Romances

Amores Urbanos: capítulo 3

By 4 de maio de 2011 julho 27th, 2011 No Comments

Uma única vez, isso não posso deixar de relatar, minha excitação futebolística aumentou por apenas um grito feminino. Por apenas um ungido solitário e plenamente identificável. Quando a vizinha do lado direito resolvia torcer por mim, com gritinhos abafados, porém plenamente absorvidos, eu sentia algo diferente. A vontade de jogar mais e melhor permanecia, mas não se tratava agora apenas disso. O que eu queria com tudo aquilo era que ela permanecesse comigo, torcendo por mim.

Morena clara, cabelos lisos e curtos. Olhos azuis esmeralda, cintilantes e vibrantes. O sorriso de Ana, lembro vivamente, fazia uma covinha envergonhada no canto esquerdo da bochecha. Achava aquilo de uma sensualidade ímpar, que parecia tirar o brilho de todas as outras mulheres. Tio Afonso, honorável boêmio e freqüentador do templo do futebol desde que este fora inventado, dizia que quando todas as outras mulheres se apagam perto de apenas uma, só tinha um nome: era amor. Tomava aquele conselho com espanto toda vez que Ana ia me ver jogar. Afinal, nenhum garoto de quatorze anos está suficientemente preparado para amar alguém.

O leitor ansioso não repare as mudanças de tom ou de mulher, mas é que Ana e Fernanda são como duas faces da mesma moeda. Minhas lembranças naquela noite fatídica estavam quase todas concentradas em meus amores urbanos e a minha iniciação sexual pode ser vista como uma opção que tomei por esse caminho. Afinal, se cheguei até ali, foi pelos braços meigos e singelos de Ana, ou pelas peripécias macabras de Fernanda? A resposta parece óbvia, mas nem tudo é tão simples quanto parece.

Nos primeiros dois anos em que Ana morou ao meu lado, não esbanjei um lampejo que fosse de coragem para chamá-la para sair ou mesmo para tentar uma conversa que fosse. Ensaiava algumas vezes coisas bisonhas como “você quer tomar um sorvete comigo?” ou “você gostaria de ir à festa da escola comigo?”, mas todas tinham como testemunha solitária o espelho do meu quarto. Ana me fazia tremer mais e muito antes do que Fernanda. Enquanto esta me deixava desajeitado, aquela fazia eu ter frios estranhos no estômago.

Ana era sem dúvida alguma a mulher mais bonita da rua. Seu jeito de andar e se comportar sugeriam uma superioridade natural frente às outras meninas dali. Talvez por conta dessa áurea que criei em torno dela,  Ana se tornou para mim uma espécie de mulher intocável. Ao lado dela, eu parecia mais um pária hindu; alguém com quem não se pode falar, nem mesmo pisar-lhe a sombra. A única coisa que fazia era, ao ouvir os gritinhos abafados, dar um sorriso comedido em direção à calçada da casa dela, onde ficavam as amigas e a fofoca era para lá de animada.

Meninas de quatorze anos quando se reúnem só tem um tema: os meninos. Já não se brinca mais de boneca nessa idade e tudo o que se tem de prioridade na vida são as descobertas sobre o sexo oposto. Reunidas, lá ficavam assobiando e dando risinhos para nós, meninos. Corríamos mais, nos empolgávamos a cada um desses gritinhos. Minha motivação secreta e até aqui cercada por nuvens carregadas, porém, só se manifestava quando a vizinha do lado direito estava por perto. Todos os outros gritinhos somados não me proporcionavam fôlego idêntico para driblar meia dúzia de brutamontes. E assim que, a princípio sem entender o porquê, meus dribles e arrancadas proporcionariam o primeiro contato que lembro entre Ana e eu. Foi em uma dessas tardes ensolaradas de domingo no Rio de Janeiro que Ana me deu o primeiro “oi”, seguido que foi de um “você joga muito bem!”. Coitado de mim, leitor, não dei bola para a pobre vizinha, acredita? Apenas sorri e agradeci. Por dentro minha vontade era de agarrá-la e beijar aqueles lábios carnudos e saborosos. Por fora meu semblante era apenas do cansaço natural das peladas de rua. Feito o agradecimento comedido, virei as costas e fui para casa, sentindo-me, com toda a razão, o pior de todos os idiotas desse mundo. Essa, porém, seria minha primeira grande lição em relação às mulheres, que conto daqui a algumas páginas.

