Estoque e fluxo: a diferença que muda a leitura dos indicadores

Estoque é o que existe numa data; fluxo é o que entra ou sai num período. Veja a identidade que liga os dois e o que dá errado ao confundi-los no CAGED, na dívida pública, no PIB e no crédito.
Estoque e fluxo no Novo CAGED: estoque de empregos formais em 48,2 milhões e saldo mensal de admissões menos desligamentos

Estoque e fluxo são os dois tipos de informação que aparecem o tempo todo nos indicadores econômicos. O estoque é a quantidade que existe numa data, como o total de empregos formais do país. O fluxo é o que entra ou sai desse total ao longo de um período, como o saldo mensal do Novo CAGED, a diferença entre admissões e desligamentos.

Os dois números costumam sair na mesma divulgação. Em agosto de 2026, o Brasil tinha 48,2 milhões de vínculos formais de emprego, e o saldo do mês foi de 166 mil vínculos. O primeiro número diz quantos empregos existem; o segundo diz quanto esse total mudou em agosto.

Quando lemos o fluxo como se fosse o estoque, chegamos a conclusões erradas: uma desaceleração na criação de vagas vira queda do emprego, e um déficit menor vira dívida em queda. Neste post, vamos definir estoque e fluxo, ver a identidade contábil que liga os dois e aplicar a distinção ao CAGED, à dívida pública, ao PIB e ao crédito, com os dados do Banco Central e do IBGE.

Estoque e fluxo no Novo CAGED: estoque de empregos formais em 48,2 milhões e saldo mensal de admissões menos desligamentos
À esquerda, o estoque de empregos formais do Novo CAGED; à direita, o saldo mensal, que é a variação do estoque de um mês para o outro. Fonte: BCB, SGS série 28763, busca em 13/10/2026.

No painel da esquerda, a linha mostra o estoque: quantos vínculos formais existiam no fim de cada mês, de janeiro de 2022 a agosto de 2026. No painel da direita, cada barra mostra o fluxo do mês, quanto esse total aumentou ou diminuiu. As barras azuis são meses com mais admissões do que desligamentos; as vermelhas, meses em que o estoque encolheu.

O painel da direita é calculado a partir do da esquerda. O saldo de cada mês é a diferença entre o estoque desse mês e o do mês anterior, e por isso cada barra vermelha corresponde a uma queda na linha do estoque, sempre em dezembro.

📩 Acompanhe nossas análises

Receba análises e conteúdos sobre modelos estatísticos clássicos, econometria feita com hipóteses sérias e LLMs acessados em ambientes de trabalho reais, tudo aplicado à economia, ao mercado financeiro e à análise de dados.

Assinar o Boletim AM →

O que é estoque

Estoque: a quantidade que existe num ponto do tempo, medida numa data. No Novo CAGED, o estoque de empregos formais em agosto de 2026 é de 48,2 milhões de vínculos.

O estoque responde à pergunta "quanto existe agora?". Ele funciona como uma foto: registra o total acumulado até uma data, qualquer que tenha sido o caminho até ali. Os 48,2 milhões de vínculos de agosto de 2026 são o resultado de todas as contratações e demissões feitas até aquele mês.

A unidade de um estoque é uma quantidade, sem período: dizemos que existiam 48,2 milhões de vínculos no fim de agosto. O número depende apenas da data. Para informar o estoque de empregos, basta dizer o dia a que ele se refere, sem escolher nenhum intervalo de tempo.

Muitos indicadores da conjuntura são estoques: o total de empregos formais, a dívida pública, o saldo da carteira de crédito dos bancos, as reservas internacionais e a base monetária. Em todos, o número descreve uma posição numa data, e a comparação entre duas datas mostra quanto essa posição mudou.

O que é fluxo

Fluxo: a quantidade que entra ou sai ao longo de um período, medida por mês, trimestre ou ano. No Novo CAGED, o saldo de agosto de 2026 é de +166 mil vínculos: admissões menos desligamentos no mês.

O fluxo responde à pergunta "quanto aconteceu nesse intervalo?". Se o estoque é a foto, o fluxo é o que mudou entre duas fotos. Em agosto de 2026, o estoque de empregos formais cresceu 166 mil vínculos porque as empresas contrataram mais trabalhadores do que desligaram ao longo do mês.

