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Relatório AM #17 - Semana de Copom

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A semana é marcada no Brasil pela decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) a cerca da taxa básica de juros, a Selic. Há uma expectativa de aumento de 100 pontos-base na taxa, com alguns analistas cogitando a hipótese de 125 pontos-base. No nosso Monitor de Política Monetária, produto desenvolvido dentro do Curso de Análise de Conjuntura usando o R, nós destrinchamos os rumos da política monetária através de expectativas do mercado para variáveis-chaves como inflação, PIB, Câmbio e Juros. Além disso, também mostramos como está a operação da política monetária através da comparação do juro real com o juro de equilíbrio da economia e atualizamos a Curva de Juros fornecida pela Anbima.

A tabela acima, coletada de forma automática a partir do Banco Central, traz um resumo do boletim Focus, que reúne mais de uma centena de instituições que fazem projeção de variáveis macroeconômicas toda semana. Como se vê, os agentes do mercado têm aumentado as expectativas para a inflação tanto em 2021 quanto em 2022, influenciados sobremaneira pelos resultados negativos do IPCA nos últimos meses.

Por outro lado, também há uma revisão importante no crescimento econômico de ambos os anos. Espera-se agora que o crescimento seja menor, por conta do ambiente fiscal e político mais crítico do que o antecipado no início do ano. Um câmbio mais depreciado completa o cenário.

O resultado desse cenário mais pessimista é a expectativa de um ciclo mais longo de contração monetária. O Banco Central vai ter de levar o juro básico da economia para a zona acima do juro neutro. As expectativas mais atualizadas do mercado indicam juro de 8,5% no final de 2021 e 8,2% no final de 2022. Ou seja, a expectativa é que o juro aumente e não ceda por um bom tempo.

Para a reunião dessa semana, há quem espere um aumento de 125 pontos-base, dada a deterioração do cenário inflacionário, ainda que esse não seja o consenso. A média do mercado aguarda por mais 100 pontos-base de aumento no juro básico.

A verdade é que o Banco Central tem sido surpreendido, de forma sistemática, com o cenário mais adverso para a inflação. Não apenas a autoridade monetária, diga-se, mas todo o mercado. As expectativas coletadas pelo Focus já contaminam não apenas 2021, mas também 2022.

Como referência, é bom lembrar que a meta de inflação para esse ano é de 3,75% e para o ano que vem é de 3,5%.

Definitivamente, a inflação pegou no breu, como explicado nos nossos últimos Comentários de Conjuntura.

Em meio a esse cenário mais adverso na inflação, a atividade também tem surpreendido, só que para baixo. Os agentes do mercado têm corrigido de forma sistemática o crescimento tanto para esse quanto para o próximo ano. O gráfico acima ilustra que agora espera-se crescimento de 5% para 2021 e 1,6% para 2022. Lembrando que 5% está muito próximo do carry-over deixado pelo ano passado.

O câmbio, outra variável importante para a decisão do COPOM, segue pressionada. Na margem, os agentes corrigiram um pouco o câmbio esperado para o final do ano. Espera-se agora um câmbio um pouco mais desvalorizado, por conta principalmente do aumento do prêmio de risco em meio à deterioração do ambiente fiscal.

A tendência, diga-se, é que esse ponto se aprofunde ao longo dos próximos meses.

Por fim, a empinada nos juros segue na Estrutura a Termo, como mostra a Curva de Juros da Anbima.

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(*) Consulte o Monitor de Política Monetária aqui.

(**) Conheça nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Relatório AM #16 - Payroll

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Na sexta-feira, o U.S. Bureau of Labor Statistics divulgou o dado do nonfarm payroll, ou seja, a quantidade de postos de trabalho não agrícolas criadas/destruídas ao longo do mês. O resultado para agosto foi de uma criação de 235 mil postos de trabalho. O dado veio bem abaixo do esperado.

Para visualizar os dados do payroll no R, podemos usar o pacote quantmod como no código abaixo.