Deixo Ana por enquanto e caio nos braços de Fernanda. Ao menos foi o que imaginei na noite que antecedeu nosso encontro. O estranho pedido, tomado por iniciativa daquela ninfeta de olhos castanhos cor do pecado. De todas as coisas que me imaginei fazendo, não havia uma se quer que não envolvesse sacanagem. Tinha, o leitor já está ciente, uma queda pura e inocente por Ana, mas tinha absoluta certeza que Fernanda seria minha primeira transa. A moeda, afinal, era a mesma.

Na noite seguinte lá estava eu pontualmente à porta do endereço posto cuidadosamente em meu livro de geografia. Escrito com canetinhas coloridas e perfumado com uma lavanda irritante, mas demonstrando algum tipo peculiar de afeto. Com o coração quase saindo pela boca, fui recebido por uma criança de no máximo sete anos de idade. Vestia um short marrom escuro e usava óculos com armação preta, sem nenhum detalhe de riqueza. Olhou para mim de baixo para cima, em uma inspeção rigorosa que foi desde o All Star preto sujo, passando pelo jeans lavado e a camisa social marrom clarinha que usava para o encontro. De posse de todas as informações que precisava, o garoto não teve dúvidas e gritou pela possível irmã: “Fernanda, é pra você!”. A cena aliviou um pouco meu estresse e serviu como aperitivo para o que viria.

Rapidamente a possível irmã mais velha do garotinho apareceu na porta. Vestia uma calça preta de seda, colada nas polpudas coxas e um top vermelho deliciosamente ajustado ao par magnífico de seios. Os fios de cabelo estavam todos irritados por duas presilhas pretas, uma do lado esquerdo, outra do lado direito. Os lábios foram tingidos por uma base clara, quase do tom da própria pele. A maquiagem era quase imperceptível, mas existia, principalmente nos cílios.

- Oi! – cumprimentei, um pouco sem jeito e com grande dificuldade em controlar a respiração.

- Olá! – retribuiu o gesto com um sorriso de auto-controle no rosto – Você foi pontual hein jogador! – tocou meu ombro e pediu que entrasse, pois aguardava pela mãe para liberá-la do trabalho de babá do garotinho que abrira a porta – Ela só foi ao mercado fazer algumas compras, já deve estar chegando.

- Não tem problema, a gente espera – aceitei o percalço inesperado e sentei no sofá enquanto ela foi à cozinha pegar alguma coisa para a gente beber.

 

O garotinho desfez a curiosidade e voltou-se para o videogame que ocupava quase toda a extensão da mesinha de centro. Um Atari caindo aos pedaços e ao redor fitas e fitas de joguinhos que iam de homem-aranha a pac-man. Coisas que hoje dariam mais sono na garotada do que o mínimo vestígio de excitação juvenil. O moleque, porém, não desgrudava o olho da televisão, enquanto eu tudo o que queria era estar bem longe dali. Tudo o que imaginava era que daqui a algumas horas, me tornaria homem, era líquido e certo.

No instante em que me imaginei retirando o sutiã de Fernanda, a campainha tocou raivosamente. Ela saiu ligeira da cozinha e veio ao encontro da porta. Do outro lado, era a mãe do garotinho. Trocaram alguns burburinhos e o menino de óculos saiu esbaforido gritando “mamãe”, “mamãe” e um por último “trouxe chocolate pra mim?”. A mãe do menino dizia que não, enquanto agradecia Fernanda por tomar conta do moleque. Um maço de algumas notas de cruzeiro trocaram de mão e a porta se fechou rapidamente, com um agradecimento ríspido e um “até logo” envergonhado.

 

- Enfim, sós! – respirou aliviada, provavelmente ansiosa que estava por aquele momento – e então, jogador, você bebe cerveja?

- Para falar a verdade não, – disse, um pouco baixo – o que foi inútil pois rapidamente me entregou um copo barato de uma cerveja da pior espécie.

- E então, você pensou aonde a gente vai? – agachou-se com os dois joelhos no sofá, a dois palmos de mim.

- Pensei em comermos uma pizza no restaurante aqui em baixo, o que acha? – perguntei, dando o primeiro gole no copo.

- Para começar, está bom – riu-se, enquanto dava uma golada única no seu copo de cerveja.