Por isso, o fluxo só tem significado junto com o período. Um saldo de 166 mil vínculos em um mês descreve um ritmo de criação de vagas; os mesmos 166 mil acumulados em um ano descreveriam um ritmo cerca de doze vezes menor. A unidade carrega o tempo: mil vínculos no mês, reais no trimestre, porcentagem do PIB em doze meses.

O saldo do CAGED é um fluxo líquido, formado pela diferença entre dois fluxos brutos. As admissões medem quantas pessoas foram contratadas com carteira no mês, e os desligamentos, quantas saíram de um emprego formal. Um saldo pequeno pode resultar de muita movimentação: milhões de admissões e milhões de desligamentos que quase se compensam.

Outros fluxos frequentes na conjuntura são o PIB, que mede a produção de um trimestre ou de um ano, o resultado primário do governo, os juros pagos sobre a dívida, as concessões de crédito do mês e as exportações e importações.

Como reconhecer se um indicador é estoque ou fluxo

Quando a divulgação deixa a dúvida, a unidade e o comportamento do número indicam qual dos dois estamos lendo. Podemos fazer três perguntas ao indicador:

  • A unidade traz um período? "Mil vínculos no mês", "R$ bilhões no trimestre" e "% do PIB em 12 meses" são fluxos. "Milhões de vínculos" ou "R$ trilhões" numa data são estoques.
  • O número aumenta quando o período aumenta? O saldo de um trimestre é aproximadamente três vezes o de um mês típico. O estoque no fim do trimestre fica na mesma ordem de grandeza do estoque no fim do mês.
  • A soma de vários períodos tem interpretação? A soma dos saldos de janeiro a agosto dá o quanto o emprego cresceu no ano. A soma dos estoques desses oito meses dá um número sem interpretação.

Uma taxa pode ser calculada sobre os dois tipos. A taxa de crescimento do estoque de empregos mede quanto o emprego aumentou em relação ao que já existia, enquanto a variação do saldo mede se a criação de vagas acelerou ou desacelerou. Diante de uma taxa, por isso, perguntamos primeiro se ela foi calculada sobre um estoque ou sobre um fluxo.

A identidade entre estoque e fluxo

Estoque e fluxo se ligam por uma identidade contábil: o estoque no fim de um período é igual ao estoque do início, mais tudo o que entrou, menos tudo o que saiu.

Et = Et−1 + At − Dt   ou   Et = Et−1 + Ft

Aqui Et é o estoque no fim do período t, como os vínculos formais no fim de agosto, e Et−1 é o estoque no fim do período anterior, julho no nosso exemplo. At são as entradas do período, as admissões; Dt são as saídas, os desligamentos; e Ft = At − Dt é o fluxo líquido, o saldo.

Em palavras: o estoque de hoje é o estoque de ontem mais o fluxo do período. Com fluxo positivo, o estoque cresce; com fluxo negativo, diminui. Com fluxo igual a zero, o estoque fica parado, mesmo que milhares de pessoas tenham sido contratadas e demitidas no mês.

No CAGED, o estoque de empregos formais passou de 48,08 milhões no fim de julho de 2026 para 48,24 milhões no fim de agosto. A diferença, 166 mil vínculos, é o saldo de agosto.

A identidade também se aplica a períodos mais longos. No fim de dezembro de 2025 havia 47,11 milhões de vínculos; em agosto de 2026, 48,24 milhões. A soma dos saldos de janeiro a agosto de 2026, 1,13 milhão, é exatamente esse crescimento do estoque no ano.

O mesmo cálculo explica as quedas de dezembro na figura. Em dezembro de 2025, o saldo foi de −635 mil vínculos, com o encerramento de contratos temporários e sazonais, e o estoque recuou de 47,75 milhões para 47,11 milhões. Em janeiro, com o saldo de volta ao campo positivo, o estoque voltou a subir.

A identidade funciona nos dois sentidos. O fluxo é a variação do estoque entre duas datas, e o estoque é o acúmulo dos fluxos a partir de um ponto de partida. Com uma das séries e um valor inicial, reconstruímos a outra. Os dois cálculos usam a ordem das observações, a característica que define uma série temporal.

O que dá errado quando confundimos estoque com fluxo

A confusão mais comum é ler uma mudança no fluxo como se fosse uma mudança no estoque: o ritmo diminui, e concluímos que o nível caiu. O erro aparece no mercado de trabalho, nas contas públicas, nas contas nacionais e no crédito, cada vez com uma forma própria.