library(quantmod)
library(ggplot2)
library(gridExtra)
library(dplyr)
library(magrittr)
library(scales)
library(timetk)

getSymbols('PAYEMS', src='FRED')
data = tk_tbl(PAYEMS, preserve_index = TRUE, rename_index = 'date') %>%
rename(payroll=PAYEMS) %>%
mutate(variacao = payroll - lag(payroll,1))

subdata = filter(data, date > '2020-06-01')

ggplot(subdata, aes(x=date, y=variacao))+
geom_bar(stat='identity', colour=ifelse(subdata$variacao>0, 'darkblue', 'red'),
fill=ifelse(subdata$variacao>0, 'darkblue', 'red'))+
geom_text(aes(label=round(variacao,2),
vjust = ifelse(variacao > 0, 1, -1)), size=2.6,
hjust=0.5, colour="white", fontface='bold')+
geom_hline(yintercept=0, colour='black', linetype='dashed')+
scale_x_date(breaks = date_breaks("1 month"),
labels = date_format("%b/%y"))+
theme(axis.text.x=element_text(angle=45, hjust=1),
plot.title = element_text(size=9, face='bold'),
plot.subtitle = element_text(size=8, face='italic'),
panel.background = element_rect(colour='white', fill='white'),
axis.text.x.bottom = element_text(size=8, face='bold'))+
labs(x='', y='Mil pessoas',
title='Payroll mais fraco do que o esperado',
subtitle='Variação mensal de empregos não agrícolas criados nos Estados Unidos (mil)',
caption='FOnte: FRED Economic Data (quantmod R Package)')

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(*) Aprenda a coletar e tratar dados macroeconômicos com o nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Relatório AM #15 - Crédito

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No Relatório AM dessa semana, vamos comentar sobre o setor de crédito. Como podemos ver nos gráficos abaixo, as concessões de crédito nos últimos anos contam a história recente da economia brasileira através da confiança que os credores têm no estado geral da economia, no caso das concessões livres. Essa medida, que de modo geral está em escala muito maior que o crédito direcionado, sofreu forte impacto com a crise de 2016, porém já estava em plena recuperação no começo de 2020. Com a incerteza causada pela pandemia, há um duro choque nas concessões, porém os dados indicam novamente a recuperação. Por outro lado, o crédito direcionado, que esteve em seu auge até 2015, não se recuperou da crise de 2016, aumentando apenas durante a pandemia, com a concessão de crédito sendo utilizada como um combate à recessão.

Outro efeito da crise de 2016 que pode ser observado é o recuo da participação do crédito privado no crédito total. Isso pode ser considerado indicativo de que, com o estouro da crise, os credores estavam sendo mais cautelosos frente à incerteza da economia, o que é corroborado pela diminuição do estoque de crédito entre seu pico em 2016 e 2019.

Para finalizar, visualizamos abaixo a pesquisa trimestral de condições de crédito. É interessante notar que os movimentos não são perfeitamente sincronizados com a tendência generalizada, com a oferta de crédito habitacional e para grandes empresas sendo desfavorecida logo no começo de 2015, enquanto que o crédito para consumo e para pequenas empresas (MPMEs) demorou a se retrair. Com a pandemia, todos os 4 tipos tiveram redução nas condições de oferta, e, apesar das últimas pesquisas apresentarem melhora, o patamar do final de 2019 não foi recuperado.

Relatório AM #14 - Política fiscal

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No Relatório AM de hoje, vamos comentar a situação da política fiscal nos últimos meses. A análise é feita com os dados disponibilizados pelo STN, porém a última atualização ocorreu em maio desse ano, então há certa defasagem nos valores apresentados. Inicialmente, vamos apresentar os resultados acumulados em 12 meses para maio desse ano, e do ano passado:

Como podemos ver, as receitas do governo parecem ter um crescimento estável, porém as políticas necessárias para o combate da pandemia e manutenção do bem-estar da população aumentaram fortemente as despesas, abrindo o déficit nominal. É interessante notar que essa trajetória negativa vai na contramão da tendência pré-pandemia, que era de melhora do resultado nominal, em face da crise de 2016:

Ademais, podemos ver que a composição dos gastos foi diferente durante a pandemia, correspondendo ao caráter emergencial das medidas tomadas. Com isso, era esperado que o resultado fiscal fosse melhor após o aumento do estoque de pessoas vacinadas.

Há, porém, uma grande dúvida aberta em torno da agenda fiscal que tem sido tocada pelo Congresso. Em particular, temas antigos como o dos precatórios voltaram à pauta, bem como há diversos questionamentos em relação à reforma tributária.

Todos esses questionamentos se refletem no aumento do risco-país nas últimas semanas, como pode ser visto no gráfico abaixo.

Relatório AM #13 - Previsões

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No Relatório AM dessa semana, vamos apresentar de modo conjunto o resultado de nossos modelos preditivos para as próximas observações de algumas variáveis macroeconômicas. Tais previsões são resultado de intensa modelagem estatística, e demonstram a utilidade do R como ferramenta para o dia-a-dia de um economista.

Abaixo, apresentamos as previsões para a PMC:

E também para a PMS:

Finalmente, apresentamos a expectativa para o IPCA. Ela está disponível online, em um de nossos dashboards.

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