 

A idéia de que minha virgindade viraria pó naquela noite se tornava cada vez mais provável. Conferi, então, o bolso esquerdo, com as camisinhas que me foram dadas pelo tio Afonso na semana anterior ao encontro. Estavam todas lá, ainda bem. O suor tomava-me conta do corpo e num lampejo de coragem líquida, resolvi que já era tempo de tomar algum tipo de iniciativa naquele estranho relacionamento. Novamente então com o coração quase saindo pela boca, sequei o copo fétido e avancei em direção à cozinha. Lá estava ela, de frente para a pia, lavando alguns pratos e cantarolando uma música que não tinha a menor idéia do que fosse. Não dei bola. Segui em sua direção e agarrei sua cintura. Ela soltou um “até que enfim, jogador!”, dando um risinho diabólico. A beijei, tomando seus cachos de cabelo pela mão direita enquanto a esquerda descia em direção à sua bunda; que foi prontamente redirecionada primeiro de volta à sua cintura e posteriormente, quando o beijo já lhe fazia cozer a espinha, em direção aos seus seios. Apalpei-os e em um instinto selvagem que sei lá de onde veio, retirei o top vermelho e avancei em direção ao sutiã. Quando desabotoei o empecilho que faltava, eis que surge um impedimento inesperado: a campainha toca novamente.

Era a mãe de Fernanda. Maldita. Logo agora que o sutiã já estava em minhas mãos e os seios da diabinha estavam à mostra. Por pouco, muito pouco, não foi ali mesmo que já se ia minha inocência juvenil. Quase não me recuperei e já dei de cara com Dona Sofia, que trazia bolsas de compras para a cozinha. Tinha o ar exausto, fruto provavelmente do dia intenso de trabalho e das obrigações que ainda restavam pela noite adentro. Soube depois, muito tempo depois, que a mãe da diaba tinha dois empregos. De dia era faxineira em um salão de beleza de grife, de noite era camareira em um hotel, ambos na zona sul. Naquela em especial teve folga, coisa que Fernanda jurou não lembrar. Pensava que a mãe só voltaria de madrugada, tempo suficiente para que completasse minhas investidas.

Dona Sofia apresentava tamanho cansaço que num vislumbre sorrateiro, Fernanda me apresentou como se a pobre coitada já me conhecesse: “Mãe, o Mário a senhora já conhece lá da escola”, disse. A mulher quase deu de ombros, limitando apenas a um “oi, meu filho”. Deixou as sacolas em cima da mesa, do jeito que trouxe, e correu para o banheiro dizendo que iria tomar um banho e deitar, pois estava “aputefada” pelo dia de trabalho. A filha, pouco disfarçando o top semi-rasgado, pediu benção à mãe e prometeu guardar as compras na dispensa. A mulher recolheu-se, fechando a porta do quarto e lá estávamos novamente sozinhos na cozinha.

 

- Essa foi por pouco – suguei um pouco de ar.

- Cala a boca e me beija! – caiu em cima de mim como um touro sedento por sangue, nem dando tempo para que eu próprio recuperasse um pouco do fôlego perdido.

- Mas e a sua mãe? – perguntei, tentando desviar a minha boca da dela.

- Ela não volta mais! – sentenciou a juíza de minha virgindade quase perdida.

 

Meu coração disparou por completo com o dilema a que estava exposto: traçar aquela ninfeta sob a possibilidade real de ter um encontro nada agradável com os olhares atentos da mãe. Ao contrário de não conseguir fazer nada, fiquei ainda mais excitado com a situação. Uma explosiva protuberância brotou em minha calça, desfazendo qualquer possibilidade de não pegar no tranco aquela altura. A diaba notou e, com um riso venenoso no rosto disse: “entrou em campo, hein jogador!”. Aquilo me excitava profundamente e estava quase a espera do êxtase quando em mais um instinto selvagem a coloquei em cima da pia, tendo o cuidado perverso de acabar de rasgar o top e retirar-lhe a calça. O sutiã já tinha ido na primeira investida e para o transe ficar completo, só restava uma calcinha rosa com rendinhas nas pontas. Era agora. Não tinha mais o que desviar. Com ela de pernas abertas e comigo com a boca nos seios, desci as duas mãos da cintura e fui em direção ao último dos zagueiros restante. Quando lá cheguei ouvi, porém, um “não” sonoro, mesmo que abafado. “Devo estar ouvindo coisas”, pensei com meus botões. Continuei a descer a calcinha, mas ela refugava, com as mãos sobre as minhas. “Minha mãe”, dizia e completava: “Ela pode entrar a qualquer momento!”. E para parar de vez com aquilo, me deu um tapa no rosto. Foi o suficiente para que eu acordasse. Voltasse do transe em que me encontrava e reavivasse os riscos ali embutidos. A menina diaba, ciente que eu voltara a ser eu, declarou:

 

- Calma, você vai me comer, mas não hoje! – e vestiu-se, com uma calma quase psicopata.

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