O Banco Central deve intervir no câmbio?

Com a taxa de câmbio R$/US$ atingindo valores nominais elevados no curto prazo, uma pergunta natural tem sido feita no mercado: o Banco Central vai intervir? A resposta é meio direta: não deveria. Afinal, o câmbio é considerado flutuante no país. Se é assim, o esperado é que ele flutue mesmo, para baixo ou para cima.

Na prática, contudo, com base em exercícios feitos no âmbito do Clube do Código, o Banco Central não fica inerte a movimentos na taxa de câmbio. Ele, de fato, reage de forma defasada à mudanças na volatilidade do câmbio com mudanças na taxa básica de juros. Também, e principalmente, utiliza swaps cambiais para reagir a choques na taxa de câmbio em si.

Não é comum, por suposto, o uso de reservas cambiais para isso. O Banco Central tem preferido, historicamente, utilizar swaps para essa função.

Isso dito, qual o efeito da atual desvalorização cambial sobre a inflação, principal objetivo da autoridade monetária?

Aqui é importante ressaltar que nos modelos do Banco Central, ele utiliza como proxy para capturar a inflação externa o IC-Br, índice de commodities do próprio banco, cotado em moeda estrangeira e convertido em reais. Para maiores detalhes, consulte a edição 48 do Clube do Código.

Uma vez que as commodities estão em trajetória decrescente no curto prazo, não é de espantar que as expectativas do Focus para a inflação se mantenham em queda nas últimas semanas.

 

(*) Isso e muito mais você aprende em nossos Cursos Aplicados de R.

___________


Compartilhe esse artigo

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email
Print

Comente o que achou desse artigo

Outros artigos relacionados

Como Construir um Monitor de Política Monetária Automatizado com Python?

Descubra como transformar dados do Banco Central em inteligência de mercado com um Monitor de Política Monetária Automatizado. Neste artigo, exploramos o desenvolvimento de uma solução híbrida (Python + R) que integra análise de sentimento das atas do COPOM, cálculo da Regra de Taylor e monitoramento da taxa Selic. Aprenda a estruturar pipelines ETL eficientes e a visualizar insights econômicos em tempo real através de um dashboard interativo criado com Shiny, elevando o nível das suas decisões de investimento.

Qual o efeito de um choque de juros sobre a inadimplência?

Neste exercício, exploramos a relação dinâmica entre o custo do crédito (juros na ponta) e o risco realizado (taxa de inadimplência) através de uma análise exploratória de dados e modelagem econométrica utilizando a linguagem de programação R.

Qual a relação entre benefícios sociais e a taxa de participação do mercado de trabalho?

Este exercício apresenta uma investigação econométrica sobre a persistente estagnação da taxa de participação no mercado de trabalho brasileiro no período pós-pandemia. Utilizando a linguagem R e dados públicos do IBGE e Banco Central, construímos um modelo de regressão linear múltipla com correção de erros robustos (Newey-West). A análise testa a hipótese de que o aumento real das transferências de renda (Bolsa Família/Auxílio Brasil) elevou o salário de reserva, desincentivando o retorno à força de trabalho.

Boletim AM

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

Boletim AM

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

como podemos ajudar?

Preencha os seus dados abaixo e fale conosco no WhatsApp

Boletim AM

Preencha o formulário abaixo para receber nossos boletins semanais diretamente em seu e-mail.