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Análise do IBC-Br com o R

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A deflação de setembro e a divulgação da POF 2017-2018, que traz novos pesos para os grupos do IPCA, trouxeram revisões importantes para a inflação nesse e no próximo ano. A expectativa para a inflação medida pelo IPCA em 2019 caiu de 3,42% para 3,28%, enquanto para o ano que vem a revisão foi de 3,78% para 3,73%. Esse último dado deve cair mais, à medida que as instituições avaliem melhor o impacto deflacionário da POF no ano que vem. Em outras palavras, há uma avenida aberta para a redução da Selic.

Hoje, a propósito, o Banco Central divulgou o seu IBC-Br, que busca avaliar o nível de atividade com base em pesquisas de periodicidade mensal. É um espécie de sumário das pesquisas recém divulgadas: PIM-PF, PMS e PMC. A tabela abaixo resume os dados do índice nos últimos três meses.

Variação do IBC-Br (%)
Mensal Trimestral Interanual Anual
Jun/19 0,32 -0,14 -1,47 1,15
Jul/19 -0,07 0,92 1,62 1,13
Ago/19 0,07 0,90 -0,73 0,87

Como se vê, o resultado de agosto mostra por um lado um avanço na margem - contra o mês anterior - e uma retração na comparação interanual - contra o mesmo mês do ano anterior. No acumulado em 12 meses, o índice cresceu 0,87% até agosto, na comparação com os 12 meses anteriores. Abaixo, um resumo da evolução das principais métricas calculadas a partir dos números-índices do IBC-Br.

 

No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, nós temos uma apresentação completa sobre como tratar o índice. Ela está disponível aqui.

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Indicadores: cenário de inflação segue bastante tranquilo

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O Relatório Focus divulgado agora há pouco pelo Banco Central trouxe, pela 9ª semana seguida, queda na expectativa para o IPCA esse ano. Agora, espera-se alta de 3,42% a.a. Para 2020, a expectativa é de 3,78% a.a. Ou seja, a expectativa mediana do mercado é de inflação abaixo da meta esse e no próximo ano, dada a ainda elevada ociosidade da economia. Cálculos do IPEA notam que o PIB efetivo está ainda 3% abaixo do potencial, no segundo trimestre de 2019.

Nesse cenário, parece consensual uma taxa básica de juros abaixo de 5% no final do ano. Como mostra o gráfico acima, a mediana do TOP5 (de curto prazo) coloca a Selic em 4,75%, com uma mínima em 4,5%. Esse valor, na minha visão, parece bastante confortável de ser atingido, dado o cenário condicional para a inflação no próximo ano extraído dos modelos semi-estruturais.

Para a semana, teremos a divulgação do IPCA de setembro na quarta-feira, do Varejo de agosto na quinta e dos Serviços também de agosto na sexta. A conferir se varejo e serviços irão acompanhar os bons ventos trazidos pela produção industrial em agosto.

Uma apresentação em RMarkdown do boletim Focus está disponível aqui.

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Mediana do TOP5 indica Selic a 4,75% no final do ano

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No boletim Focus divulgado hoje pela manhã pelo Banco Central, chama atenção a correção na taxa básica de juros esperada para o final do ano no grupo conhecido como TOP-5, as 5 instituições melhor pontuadas no ranking de curto prazo. Dentro desse grupo, houve correção na mediana do dia 19 para o dia 20 último, de 5% para 4,75% para a selic esperada no fim de 2019. O intervalo das projeções vai de 4,25% a 5%. Os dados, a propósito, podem ser coletados utilizando o pacote rbcb, disponível no github. Abaixo, um exemplo de código:


library(rbcb)

selic_top5 = get_top5s_annual_market_expectations('Meta para taxa over-selic', start_date = '2019-01-04')
selic_esperado_top5 = selic_top5$median[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
selic_esp_min_top5 = selic_top5$min[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
selic_esp_max_top5 = selic_top5$max[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
dates = selic_top5$date[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']

data5 = data.frame(dates=dates, selic=selic_esperado_top5,
min=selic_esp_min_top5, max=selic_esp_max_top5)

Com os dados à disposição, podemos gerar um gráfico como o abaixo usando o pacote ggplot2.