CAGED: saldo menor com emprego em alta

No mercado de trabalho, o erro é ler um saldo menor como perda de empregos. A tabela abaixo compara os saldos mensais de 2025 e de 2026 com o estoque no fim de cada mês de 2026.

Mês Saldo em 2025 (mil vínculos) Saldo em 2026 (mil vínculos) Estoque no fim do mês, 2026 (milhões)
Janeiro 154,7 117,8 47,23
Fevereiro 440,5 268,2 47,50
Março 80,0 228,1 47,72
Abril 238,2 79,6 47,80
Maio 153,0 81,6 47,89
Junho 161,9 137,0 48,02
Julho 133,8 55,9 48,08
Agosto 154,7 165,8 48,24
Janeiro a agosto 1.516,9 1.134,0 +1,13 milhão no ano

Saldo calculado como a variação do estoque. Fonte: BCB, SGS série 28763 (Novo CAGED), busca em 13/10/2026.

Em seis dos oito meses, o saldo de 2026 ficou abaixo do mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, foram criados 1,13 milhão de vínculos em 2026, contra 1,52 milhão no mesmo período de 2025. Mesmo assim, o estoque subiu em todos os meses de 2026, de 47,23 milhões em janeiro para 48,24 milhões em agosto.

Ou seja, a criação de vagas desacelerou e o número de empregos continuou em alta. Um saldo positivo e menor que o do ano anterior significa que o estoque cresce mais devagar.

Julho de 2026 mostra o tamanho do erro possível. O saldo foi de 55,9 mil vínculos, 58% abaixo dos 133,8 mil de julho de 2025. Uma manchete que dissesse que "o emprego caiu 58%" leria o fluxo como estoque: o total de vínculos formais aumentou 56 mil naquele mês e chegou a 48,08 milhões.

Para medir quanto o emprego cresceu, usamos a taxa de crescimento do estoque. Em agosto de 2026, o estoque estava 1,9% acima de agosto de 2025; um ano antes, a mesma comparação dava 3,2%. A taxa caiu porque os saldos diminuíram, e as duas medidas apontam o mesmo quadro: emprego em alta, crescendo mais devagar.

A comparação entre dois saldos diz se a criação de vagas acelerou ou desacelerou; o estoque diz quantos empregos existem. As duas leituras podem dar sinais opostos no mesmo mês: em julho de 2026, a comparação dos saldos apontava uma desaceleração forte, enquanto o estoque subia.

Os posts Coletando dados regionais do CAGED no Python e Análise regional do mercado de trabalho com dados do CAGED trabalham com essas séries por estado. Em Relação entre salário de admitidos e demitidos no CAGED, as admissões e os desligamentos, os fluxos brutos que formam o saldo, aparecem com o salário médio de cada grupo.

Dívida pública: déficit menor com dívida maior

Nas contas públicas, o estoque é a dívida, e os fluxos são o resultado primário e os juros. O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros: quando os gastos superam as receitas, há déficit primário. Os juros são o custo da dívida que já existe.

A soma do déficit primário com os juros forma o déficit nominal, o fluxo que faz a dívida crescer. Pela identidade, a dívida de hoje é a dívida de ontem mais o déficit nominal do período, além de ajustes como o efeito do câmbio sobre a parcela em moeda estrangeira. Para que a dívida diminua, o fluxo precisa ser negativo: um superávit primário grande o bastante para cobrir também os juros.

Mês Déficit primário em 12 meses (% do PIB) Juros nominais em 12 meses (% do PIB) Dívida bruta do governo geral (% do PIB)
Setembro de 2025 0,27 7,86 77,84
Junho de 2026 1,19 8,80 81,95
Setembro de 2026 0,52 8,99 82,93

Fluxos do setor público consolidado e estoque do governo geral. Fonte: BCB, SGS séries 5793, 5760 e 13762, busca em 05/11/2026.

Entre junho e setembro de 2026, o déficit primário acumulado em doze meses caiu de 1,19% para 0,52% do PIB. No mesmo intervalo, a dívida bruta subiu de 81,95% para 82,93% do PIB. Ler a queda do déficit como queda da dívida seria tratar o fluxo como se fosse o estoque.

