Estoque e fluxo são os dois tipos de informação que aparecem o tempo todo nos indicadores econômicos. O estoque é a quantidade que existe numa data, como o total de empregos formais do país. O fluxo é o que entra ou sai desse total ao longo de um período, como o saldo mensal do Novo CAGED, a diferença entre admissões e desligamentos.
Os dois números costumam sair na mesma divulgação. Em agosto de 2026, o Brasil tinha 48,2 milhões de vínculos formais de emprego, e o saldo do mês foi de 166 mil vínculos. O primeiro número diz quantos empregos existem; o segundo diz quanto esse total mudou em agosto.
Quando lemos o fluxo como se fosse o estoque, chegamos a conclusões erradas: uma desaceleração na criação de vagas vira queda do emprego, e um déficit menor vira dívida em queda. Neste post, vamos definir estoque e fluxo, ver a identidade contábil que liga os dois e aplicar a distinção ao CAGED, à dívida pública, ao PIB e ao crédito, com os dados do Banco Central e do IBGE.

No painel da esquerda, a linha mostra o estoque: quantos vínculos formais existiam no fim de cada mês, de janeiro de 2022 a agosto de 2026. No painel da direita, cada barra mostra o fluxo do mês, quanto esse total aumentou ou diminuiu. As barras azuis são meses com mais admissões do que desligamentos; as vermelhas, meses em que o estoque encolheu.
O painel da direita é calculado a partir do da esquerda. O saldo de cada mês é a diferença entre o estoque desse mês e o do mês anterior, e por isso cada barra vermelha corresponde a uma queda na linha do estoque, sempre em dezembro.
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O que é estoque
O estoque responde à pergunta "quanto existe agora?". Ele funciona como uma foto: registra o total acumulado até uma data, qualquer que tenha sido o caminho até ali. Os 48,2 milhões de vínculos de agosto de 2026 são o resultado de todas as contratações e demissões feitas até aquele mês.
A unidade de um estoque é uma quantidade, sem período: dizemos que existiam 48,2 milhões de vínculos no fim de agosto. O número depende apenas da data. Para informar o estoque de empregos, basta dizer o dia a que ele se refere, sem escolher nenhum intervalo de tempo.
Muitos indicadores da conjuntura são estoques: o total de empregos formais, a dívida pública, o saldo da carteira de crédito dos bancos, as reservas internacionais e a base monetária. Em todos, o número descreve uma posição numa data, e a comparação entre duas datas mostra quanto essa posição mudou.
O que é fluxo
O fluxo responde à pergunta "quanto aconteceu nesse intervalo?". Se o estoque é a foto, o fluxo é o que mudou entre duas fotos. Em agosto de 2026, o estoque de empregos formais cresceu 166 mil vínculos porque as empresas contrataram mais trabalhadores do que desligaram ao longo do mês.
Por isso, o fluxo só tem significado junto com o período. Um saldo de 166 mil vínculos em um mês descreve um ritmo de criação de vagas; os mesmos 166 mil acumulados em um ano descreveriam um ritmo cerca de doze vezes menor. A unidade carrega o tempo: mil vínculos no mês, reais no trimestre, porcentagem do PIB em doze meses.
O saldo do CAGED é um fluxo líquido, formado pela diferença entre dois fluxos brutos. As admissões medem quantas pessoas foram contratadas com carteira no mês, e os desligamentos, quantas saíram de um emprego formal. Um saldo pequeno pode resultar de muita movimentação: milhões de admissões e milhões de desligamentos que quase se compensam.
Outros fluxos frequentes na conjuntura são o PIB, que mede a produção de um trimestre ou de um ano, o resultado primário do governo, os juros pagos sobre a dívida, as concessões de crédito do mês e as exportações e importações.
Como reconhecer se um indicador é estoque ou fluxo
Quando a divulgação deixa a dúvida, a unidade e o comportamento do número indicam qual dos dois estamos lendo. Podemos fazer três perguntas ao indicador:
- A unidade traz um período? "Mil vínculos no mês", "R$ bilhões no trimestre" e "% do PIB em 12 meses" são fluxos. "Milhões de vínculos" ou "R$ trilhões" numa data são estoques.
