Tag

bolsa de valores Archives - Análise Macro

Mercado dá voto de confiança a novo governo

By | Comentário de Conjuntura

A julgar pelo comportamento diário da bolsa de valores de SP e pela taxa de câmbio R$/US$, o mercado parece está vivendo uma lua de mel com o novo governo. De forma unânime, o discurso de posse do novo ministro da economia, Paulo Guedes, foi bastante saudado por economistas e analistas de mercado. O tom do discurso foi firme em relação ao principal problema do país - os gastos previdênciários -, além de sinalizar medidas complementares corretas na melhoria do ambiente de negócios e na privatização de empresas estatais.

Para ver isso na prática, podemos usar o R - veja nossos Cursos Aplicados de R - para pegar o IBOVESPA a partir da base de dados yahoo finance com o pacote quantmod. Podemos também utilizar o pacote BETS para pegar a taxa de câmbio diária R$/US$. O código abaixo operacionaliza.


## Pacotes
library(quantmod)
library(ggplot2)
library(forecast)
library(BETS)
library(scales)
library(gridExtra)

## Ibovespa
env = new.env()
getSymbols("^BVSP",src="yahoo", 
env=env,
from=as.Date('2018-12-01'))
ibovespa = env$BVSP[,4]
ibovespa = ibovespa[complete.cases(ibovespa)]

g1 = autoplot(ibovespa)+
geom_line(size=.8, colour='red')+
xlab('')+ylab('Pontos')+
labs(title='Índice Bovespa')

## Câmbio 
cambio = BETS.get(1, from='2018-12-01')
cambiod = xts(cambio$value, order.by = cambio$date)

g2 = autoplot(cambiod)+
geom_line(size=.8, colour='darkblue')+
xlab('')+ylab('R$/US$')+
labs(title='Taxa de Câmbio R$/US$')+
scale_x_date(date_breaks = '7 days',
labels = date_format("%b %d"))

## Gráfico lado a lado
grid.arrange(g1, g2,
top = "Mercado reage positivamente a nova equipe econômica",
bottom = 'Fonte: analisemacro.com.br.',
layout_matrix = matrix(c(1,2), 
ncol=2, byrow=TRUE))

E o gráfico...

Os gráficos mostram IBOV pra cima e câmbio pra baixo, sinalizando que, controlado o cenário externo, há boas perspectivas domésticas se o novo governo conseguir entregar a agenda reformista que prometeu. A conferir!

_______________________________________

Aprenda a coletar, tratar, analisar e apresentar dados reais em nossos Cursos Aplicados de R. Temos turmas com inscrições abertas!

Como interpretar a turbulência nas bolsas internacionais?

By | Resenhas de Conjuntura Econômica

A "segunda-feira negra", dia em que as bolsas de todo o mundo registraram índices negativos, foi uma reação aos últimos acontecimentos na Europa e, notadamente, nos EUA. Este último simbolizado pelo rebaixamento de nota da dívida de longo prazo pela S&P, de AAA para AA+, mas muito mais pela desconfiança dos investidores em relação ao potencial de recuperação da economia americana nos próximos trimestres. Já na Europa o problema é a desconfiança  em relação à capacidade dos governos da Espanha e da Itália de conseguirem rolar suas dívidas nos próximos meses. O spread em relação ao título alemão vem aumentando nas últimas semanas. Para quem não é familiariado com o tema segue uma tentativa de explicação básica sobre o assunto.

Existem ao redor do globo diversos agentes com capital em busca de valorização [daí a expressão 'capital externo']. Esses "proprietários de capital" aplicam o mesmo em diversos mercados: bolsa de valores, mercado de futuros, commodities, renda fixa etc. Tudo tendo com base dois conceitos básicos em finanças: risco e retorno. E, claro, sempre tendo a noção de que quanto maior o retorno, maior o risco do investimento.

Um agente individual, por exemplo, tendo 100 $ pode decidir aplicar esse montante em diversos mercados, dados, basicamente, o seu perfil em relação ao risco e ao retorno. O perfil do investidor com capitais girando ao redor do mundo (de um país para outro, de uma bolsa para outra, de uma bolsa para ouro etc.) é mais agressivo do que aquele que prefere manter seu capital em títulos de renda fixa, por exemplo. O problema é que mesmo esse agente agressivo é avesso ao risco. A aversão a risco é uma medida, portanto, de grau. Como ninguém sabe o que irá acontecer no futuro, todos os investidores são, por definição, avessos ao risco.

Nesse contexto, se aumenta a incerteza em relação aos cenários básicos projetados para o futuro (a economia americana voltar a crescer, a europa fazer o ajuste fiscal etc.), ocorre uma maior aversão ao risco por parte dos investidores. Quando isso ocorre, há uma saída de mercados tidos como mais arriscados [bolsas de valores, por exemplo] para mercados mais seguros [ouro, por exemplo]. Foi justamente isso que aconteceu ontem: diversos agentes assumiram posição de venda nas bolsas ao redor do mundo, migrando para outros mercados, como o de ouro. Daí que se mais pessoas estão vendendo ações do que comprando, a ação desvaloriza, ocorrendo o contrário no "mercado de ouro".

Até ai tudo bem, dirá o leitor mais astuto, mas como ocorre a contaminação? Como vários agentes ao mesmo tempo assumem posição de venda? A teoria econômica explica isso pelo já tradicional "efeito manada". Os agentes buscam sempre não perder e, caso isso seja inevitável, perder o mínimo possível. Daí que se há no horizonte desconfiança, aumento da incerteza, um agente [representativo] começa a emitir vendas de ações, o que é seguido por outros e mais outros, potencializando o efeito negativo. A busca por proteção contra possíveis perdas gera essa fuga da bolsa para outros mercados.

O curioso nesse caso é que, mesmo com o rebaixamento da nota da dívida dos EUA, houve igualmente uma migração para títulos americanos nessa estória toda. Isto porque o mercado [ainda] entende que o título americano é de baixo risco e em momentos de maior aversão,  ele se torna um dos refúgios seguros para o capital externo.

E como fica a economia brasileira nessa estória toda? É assunto para um post amanhã...

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais
e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

Assinar Gratuitamente