CAGED mostra firme recuperação no mercado de trabalho

By | Mercado de Trabalho

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgado mensalmente pelo Ministério da Economia, mostra o fluxo de contratos formais. A boa notícia é que a pesquisa teve resultado positivo pelo sétimo mês consecutivo, já feito o ajuste sazonal. Nos últimos 12 meses, o CAGED com ajuste sazonal manteve média mensal de 40 mil contratações líquidas. O resultado, como mostra o gráfico abaixo, está espalhado pela maior parte dos setores da economia.

Como mostrei em exercício recente do Clube do Código, nos próximos meses deveremos ver uma contaminação dos bons resultados do CAGED sobre a PNAD Contínua, uma pesquisa mais ampla que envolve medidas de estoque no mercado de trabalho.

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(*) Script completo de análise do CAGED está disponível no nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Juro baixo com inflação controlada é vitória da ortodoxia econômica

By | Comentário de Conjuntura

Em 31 de agosto de 2011, alegando ventos deflacionários vindos do exterior, o Banco Central liderado por Alexandre Tombini surpreenderia o mercado ao reduzir a taxa básica de juros de 12,5% para 12% ao ano. A decisão daria início a um cavalo de pau na política monetária, o que estava em linha com a promessa de campanha da então presidente da República, Dilma Rousseff de levar o juro real para abaixo de 2%. O problema, como se veria mais tarde, era combinar essa queda dos juros com a inflação.

Para ilustrar, importamos abaixo a taxa básica de juros e a inflação com o pacote Quandl, bem como criei a meta de inflação para o período.


library(Quandl)
library(ggplot2)
library(scales)
library(gridExtra)
library(magrittr)

inflacao = Quandl('BCB/13522', order='asc', start_date='2007-01-01')
selic = Quandl('BCB/4189', order='asc', start_date='2007-01-01')

meta = c(rep(4.5, length(inflacao$Value)-10), rep(4.25, 10))
inflacao = cbind(inflacao, meta)

O gráfico a seguir ilustra o comportamento da taxa básica de juros, chamando atenção para o choque heterodoxo liderado por Alexandre Tombini e para a queda da taxa com Ilan Goldfajn à frente do Banco Central.

O início da queda abrupta da taxa de juros fica nítido na parte laranja hachurada. O efeito líquido disso foi uma inflação em aceleração nos períodos seguintes, como pode ser visto no gráfico a seguir.

Ao longo do período em que a taxa básica de juros era mantida artificialmente baixa, o governo controlava os preços chamados de administrados, em uma tentativa de usar mecanismos não monetários para controle da inflação. Como se vê, a estratégia heterodoxa não daria certo, levando a inflação para dois dígitos.

A convergência da inflação para a meta só seria possível graças ao bom trabalho de Ilan Goldfajn à frente da autoridade monetária a partir de meados de 2016, que não cedeu à tentação de ajustar a meta de inflação em 2016, mantendo os juros constantes até o final do ano. Sua gestão colheria os frutos logo adiante, com a espinha inflacionária quebrada, permitindo uma queda de juros sustentada.

Esse episódio mostra de forma inequívoca que, (1) a tese heterodoxa de controle não monetário da inflação se mostrou errada e (2) a gestão ortodoxa da política monetária permitiu que a inflação convergisse para a meta e ocorresse queda dos juros para as mínimas históricas. Tomare que tenhamos aprendido com esse episódio...

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(*) Os códigos completos do exercício estarão disponíveis logo mais no Clube do Código.

Mais desemprego, menor a proporção de emprego com carteira na população ocupada

By | Comentário de Conjuntura

Escrevi nesse espaço no último domingo sobre a forte relação (negativa) entre a taxa de desemprego e a razão entre emprego com carteira e população ocupada. Isto é, mais desemprego está associado a menos emprego formal como proporção da população ocupada. Naquela oportunidade, meu ponto principal era mostrar que mesmo para níveis muito baixos de desemprego, o grau de formalização era pouco superior à metade da população ocupada.

