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Inflação e hiato do produto geram revisão para a taxa Selic

By | Comentário de Conjuntura

O Banco Central divulgou na última quarta-feira a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Os membros do Comitê de Política Monetária optaram, nesse momento, por manter a taxa Selic inalterada em 6,5% ao ano. No comunicado, o COPOM subiu um pouco o tom em relação à abertura do hiato do produto e ao cenário benigno da inflação esperada para 2019 e 2020. Por outro lado, também ressaltou que os riscos de não aprovação da reforma da previdência permanecem preponderantes nesse momento.

No comunicado divulgado em maio,  no cenário com juros e câmbio extraídos da pesquisa Focus, a inflação esperada para 2019 e 2020 ficava em 4,1% e 3,8%, respectivamente. Agora, a inflação esperada fica em 3,6% e 3,9%, respectivamente. Já no cenário de juros constantes e câmbio a 3,95 R$/US$, a inflação ficava em maio em 4,3% esse ano e em 4% no próximo ano. Agora, com câmbio a 3,80 R$/US$, a inflação fica em 3,6% e 3,7%.

Houve, ademais, uma revisão importante no Focus, com redução na expectativa da taxa básica para o final do ano. Ao invés de 6,5%, espera-se agora 5,75%. O quadro abaixo resume a expectativa dos agentes para as quatro variáveis macroeconômicas mais importantes.

À exceção do câmbio esperado, que pega a média das instituições, as demais variáveis referem-se à mediana. Destaque para a queda monotônica do crescimento esperado para esse ano, que agora está abaixo de 1% - como, aliás, escrevi aqui. A inflação esperada também cedeu na ponta, após o repique verificado em abril. A tabela abaixo, a propósito, resume a inflação observada e os núcleos construídos pela autoridade monetária.

 

IPCA vs. Núcleos de Inflação (%)
Mensal Mai/19 Mensal Mai/18 Anual Mai/19 Anual Mai/18
IPCA 0,13 0,40 4,66 2,85
Médias Aparadas com Suaviz. 0,29 0,22 4,08 3,20
Médias Aparadas sem Suaviz. 0,22 0,18 3,29 2,42
Exclusão 0 -0,05 -0,01 2,99 2,55
Exclusão 1 0,16 0,25 3,94 2,69
Dupla Ponderação 0,18 0,21 3,76 2,94
Exclusão 2 0,18 0,11 2,96 1,92
Exclusão 3 0,22 0,18 2,88 2,25

A despeito do repique no índice cheio, que permanece acima da meta de 4,25%, os núcleos permanecem bem comportados. O gráfico abaixo ilustra.


A tendência, por suposto, é que os choques recentes sobre o índice cheio se dissipem, de modo que a inflação convirja para valores próximos à meta até o final do ano. É o que indica o comportamento dos núcleos de inflação, que buscam justamente limpar o índice cheio de choques de curto prazo.

Por outro lado, as pesquisas de alta frequência têm indicado que abril também não foi um mês bom, de modo que o segundo trimestre também pode ter um resultado abaixo do esperado. É basicamente o que levou o COPOM a subir o tom em relação ao nível de atividade. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da indústria e do comércio ampliado.

A soma de hiato do produto mais negativo do que o esperado a essa altura do ano com inflação subjacente comportada é basicamente o que está levando o mercado a reduzir a expectativa de juros para o final do ano. 

O problema é que o Banco Central tem de levar em consideração o que acontece no Congresso em relação à reforma da previdência. Se o relatório conseguir ser aprovado no plenário antes do recesso de julho, o caminho fica de fato aberto para uma redução já na próxima reunião, mantidos, obviamente, o cenário benigno para a inflação, para o ambiente externo e a fraqueza do nível de atividade.

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(*) Como de praxe, os códigos desse comentário estarão disponíveis no repositório do Clube do Código.

