (df = 4; 62)
Nota: *p<0.1; **p<0.05; ***p<0.01

 

Os resultados preliminares encontrados sugerem que existe um efeito negativo da incerteza sobre o hiato do produto. Isto é, mais incerteza afeta as decisões de consumo e investimento, que fazem com que o PIB da economia seja menor, reduzindo assim o hiato do produto.

Com base nesses resultados, é possível verificar que a "estabilização" da incerteza em patamares elevados tenderá a ser bastante ruim para o nível de atividade.

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Focus: parou de piorar

By | Indicadores

O boletim Focus divulgado agora há pouco pelo Banco Central trouxe uma boa notícia: as expectativas para a queda do PIB recuaram pela primeira vez desde o início da pandemia. Agora, o mercado espera -6,5%, contra -6,51% na semana passada. A magnitude, por óbvio, é irrelevante, importante que a expectativa média parece ter encontrado uma espécie de fundo do poço para a queda do PIB esse ano.

A inflação esperada para 2020 está em 1,64% e o câmbio esperado para o final do ano em 4,82 R$/US$. A Selic esperada para o fim do ano está em 2,05%. Abaixo, vemos também que houve um recuo no desvio-padrão das expectativas do boletim Focus, mostrando uma maior convergência das expectativas.

A ver se esse comportamento reflete uma tendência.

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