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Política Monetária

Ibovespa vs. Juro Real ex-ante

By | Política Monetária

Na sexta-feira, escrevi sobre a queda do juro real ex-ante para abaixo de 2% a.a. Esse comportamento do juro, a propósito, pode estar associado à valorização do índice Bovespa, uma vez que existe uma correlação negativa entre as variáveis. Para ilustrar essa correlação, basta tomarmos o juro real ex-ante, isto é, o Swap DI 360 deflacionado pela expectativa de inflação contra o Ibovespa em um gráfico como o abaixo.

A correlação entre as variáveis é de impressionantes 0,94 negativos. Os dados são diários.

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Juro Real abaixo de 2%

By | Política Monetária

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (COPOM) se reúne para decidir sobre a trajetória da taxa básica de juros, a Selic, em meio a uma guinada no juro real ex-ante. O Swap DI 360 deflacionado pela expectativa de inflação 12 meses à frente está hoje abaixo de 2% a.a, como mostra o gráfico abaixo.

Ao que parece, o cenário convergiu para uma redução na taxa básica de juros, a começar na próxima semana. Dado o comportamento da inflação condicionada, há espaço para corte até, pelo menos, 5,5% a.a.

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Crescimento esperado segue em queda livre

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Amanhã, o Banco Central divulga a ata da última reunião do COPOM. O que se sabe até aqui, porém, é que o crescimento esperado para 2019 segue em queda livre. Na última leitura do boletim Focus, divulgada hoje pela manhã, a mediana das instituições consultadas espera agora crescimento de 0,87%. Além disso, houve redução pela primeira vez na inflação esperada para 2020: antes em 4%, agora caiu para 3,95%. Isto é, levemente abaixo da meta estipulada pelo CMN para o próximo ano. O gráfico abaixo, por suposto, sintetiza a expectativa para as quatro variáveis macroeconômicas mais relevantes da economia.

Vai se consolidando um cenário de baixo crescimento e inflação abaixo da meta, o que levará o Banco Central a puxar a taxa básica de juros para baixo. A depender, obviamente, dos desdobramentos da reforma da previdência.

Uma apresentação RMarkdown automática do boletim Focus está disponível aqui.

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Estrutura a Termo de Taxas de Juros no R

By | Política Monetária

A ANBIMA disponibiliza em seu site a estrutura a termo de taxas de juros (ETTJ) referente à economia brasileira que costuma servir da referência para quem precisa desse tipo de exercício. A partir da última versão do pacote GETTDDATA, a propósito, é possível baixar esses dados e desenhar a curva de juros em poucas linhas de comando. Abaixo, um exemplo extraído do próprio vignette do pacote.


library(GetTDData)
df.yield = get.yield.curve() 

library(ggplot2)
ggplot(df.yield, aes(x=ref.date, y = value) ) +
geom_line(size=1) + geom_point() + facet_grid(~type, scales = 'free') + 
labs(title = paste0('The current Brazilian Yield Curve '),
subtitle = paste0('Date: ', df.yield$current.date[1])) 

 

 

Inadimplência vs. Spread bancário: refutando ideias heterodoxas

By | Política Monetária

Há muitas ideias equivocadas (e mesmo estapafúrdias) sendo ventiladas por aí quando o assunto é juro alto no Brasil. Há os que defendem, por exemplo, que o juro alto é consequência única e exclusiva da ganância de banqueiros. Como se os banqueiros brasileiros fossem mais gananciosos do que seus pares no resto do mundo. Há também aqueles que acham que o spread bancário, a diferença entre a taxa de captação de recursos pelos bancos e aquela taxa cobrada em empréstimos, deve ser reduzido na marra, por meio dos bancos públicos. Como se isso não tivesse sido tentado recentemente, com o fracasso já esperado. Essas e outras ideias são apenas exemplos de como o debate econômico no Brasil é contaminado por falta de entendimento da teoria e também da evidência empírica disponível. Nesse post, fazendo uso da relação entre inadimplência e spread bancário, mostro como economistas sérios orientam a construção de políticas eficazes para redução do juro alto no país - Saiba como fazer análises como essa em nossos Cursos Aplicados de R..

É razoável supor que inadimplência e spread bancário são variáveis que andam juntas ao longo do tempo. Isto é, tanto a inadimplência exerce influência sobre o spread, como o caso contrário. Isso é facilmente demonstrado pelo procedimento de Toda-Yamamoto, operacionalizado no código abaixo.


library(BETS)
library(ggplot2)
library(forecast)
library(gridExtra)
library(vars)
library(aod)

## Dados

inad = BETS.get(21082)
spread = BETS.get(20783)
data = ts.intersect(spread, inad)
df = data.frame(inad=data[,2], spread=data[,1])

### Toda-Yamamoto

### Selecionar Defasagem
def = VARselect(df,lag.max=12,type="both")
def$selection

var10 = VAR(df, p=10, type='both')
serial.test(var10)

### Teste de Wald

var11 = VAR(df, p=11, type='both')

### Wald Test 01: Spread não granger causa inadimplência

wald.test(b=coef(var11$varresult[[1]]), 
 Sigma=vcov(var11$varresult[[1]]), 
 Terms=c(2,4,6,8,10,12,14,16,18,20))

### Wald Test 02: Inadimplência não granger causa spread

wald.test(b=coef(var11$varresult[[2]]), 
 Sigma=vcov(var11$varresult[[2]]), 
 Terms= c(1,3,5,7,9,11,13,15,17,19))

Caso o leitor queira reproduzir o exercício, verá que de fato há uma causalidade bidirecional na relação entre inadimplência e spread bancário. Isso dito, como o policymaker deve atacar o problema? Faz sentido reduzir o spread bancário na marra para que a inadimplência caia? Por exemplo, vamos usar os bancos públicos para forçar uma redução do spread? Ou faz mais sentido atacar o risco de crédito, seja com a redução da assimetria de informação entre credor e o tomador de empréstimo, seja por meio de maior celeridade na recuperação de crédito? De um lado, estão economistas que olham o problema com base em teoria e evidência do que é feito ao redor do mundo. Do outro, estão pessoas que não têm a menor ideia do que estão falando.

 

Atacar o risco de crédito por meio de maior celeridade na recuperação de crédito e/ou na construção de um banco de dados público com informações sobre os tomadores tem efeitos permanentes sobre o mercado, fazendo com que tanto a inadimplência quanto o spread bancário caiam.

Uma outra forma de atacar o problema é simplesmente controlar preços, como fez recentemente o governo Dilma, com as taxas de juros da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Como não ataca o verdadeiro problema, que é o risco de crédito, ele terá apenas efeitos passageiros sobre o spread bancário.

Esse, de fato, é apenas um exemplo de como o debate econômico no Brasil antagoniza ideias prosaicas, de quem não tem a menor ideia do que está falando, com ideias baseadas em teoria e evidência empírica de quem realmente se deu ao trabalho de estudar o problema. Às vezes, cansa... 🙁

 

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