 

Isto é, a mediana do TOP5 Curto Prazo indica que deve haver mais dois cortes até o final do ano: um de 50 pontos-base e outro de 25 pontos-base. O ajuste na selic esperada ocorre após a divulgação do comunicado do Banco Central na quarta-feira, que deixou bastante claro o cenário benigno para a inflação projetada. Nas palavras do Banco:

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05*, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020.

Isto é, temos uma inflação abaixo da meta tanto esse quanto no próximo ano, se a taxa de juros ficar em 5% a.a. Há, portanto, espaço para uma taxa de juros abaixo dessa patamar. Ao rodar modelos similares aqueles adotados pelo Banco Central, temos trajetórias de inflação comportadas mesmo com a Selic projetada de 4,25%, já que o câmbio está com baixo repasse, dada a abertura do hiato e a queda das commodities.

É, portanto, difícil acreditar que o Banco Central encerrará o ciclo em 5% na próxima reunião, com mais 50 pontos-base de corte. Estão dadas as condições para termos juros nominais abaixo de 5% ainda esse ano. Possivelmente, mais um corte adicional de 50 pontos-base, totalizando um orçamento de 200 pontos nesse ciclo de expansão da política monetária. Esse orçamento, diga-se, é condizente com inflação na meta - 4% - em 2020. Em 2019, o mais provável é que o Banco Central entregue uma inflação abaixo da meta de 4,25%.

Depreciação cambial ainda não preocupa

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O boletim Focus divulgado agora há pouco trouxe poucas novidades. O destaque é que, pela quarta semana seguida, a mediana das instituições consultadas corrigiu a expectativa para a taxa de câmbio R$/US$ no final do ano. Agora, espera-se que o câmbio feche próximo a 3,87 R$/US$. A despeito disso, a inflação esperada segue em queda, agora esperada em 3,54% para o ano de 2019. O motivo disso é que o repasse cambial parece estar sendo compensado pela queda dos preços de commodities e, obviamente, pela ociosidade ainda grande da economia.

Para a semana, o destaque é a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio na quarta e da Pesquisa Mensal de Serviços na quinta-feira. Ambas as pesquisas contam com scripts automáticos que são detalhados em nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R. Maiores detalhes sobre o boletim Focus, veja nossa apresentação automática aqui.

Para nossos alunos do plano premium e para todos os assinantes do Clube do Código, a Edição 48 constrói um modelo que busca medir o repasse cambial para a inflação. Em média, a cada 10% de desvalorização, estimamos um repasse de 0,56 p.p. em um trimestre. Como dito acima, entretanto, esse repasse não é automático, uma vez que pode ser compensado pela ociosidade da economia e por outros fatores como preços de commodities.

[Focus] Expectativa para a Selic cai para 5,25%

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A semana é marcada pela divulgação de alguns indicadores importantes na macroeconomia. Amanhã, o Banco Central divulga a ata do COPOM, onde detalha a decisão de reduzir o juro básico em 50 pontos-base na quarta-feira passada. Também amanhã é divulgada a produção de veículos, item que antecipa o resultado da produção industrial. Na quarta-feira, o IBGE divulga as vendas do varejo, na quinta, o IPCA e na sexta, a PMS.

A expectativa em relação à ata do COPOM é que haja algum detalhamento sobre o tamanho desse ciclo de corte. No comunicado pós-decisão, o Comitê se comprometeu com mais um ajuste de 50 pontos, o que levaria a taxa básica para 5,5%. No mercado, entretanto, houve ajuste para a Selic esperada no final do ano para 5,25% a.a. A expectativa para as demais variáveis se manteve constante.

Ao longo da semana aqui na Análise Macro, vou falar um pouco sobre esses indicadores e como podemos usar o R para analisá-los. Para isso, fique atento às nossas redes sociais:

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