A diferença vem dos juros. Os juros nominais em doze meses ficaram perto de 9% do PIB e, somados ao déficit primário, formaram um déficit nominal de 9,51% do PIB até setembro de 2026. Com um fluxo positivo desse tamanho, o estoque da dívida continua aumentando, mesmo com o resultado primário melhorando.

Como a dívida é medida em proporção do PIB, a razão depende também do crescimento da economia. Quando o PIB nominal cresce mais rápido que a dívida, a razão cai, mesmo sem superávit. O Dashboard de Política Fiscal reúne as séries de resultado primário, juros e dívida.

PIB: por que a dívida é comparada ao PIB de quatro trimestres

O PIB é um fluxo: mede o valor de tudo o que foi produzido na economia ao longo de um período. No segundo trimestre de 2026, o PIB a preços correntes foi de R$ 3,43 trilhões, a produção daqueles três meses.

A riqueza do país, formada por máquinas, construções e ativos financeiros, é um estoque. O PIB se liga a ela pela mesma identidade: a parcela da produção que vira investimento aumenta o estoque de capital, e a depreciação, o desgaste de máquinas e construções ao longo do uso, o reduz. Um PIB em alta significa mais produção no período; o estoque de capital cresce na medida do investimento líquido, o investimento menos a depreciação.

Como fluxo, o PIB pode ser somado no tempo. O PIB de 2025, R$ 12,74 trilhões, é a soma dos quatro trimestres do ano: R$ 3,02 trilhões no primeiro, R$ 3,20 trilhões no segundo, R$ 3,24 trilhões no terceiro e R$ 3,28 trilhões no quarto.

O erro aparece quando comparamos o PIB com um estoque. Em setembro de 2026, a dívida bruta do governo geral somava R$ 11,1 trilhões. Se dividíssemos esse estoque pelo PIB de um único trimestre, R$ 3,43 trilhões, a dívida pareceria igual a 324% do PIB, e o número mudaria só pela escolha do período.

Por isso, a razão dívida/PIB usa o PIB acumulado em quatro trimestres, ou em doze meses, que somava R$ 13,4 trilhões até setembro de 2026. A divisão de R$ 11,1 trilhões por R$ 13,4 trilhões dá os 82,9% da tabela anterior. O estoque fica comparado com um ano inteiro de produção, uma base que inclui um ciclo sazonal completo.

O post Como analisar os dados do PIB usando o Python trabalha com as séries trimestrais do PIB.

Crédito: as concessões do mês e o saldo da carteira

No crédito, o estoque é o saldo da carteira, o total que famílias e empresas devem aos bancos numa data: R$ 7,44 trilhões em setembro de 2026. O fluxo de entrada são as concessões, o valor dos empréstimos novos feitos no mês: R$ 747 bilhões em setembro.

Pela identidade, o saldo cresce com as concessões e diminui com o pagamento das parcelas dos empréstimos antigos, além de ajustes como os juros incorporados e as dívidas baixadas como perda. Em dezembro de 2025, janeiro de 2026 e setembro de 2026, as concessões e a variação do saldo foram estas:

Mês Concessões no mês (R$ bilhões) Saldo no fim do mês (R$ trilhões) Variação do saldo no mês (R$ bilhões)
Dezembro de 2025 804,3 7,14 +133,0
Janeiro de 2026 649,5 7,13 −6,5
Setembro de 2026 747,1 7,44 +31,8

Concessões e saldo da carteira de crédito do sistema financeiro, total. Fonte: BCB, SGS séries 20631 e 20539, busca em 05/11/2026.

Em setembro de 2026, os bancos concederam R$ 747 bilhões, e o saldo cresceu R$ 31,8 bilhões. A maior parte dos empréstimos novos foi compensada pelo que famílias e empresas pagaram de empréstimos anteriores.

Em janeiro de 2026, as concessões somaram R$ 649 bilhões e, mesmo assim, o saldo da carteira caiu R$ 6,5 bilhões. O que saiu da carteira no mês, entre parcelas pagas e outros ajustes, superou os empréstimos novos.

A soma dos fluxos mostra a diferença de escala. Nos doze meses até setembro de 2026, as concessões somaram R$ 8,51 trilhões, mais do que o saldo inteiro da carteira. No mesmo período, o saldo cresceu R$ 592 bilhões, ou 8,6%. Ler o volume de concessões como crescimento do crédito superestimaria a expansão em cerca de 14 vezes.

