A inteligência artificial generativa (IA Generativa) permite criar soluções que automatizam grande parte dos processos manuais de diversas profissões. Na economia, finanças e análise de dados não é diferente. Desde a coleta de dados, passando pela análise e apresentação, podemos usar IA Generativa para economizar tempo e ganhar produtividade.
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Neste artigo, mostramos como criar um AI Assistant, que é um “funcionário-robô” encarregado de ler e analisar os resultados financeiros de empresas brasileiras. A ideia é automatizar o processo de coleta, tratamento, análise e apresentação de dados que comumente agentes do mercado financeiro fazem com as diferentes empresas do mercado a cada trimestre
Este AI Assistant trabalha dentro de uma dashboard Shiny, para facilitar a experiência e acesso do usuário final. A seguir mostramos o passo a passo do desenvolvimento.
Passo 01: bibliotecas
Iniciamos instalando e definindo as bibliotecas utilizadas no projeto. Além das dependências do projeto em si, instalamos também o python-dotenv, responsável por carregar as variáveis de ambiente a partir de um arquivo .env — uma prática essencial para manter credenciais fora do código-fonte.
As bibliotecas utilizadas são:
requestspara baixar o PDF do site da empresa de interesseshinyeshinywidgetspara desenvolver a dashboardgoogle.genaipara analisar o comunicado com o modelo Geminiplotlypara visualizar os dadosdotenvpara carregar a chave de API com segurança a partir do arquivo.env
Passo 02: modelo LLM
Em seguida, definimos o modelo de IA generativa a ser utilizado para a análise do relatório. Neste caso, utilizamos o Gemini 2.5 Flash, o modelo mais recente e avançado da família Gemini disponível em 2025, que combina alta capacidade de raciocínio com velocidade e eficiência de custo.
A chave de API é carregada de forma segura a partir de um arquivo .env localizado na raiz do projeto, utilizando a função load_dotenv(). Isso evita que a chave fique exposta diretamente no código — especialmente importante ao versionar o projeto com Git. O arquivo .env deve conter a seguinte linha:
GEMINI_API_KEY=sua_chave_aqui
Obs: adicione o
.envao seu.gitignorepara que a chave nunca seja enviada ao repositório.
Com a chave carregada, criamos um cliente centralizado com genai.Client(). Esse cliente é o ponto de entrada para todos os recursos da API no novo SDK google-genai, substituindo o antigo par genai.configure() + genai.GenerativeModel().
Passo 03: interface da dashboard
Avançamos agora para a interface visual da dashboard. Definimos um campo de input para o usuário informar o link do comunicado de resultados que deseja analisar, e os outputs para as análises geradas pelo modelo de IA generativa: dois gauges de índice (sentimento e perspectiva futura) e três cartões de texto (tópicos positivos, negativos e sumário).
Passo 04: coleta de dados e prompt
Por fim, definimos a função reativa prompt_ia(), que é o coração do assistente. Ela é disparada automaticamente sempre que o usuário altera a URL informada no campo de input. O processo ocorre em três etapas:
- Download do PDF: o arquivo de resultados é baixado diretamente do link informado pelo usuário e salvo localmente como
resultados.pdf. - Upload para a API: o PDF é enviado para a API do Google usando
client.files.upload(). Isso permite que o modelo receba o documento como contexto para a análise, de forma nativa — sem necessidade de extrair o texto manualmente. - Geração de conteúdo: o modelo recebe o arquivo e o prompt e retorna uma resposta estruturada em JSON. No novo SDK, a geração é feita diretamente pelo cliente com
client.models.generate_content(), onde todas as configurações — incluindosystem_instruction,temperatureeresponse_mime_type— são passadas juntas viatypes.GenerateContentConfig. Isso substitui a antiga separação entreGenerativeModeleGenerationConfig.
O resultado final é a dashboard exposta na imagem acima. Como próximos passos, o app pode ser publicado (deploy) em algum serviço, como o Shinyapps.io.