- O número aumenta quando o período aumenta? O saldo de um trimestre é aproximadamente três vezes o de um mês típico. O estoque no fim do trimestre fica na mesma ordem de grandeza do estoque no fim do mês.
- A soma de vários períodos tem interpretação? A soma dos saldos de janeiro a agosto dá o quanto o emprego cresceu no ano. A soma dos estoques desses oito meses dá um número sem interpretação.
Uma taxa pode ser calculada sobre os dois tipos. A taxa de crescimento do estoque de empregos mede quanto o emprego aumentou em relação ao que já existia, enquanto a variação do saldo mede se a criação de vagas acelerou ou desacelerou. Diante de uma taxa, por isso, perguntamos primeiro se ela foi calculada sobre um estoque ou sobre um fluxo.
A identidade entre estoque e fluxo
Estoque e fluxo se ligam por uma identidade contábil: o estoque no fim de um período é igual ao estoque do início, mais tudo o que entrou, menos tudo o que saiu.
Aqui Et é o estoque no fim do período t, como os vínculos formais no fim de agosto, e Et−1 é o estoque no fim do período anterior, julho no nosso exemplo. At são as entradas do período, as admissões; Dt são as saídas, os desligamentos; e Ft = At − Dt é o fluxo líquido, o saldo.
Em palavras: o estoque de hoje é o estoque de ontem mais o fluxo do período. Com fluxo positivo, o estoque cresce; com fluxo negativo, diminui. Com fluxo igual a zero, o estoque fica parado, mesmo que milhares de pessoas tenham sido contratadas e demitidas no mês.
No CAGED, o estoque de empregos formais passou de 48,08 milhões no fim de julho de 2026 para 48,24 milhões no fim de agosto. A diferença, 166 mil vínculos, é o saldo de agosto.
A identidade também se aplica a períodos mais longos. No fim de dezembro de 2025 havia 47,11 milhões de vínculos; em agosto de 2026, 48,24 milhões. A soma dos saldos de janeiro a agosto de 2026, 1,13 milhão, é exatamente esse crescimento do estoque no ano.
O mesmo cálculo explica as quedas de dezembro na figura. Em dezembro de 2025, o saldo foi de −635 mil vínculos, com o encerramento de contratos temporários e sazonais, e o estoque recuou de 47,75 milhões para 47,11 milhões. Em janeiro, com o saldo de volta ao campo positivo, o estoque voltou a subir.
A identidade funciona nos dois sentidos. O fluxo é a variação do estoque entre duas datas, e o estoque é o acúmulo dos fluxos a partir de um ponto de partida. Com uma das séries e um valor inicial, reconstruímos a outra. Os dois cálculos usam a ordem das observações, a característica que define uma série temporal.
O que dá errado quando confundimos estoque com fluxo
A confusão mais comum é ler uma mudança no fluxo como se fosse uma mudança no estoque: o ritmo diminui, e concluímos que o nível caiu. O erro aparece no mercado de trabalho, nas contas públicas, nas contas nacionais e no crédito, cada vez com uma forma própria.
CAGED: saldo menor com emprego em alta
No mercado de trabalho, o erro é ler um saldo menor como perda de empregos. A tabela abaixo compara os saldos mensais de 2025 e de 2026 com o estoque no fim de cada mês de 2026.
| Mês | Saldo em 2025 (mil vínculos) | Saldo em 2026 (mil vínculos) | Estoque no fim do mês, 2026 (milhões) |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 154,7 | 117,8 | 47,23 |
| Fevereiro | 440,5 | 268,2 | 47,50 |
| Março | 80,0 | 228,1 | 47,72 |
| Abril | 238,2 | 79,6 | 47,80 |
| Maio | 153,0 | 81,6 | 47,89 |
| Junho | 161,9 | 137,0 | 48,02 |
| Julho | 133,8 | 55,9 | 48,08 |
| Agosto | 154,7 | 165,8 | 48,24 |
| Janeiro a agosto | 1.516,9 | 1.134,0 | +1,13 milhão no ano |
Saldo calculado como a variação do estoque. Fonte: BCB, SGS série 28763 (Novo CAGED), busca em 13/10/2026.