Volto ao tema nesse Comentário de Conjuntura, cujos códigos completos estarão disponíveis logo mais no Clube do Código, para revelar que não apenas existe uma correlação forte entre as séries, mas também há uma relação de causalidade unidirecional entre elas, se aplicado às mesmas a metodologia proposta por Toda e Yamamoto (1995). De modo a relembrar, abaixo o código que carrega alguns pacotes e importa o arquivo clt.csv, contendo as séries que utilizei no exercício.


library(magrittr)
library(dplyr)
library(readr)
library(ggplot2)
library(scales)
library(forecast)
library(vars)
library(aod)
### Pacote Seasonal
library(seasonal)
Sys.setenv(X13_PATH = "C:/Séries Temporais/R/Pacotes/seas/x13ashtml")

data = read_csv2('clt.csv',
col_types = list(col_date(format='%d/%m/%Y'),
col_double(), col_double(),
col_double())) %>%
mutate(razao = po_carteira/po*100)

desemprego_sa = ts(data$desemprego, start=c(2002,03), freq=12)
desemprego_sa = final(seas(desemprego_sa))

data = mutate(data, desemprego_sa=desemprego_sa)

E a seguir, um gráfico das séries de desemprego com ajuste sazonal e a razão entre população ocupada com carteira assinada e população ocupada total.

Como mostrei no post anterior, há uma forte correlação negativa entre as séries de -0,93. A relação entre as séries, contudo, não fica apenas nisso. Além de correlacionadas, existe uma relação de causalidade unidirecional entre elas. Para verificar esse ponto, utilizamos a metodologia proposta por Toda e Yamamoto (1995), já que as séries não são estacionárias em nível. O código a seguir implementa o teste.


################ TESTE DE CAUSADALIDE #########################
### VAR(1)
subdata = data[,5:6]
var1 <- VAR(subdata, p=1, type='none')
serial.test(var1)
### Teste de Wald
var2 <- VAR(subdata, p=2, type='none')
### Wald Test 01: Desemprego não granger causa formalização
wald.test(b=coef(var2$varresult[[1]]),
Sigma=vcov(var2$varresult[[1]]),
Terms=2)

### Wald Test 02: formalização não granger causa desemprego
wald.test(b=coef(var2$varresult[[2]]),
Sigma=vcov(var2$varresult[[2]]),
Terms= 1)

De fato, quando a hipótese nula é que o desemprego não granger causa a razão de formalização, temos uma rejeição da mesma. Para o caso contrário, nós não conseguimos essa rejeição. Assim, podemos dizer que mais desemprego causa menos formalização no mercado de trabalho. O que, diga-se, é meio intuitivo. À medida que a taxa de desemprego aumenta, as pessoas costumam se virar, o que aumenta a proporção de emprego informal na população ocupada.

Tudo isso dito, meu ponto no post anterior é bastante simples: mesmo para níveis muito baixos de desemprego, o emprego com carteira alcançou pouco mais da metade da população ocupada. Isso sugere que é impossível universalizar o emprego com carteira assinada para toda a população ocupada.

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Toda H.Y.; Yamamoto T. (1995). Statistical inference in vector autoregressions with possibly integrated processes. Journal of Econometrics, 66, 225–250. 

Inscrições encerradas para as Turmas de Verão

By | Cursos da Análise Macro

Encerramos agora há pouco as inscrições para as Turmas de Verão dos nossos Cursos Aplicados de R. Foram ofertadas vagas para 15 Cursos Livres e 3 Formações. O período de 19/11 até 31/12 será de Nivelamento em R para os novos alunos. É o momento de se familiarizar com a linguagem e com a plataforma exclusiva de ensino da Análise Macro. No plano premium, a propósito, os alunos podem tirar dúvidas com o professor via plataforma exclusiva de suporte. O acesso nesse plano é de 1 ano e o aluno ainda tem acesso gratuito ao Clube do Código, o projeto de compartilhamento de códigos da Análise Macro.

A todos os novos e antigos alunos, sejam muito bem vindos às Turmas de Verão. Para quem não conseguiu se inscrever, fique atento ao Site e ao Blog da AM: nas próximas semanas, anunciaremos as Turmas 2020!

Juro Real pode fechar 2019 abaixo de 1%

By | Indicadores

O boletim Focus, divulgado agora há pouco pelo Banco Central, trouxe poucas novidades. A mediana das expectativas para o crescimento esse ano permaneceu em 0,92%, enquanto a expectativa mediana para a inflação teve uma leve alteração, para 3,33% a.a., ainda bem abaixo da meta de 4,25%. Com efeito, o mercado espera mais um corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, na última reunião do COPOM a se realizar em dezembro. Concretizado esse cenário, o juro real poderá ficar abaixo de 1% no final do ano.

Na ponta, o juro real representado pela Selic deflacionada pela expectativa de inflação 12 meses à frente encontra-se situado em 1,27% a.a., o menor valor da série histórica. A seguir, um painel do último Focus.

A semana, por suposto, é fraca de indicadores. Será divulgado apenas o IPCA-15 na sexta-feira.

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(*) A apresentação completa do Focus pode ser vista aqui.

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