As concessões medem quanto crédito novo entrou na economia no mês, e o saldo mede quanto famílias e empresas devem. A variação das concessões acompanha o ciclo do crédito, como no post Ciclo das Concessões de Crédito e Atividade Econômica, e o impulso de crédito mede como muda o fluxo de crédito novo em proporção do PIB.

Como somar e comparar estoques e fluxos

A natureza do indicador também define como passamos de uma frequência para outra, por exemplo do mês para o trimestre ou do trimestre para o ano.

Estoque Fluxo
Mede Quanto existe numa data Quanto entrou ou saiu num período
Unidade Quantidade numa data: milhões de vínculos, R$ trilhões Quantidade por período: mil vínculos no mês, R$ no trimestre
Exemplos Empregos formais, dívida pública, saldo de crédito Saldo do CAGED, déficit primário, juros, PIB, concessões de crédito
Pode somar no tempo? Não Sim
Do mês para o trimestre Valor do último mês ou média dos três Soma dos três meses
Do trimestre para o ano Valor do último trimestre ou média dos quatro Soma dos quatro trimestres

Estoque e fluxo pedem regras diferentes de agregação.

Fluxos podem ser somados ao longo do tempo. No segundo trimestre de 2026, o saldo do CAGED foi de 298 mil vínculos, a soma dos saldos de abril (79,6 mil), maio (81,6 mil) e junho (137,0 mil). Pela identidade, o mesmo número aparece na diferença entre o estoque de junho, 48,02 milhões, e o de março, 47,72 milhões.

Estoques não devem ser somados entre datas. A soma dos estoques de abril, maio e junho de 2026 dá 143,7 milhões de vínculos, um número que conta o mesmo trabalhador até três vezes e que corresponde a uma quantidade de empregos que nunca existiu.

Para representar o emprego no trimestre, escolhemos entre o estoque do último mês, 48,02 milhões, e a média dos três meses, 47,90 milhões, conforme a pergunta. O último mês diz quantos empregos existiam ao fim do trimestre. A média descreve o nível típico ao longo do período e é a escolha adequada quando o estoque vai ser comparado com um fluxo do mesmo trimestre.

A comparação entre um estoque e um fluxo pede um fluxo medido num período padronizado. É o caso da razão dívida/PIB, com o PIB de doze meses, e do saldo de crédito em proporção do PIB. Com um fluxo de período curto, a razão muda com a sazonalidade e com a escolha do período, como no cálculo da dívida contra o PIB de um trimestre.

Considerações finais

Antes de interpretar um indicador econômico, perguntamos se ele mede o que existe numa data ou o que aconteceu num período. A resposta define se o número pode ser somado, com o que ele pode ser comparado e o que uma queda significa.

A identidade entre os dois organiza a leitura: o estoque de hoje é o estoque de ontem mais o fluxo do período. Um fluxo positivo e menor faz o estoque crescer mais devagar, e o estoque só cai quando o fluxo fica negativo.

Nos indicadores deste post, a distinção aparece assim:

  • Mercado de trabalho: o saldo do CAGED mede o ritmo de criação de vagas, e o estoque de vínculos mede quantos empregos existem. Em 2026, saldos menores que os de 2025 conviveram com o emprego em alta.
  • Contas públicas: o déficit primário e os juros são fluxos, e a dívida é o estoque que eles alimentam. Entre junho e setembro de 2026, a dívida subiu com o déficit primário em queda, porque os juros continuaram somando perto de 9% do PIB em doze meses.
  • Atividade: o PIB é um fluxo que se soma por trimestres, e a dívida é comparada com o PIB de doze meses para que a razão tenha uma base estável.
  • Crédito: as concessões medem os empréstimos novos do mês, e o saldo da carteira mede o total devido. As concessões de um ano superam o saldo inteiro, e o saldo cresce bem menos que elas.

Leia a conjuntura econômica com método

No curso Análise de Conjuntura usando IA, aprendemos a coletar, tratar e interpretar os indicadores da economia brasileira, do mercado de trabalho às contas públicas, com o apoio de IA no dia a dia da análise. Quem quer acesso a todas as formações tem o AM Black, a assinatura anual.

Conheça o curso →Ver o AM Black →

Leia também:

Compartilhe esse artigo

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email
Print
Análise Macro © 2011 / 2026

comercial@analisemacro.com.br – Rua Visconde de Pirajá, 414, Sala 718
Ipanema, Rio de Janeiro – RJ – CEP: 22410-002