Em seis dos oito meses, o saldo de 2026 ficou abaixo do mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, foram criados 1,13 milhão de vínculos em 2026, contra 1,52 milhão no mesmo período de 2025. Mesmo assim, o estoque subiu em todos os meses de 2026, de 47,23 milhões em janeiro para 48,24 milhões em agosto.
Ou seja, a criação de vagas desacelerou e o número de empregos continuou em alta. Um saldo positivo e menor que o do ano anterior significa que o estoque cresce mais devagar.
Julho de 2026 mostra o tamanho do erro possível. O saldo foi de 55,9 mil vínculos, 58% abaixo dos 133,8 mil de julho de 2025. Uma manchete que dissesse que "o emprego caiu 58%" leria o fluxo como estoque: o total de vínculos formais aumentou 56 mil naquele mês e chegou a 48,08 milhões.
Para medir quanto o emprego cresceu, usamos a taxa de crescimento do estoque. Em agosto de 2026, o estoque estava 1,9% acima de agosto de 2025; um ano antes, a mesma comparação dava 3,2%. A taxa caiu porque os saldos diminuíram, e as duas medidas apontam o mesmo quadro: emprego em alta, crescendo mais devagar.
A comparação entre dois saldos diz se a criação de vagas acelerou ou desacelerou; o estoque diz quantos empregos existem. As duas leituras podem dar sinais opostos no mesmo mês: em julho de 2026, a comparação dos saldos apontava uma desaceleração forte, enquanto o estoque subia.
Os posts Coletando dados regionais do CAGED no Python e Análise regional do mercado de trabalho com dados do CAGED trabalham com essas séries por estado. Em Relação entre salário de admitidos e demitidos no CAGED, as admissões e os desligamentos, os fluxos brutos que formam o saldo, aparecem com o salário médio de cada grupo.
Dívida pública: déficit menor com dívida maior
Nas contas públicas, o estoque é a dívida, e os fluxos são o resultado primário e os juros. O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros: quando os gastos superam as receitas, há déficit primário. Os juros são o custo da dívida que já existe.
A soma do déficit primário com os juros forma o déficit nominal, o fluxo que faz a dívida crescer. Pela identidade, a dívida de hoje é a dívida de ontem mais o déficit nominal do período, além de ajustes como o efeito do câmbio sobre a parcela em moeda estrangeira. Para que a dívida diminua, o fluxo precisa ser negativo: um superávit primário grande o bastante para cobrir também os juros.
| Mês | Déficit primário em 12 meses (% do PIB) | Juros nominais em 12 meses (% do PIB) | Dívida bruta do governo geral (% do PIB) |
|---|---|---|---|
| Setembro de 2025 | 0,27 | 7,86 | 77,84 |
| Junho de 2026 | 1,19 | 8,80 | 81,95 |
| Setembro de 2026 | 0,52 | 8,99 | 82,93 |
Fluxos do setor público consolidado e estoque do governo geral. Fonte: BCB, SGS séries 5793, 5760 e 13762, busca em 05/11/2026.
Entre junho e setembro de 2026, o déficit primário acumulado em doze meses caiu de 1,19% para 0,52% do PIB. No mesmo intervalo, a dívida bruta subiu de 81,95% para 82,93% do PIB. Ler a queda do déficit como queda da dívida seria tratar o fluxo como se fosse o estoque.
A diferença vem dos juros. Os juros nominais em doze meses ficaram perto de 9% do PIB e, somados ao déficit primário, formaram um déficit nominal de 9,51% do PIB até setembro de 2026. Com um fluxo positivo desse tamanho, o estoque da dívida continua aumentando, mesmo com o resultado primário melhorando.