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Comentário de Conjuntura: inflação segue surpreendendo

By | Comentário de Conjuntura

A semana é marcada pela divulgação da inflação medida pelo IPCA em março e pelas vendas no varejo de fevereiro. Hoje pela manhã, a propósito, o IBGE divulgou o IPCA de março, que, novamente, surpreendeu o consenso de mercado. Após várias rodadas de revisão, o consenso estava próximo a 0,13% e a inflação medida pelo IPCA veio 0,09%, a menor taxa para esse mês em 24 anos. A média dos cinco núcleos construídos pelo Banco Central ficou em 0,16%, ante 0,27% em 2017. Na figura ao lado, a propósito, está disponível o Monitor de Inflação, que passa a ter divulgação mensal. Membros do Clube do Código, como de hábito, têm acesso a todos os códigos que geraram o Monitor. 

Comentário de Conjuntura: dados fiscais, desemprego e indústria

By | Comentário de Conjuntura

Na semana passada, o Banco Central e a Secretaria do Tesouro Nacional divulgaram os dados referentes ao resultado primário do governo central, as necessidades de financiamento do setor público e o estoque de endividamento público. Com efeito, aproveitamos para atualizar, no âmbito do Clube do Código, o Monitor Fiscal, que coleta os dados disponibilizados por essas fontes através do R, montando assim uma apresentação automática sobre a situação fiscal do país. Também na semana passada, a propósito, o IBGE divulgou os dados referentes à PNAD Contínua, sobre o trimestre móvel encerrado em fevereiro. A pesquisa também conta com script automático disponível no Clube do Código. Membros do Clube, como de hábito, têm acesso a todos os códigos de R e de LaTeX que foram utilizados para gerar as apresentações. A seguir, destacamos alguns aspectos dos resultados fiscais e do desemprego.

Os dados do desemprego referentes ao trimestre móvel terminado em fevereiro acompanharam a sazonalidade. Tipicamente, o desemprego brasileiro aumenta nos meses de janeiro, fevereiro e março, se reduzindo nos meses seguintes. O gráfico abaixo ilustra.

Com efeito, na passagem de janeiro para fevereiro, a taxa de desemprego passou de 12,2% para 12,6%. A boa notícia, porém, é que na passagem interanual, o desemprego continuou mostrando a tendência de queda que vem configurando sua trajetória nos últimos meses. O gráfico abaixo ilustra.

Maiores detalhes podem ser vistos nos slides da apresentação sobre a PNAD Contínua aqui. Já sobre os dados fiscais, o Monitor Fiscal preparado para os membros do Clube do Código possui 60 slides com informações sobre as contas do governo central, as necessidades de financiamento do setor público consolidado, além de dados sobre o estoque de endividamento. Como destaque, chama atenção a recuperação do resultado primário, após um longo inverno de deterioração. O gráfico abaixo ilustra.

Ao desagregarmos as receitas e despesas do governo central, a propósito, chama atenção o comportamento dos gastos com previdência. No gráfico abaixo, onde deflacionamos os dados, colocando os mesmos a preços de fevereiro de 2018, e acumulamos em 12 meses, é nítido o comportamento explosivo dos gastos com INSS.

O relatório destrincha o resultado primário do governo central, desagregando os dados tanto pelo lado da receita quanto pelo lado da despesa. São criadas métricas de avaliação, tais como comparações deflacionadas, em relação ao PIB, variações interanuais e da média móvel anual, de modo a cobrir toda a análise de dados fiscais. Ademais, também são vistos os dados agregados referentes ao setor público consolidado, no que se refere ao resultado primário, o gasto com juros e o déficit nominal. Chama atenção nesse aspecto o efeito da fatídica reunião de agosto de 2011 que daria início a uma guinada na política monetária brasileira, tendo importantes repercussões sobre a situação fiscal. O gráfico abaixo ilustra. O leitor pode conferir tudo isso e muito mais na apresentação completa do Monitor, disponível aqui. Caso queira ter acesso aos códigos de R da apresentação, basta assinar o Clube do Código.

Por fim, para essa primeira semana de abril, o destaque é a divulgação amanhã, 03/04, da Produção Industrial, pelo IBGE, também referente a fevereiro. A pesquisa também conta com script automático no âmbito do Clube do Código.

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