Como a dívida é medida em proporção do PIB, a razão depende também do crescimento da economia. Quando o PIB nominal cresce mais rápido que a dívida, a razão cai, mesmo sem superávit. O Dashboard de Política Fiscal reúne as séries de resultado primário, juros e dívida.
PIB: por que a dívida é comparada ao PIB de quatro trimestres
O PIB é um fluxo: mede o valor de tudo o que foi produzido na economia ao longo de um período. No segundo trimestre de 2026, o PIB a preços correntes foi de R$ 3,43 trilhões, a produção daqueles três meses.
A riqueza do país, formada por máquinas, construções e ativos financeiros, é um estoque. O PIB se liga a ela pela mesma identidade: a parcela da produção que vira investimento aumenta o estoque de capital, e a depreciação, o desgaste de máquinas e construções ao longo do uso, o reduz. Um PIB em alta significa mais produção no período; o estoque de capital cresce na medida do investimento líquido, o investimento menos a depreciação.
Como fluxo, o PIB pode ser somado no tempo. O PIB de 2025, R$ 12,74 trilhões, é a soma dos quatro trimestres do ano: R$ 3,02 trilhões no primeiro, R$ 3,20 trilhões no segundo, R$ 3,24 trilhões no terceiro e R$ 3,28 trilhões no quarto.
O erro aparece quando comparamos o PIB com um estoque. Em setembro de 2026, a dívida bruta do governo geral somava R$ 11,1 trilhões. Se dividíssemos esse estoque pelo PIB de um único trimestre, R$ 3,43 trilhões, a dívida pareceria igual a 324% do PIB, e o número mudaria só pela escolha do período.
Por isso, a razão dívida/PIB usa o PIB acumulado em quatro trimestres, ou em doze meses, que somava R$ 13,4 trilhões até setembro de 2026. A divisão de R$ 11,1 trilhões por R$ 13,4 trilhões dá os 82,9% da tabela anterior. O estoque fica comparado com um ano inteiro de produção, uma base que inclui um ciclo sazonal completo.
O post Como analisar os dados do PIB usando o Python trabalha com as séries trimestrais do PIB.
Crédito: as concessões do mês e o saldo da carteira
No crédito, o estoque é o saldo da carteira, o total que famílias e empresas devem aos bancos numa data: R$ 7,44 trilhões em setembro de 2026. O fluxo de entrada são as concessões, o valor dos empréstimos novos feitos no mês: R$ 747 bilhões em setembro.
Pela identidade, o saldo cresce com as concessões e diminui com o pagamento das parcelas dos empréstimos antigos, além de ajustes como os juros incorporados e as dívidas baixadas como perda. Em dezembro de 2025, janeiro de 2026 e setembro de 2026, as concessões e a variação do saldo foram estas:
| Mês | Concessões no mês (R$ bilhões) | Saldo no fim do mês (R$ trilhões) | Variação do saldo no mês (R$ bilhões) |
|---|---|---|---|
| Dezembro de 2025 | 804,3 | 7,14 | +133,0 |
| Janeiro de 2026 | 649,5 | 7,13 | −6,5 |
| Setembro de 2026 | 747,1 | 7,44 | +31,8 |
Concessões e saldo da carteira de crédito do sistema financeiro, total. Fonte: BCB, SGS séries 20631 e 20539, busca em 05/11/2026.
Em setembro de 2026, os bancos concederam R$ 747 bilhões, e o saldo cresceu R$ 31,8 bilhões. A maior parte dos empréstimos novos foi compensada pelo que famílias e empresas pagaram de empréstimos anteriores.
Em janeiro de 2026, as concessões somaram R$ 649 bilhões e, mesmo assim, o saldo da carteira caiu R$ 6,5 bilhões. O que saiu da carteira no mês, entre parcelas pagas e outros ajustes, superou os empréstimos novos.
A soma dos fluxos mostra a diferença de escala. Nos doze meses até setembro de 2026, as concessões somaram R$ 8,51 trilhões, mais do que o saldo inteiro da carteira. No mesmo período, o saldo cresceu R$ 592 bilhões, ou 8,6%. Ler o volume de concessões como crescimento do crédito superestimaria a expansão em cerca de 14 vezes.
As concessões medem quanto crédito novo entrou na economia no mês, e o saldo mede quanto famílias e empresas devem. A variação das concessões acompanha o ciclo do crédito, como no post Ciclo das Concessões de Crédito e Atividade Econômica, e o impulso de crédito mede como muda o fluxo de crédito novo em proporção do PIB.
Como somar e comparar estoques e fluxos
A natureza do indicador também define como passamos de uma frequência para outra, por exemplo do mês para o trimestre ou do trimestre para o ano.
| Estoque | Fluxo | |
|---|---|---|
| Mede | Quanto existe numa data | Quanto entrou ou saiu num período |
| Unidade | Quantidade numa data: milhões de vínculos, R$ trilhões | Quantidade por período: mil vínculos no mês, R$ no trimestre |
| Exemplos | Empregos formais, dívida pública, saldo de crédito | Saldo do CAGED, déficit primário, juros, PIB, concessões de crédito |
| Pode somar no tempo? | Não | Sim |
| Do mês para o trimestre | Valor do último mês ou média dos três | Soma dos três meses |
| Do trimestre para o ano | Valor do último trimestre ou média dos quatro | Soma dos quatro trimestres |
Estoque e fluxo pedem regras diferentes de agregação.
Fluxos podem ser somados ao longo do tempo. No segundo trimestre de 2026, o saldo do CAGED foi de 298 mil vínculos, a soma dos saldos de abril (79,6 mil), maio (81,6 mil) e junho (137,0 mil). Pela identidade, o mesmo número aparece na diferença entre o estoque de junho, 48,02 milhões, e o de março, 47,72 milhões.
Estoques não devem ser somados entre datas. A soma dos estoques de abril, maio e junho de 2026 dá 143,7 milhões de vínculos, um número que conta o mesmo trabalhador até três vezes e que corresponde a uma quantidade de empregos que nunca existiu.
Para representar o emprego no trimestre, escolhemos entre o estoque do último mês, 48,02 milhões, e a média dos três meses, 47,90 milhões, conforme a pergunta. O último mês diz quantos empregos existiam ao fim do trimestre. A média descreve o nível típico ao longo do período e é a escolha adequada quando o estoque vai ser comparado com um fluxo do mesmo trimestre.
A comparação entre um estoque e um fluxo pede um fluxo medido num período padronizado. É o caso da razão dívida/PIB, com o PIB de doze meses, e do saldo de crédito em proporção do PIB. Com um fluxo de período curto, a razão muda com a sazonalidade e com a escolha do período, como no cálculo da dívida contra o PIB de um trimestre.
Considerações finais
Antes de interpretar um indicador econômico, perguntamos se ele mede o que existe numa data ou o que aconteceu num período. A resposta define se o número pode ser somado, com o que ele pode ser comparado e o que uma queda significa.
A identidade entre os dois organiza a leitura: o estoque de hoje é o estoque de ontem mais o fluxo do período. Um fluxo positivo e menor faz o estoque crescer mais devagar, e o estoque só cai quando o fluxo fica negativo.
Nos indicadores deste post, a distinção aparece assim:
- Mercado de trabalho: o saldo do CAGED mede o ritmo de criação de vagas, e o estoque de vínculos mede quantos empregos existem. Em 2026, saldos menores que os de 2025 conviveram com o emprego em alta.
- Contas públicas: o déficit primário e os juros são fluxos, e a dívida é o estoque que eles alimentam. Entre junho e setembro de 2026, a dívida subiu com o déficit primário em queda, porque os juros continuaram somando perto de 9% do PIB em doze meses.
- Atividade: o PIB é um fluxo que se soma por trimestres, e a dívida é comparada com o PIB de doze meses para que a razão tenha uma base estável.
- Crédito: as concessões medem os empréstimos novos do mês, e o saldo da carteira mede o total devido. As concessões de um ano superam o saldo inteiro, e o saldo cresce bem menos que elas.
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