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convergência da inflação Archives - Análise Macro

A convergência da inflação foi para o R

By | Inflação

A inflação medida pelo IPCA chegou a 4,08% a.a. no acumulado em 12 meses terminados em abril. É o menor patamar desde 2007. Com efeito, parece consolidada a convergência da inflação para a meta. Para ilustrar essa convergência, produzimos o gráfico abaixo, com o auxílio do R, utilizando o pacote rbcb.

library(ggplot2)
library(rbcb)
library(scales)

ipca12m = get_series(13522, start_date='2015-12-01')

ipca12m = as.data.frame(ipca12m)
colnames(ipca12m) = c('date', 'ipca')
ipca12m$date = as.Date(ipca12m$date, format='%d/%m/%Y')

ggplot(ipca12m, aes(x=date, y=ipca))+
 annotate("rect", fill = "gray", alpha = 0.5, 
 xmin = as.Date('2016-08-01'), 
 xmax = as.Date('2017-04-01'),
 ymin = -Inf, ymax = Inf)+
 geom_line(size=.8)+
 geom_hline(aes(yintercept=4.5), colour='red', size=.8)+
 scale_y_discrete(limits=4:11)+
 scale_x_date(breaks = date_breaks("2 months"),
 labels = date_format("%m/%Y"))+
 theme_bw()+xlab('')+ylab('% a.a.')+
 labs(title='Inflação medida pelo IPCA',
 subtitle='acumulada em 12 meses',
 caption='Fonte: analisemacro.com.br com dados do IBGE.')+
 geom_point(size=12, shape=21, colour="#1a476f", fill="white")+
 geom_text(aes(label=ipca), size=3, 
 hjust=0.5, vjust=0.5, colour="darkblue")+
 annotate('text', x=as.Date('2016-04-01'), y=4.8, 
 label='Meta de Inflação: 4,5%',
 colour='red', size=4)

E o resultado...

 

A convergência se dá em um momento de provável queda da inércia e de expectativas ancoradas, principais determinantes da inflação, como mostra a tabela ao lado. Nela, rodamos a Curva de Phillips abaixo:

(1)   \begin{equation*} \pi_{t} = \beta_0 + \beta_1 \pi_{t-1} + \beta_2 E_t \pi_{t+1} + \beta_3 hiato_{t-1} + \varepsilon_t \end{equation*}

Onde \pi_t é a inflação medida pelo IPCA acumulada em 12 meses, E_t \pi_{t+1} é a expectativa para a inflação nos próximos 12 meses e hiato_{t-1} é o hiato do produto. Em outras palavras, a despeito do que se pode querer acreditar, o hiato do produto, a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial, possui pouco impacto sobre a inflação brasileira, sendo a inércia medida pela primeira defasagem e as expectativas preponderantes para explicá-la.

Dependent variable:
inflação
lag(inflação, -1)0.935***
(0.025)
expectativa0.105**
(0.050)
lag(hiato, -1)0.034***
(0.013)
Constant-0.133
(0.171)
Observations119
R20.974
Adjusted R20.973
Residual Std. Error0.280 (df = 115)
F Statistic1,429.549*** (df = 3; 115)
Note:*p<0.1; **p<0.05; ***p<0.01

Copom Watch 01: Banco Central deveria ajustar a meta para inflação.

By | Copom Watch

toalhaDiante de um inimigo mais forte, o melhor é fugir, escreveu Sun Tzu. A frase, óbvia para alguns, demonstrativo de falta de coragem para outros, ilustra bem o que foi a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária. Diante de uma inflação que deve fechar 2015 em torno de 8% (ou mais, se os ajustes de energia elétrica e do câmbio se intensificarem), o Banco Central resolveu suprir do comunicado qualquer esperança de que a mesma voltaria a caminhar em patamares normais esse ano. Curiosamente, entretanto, o Comitê continuou apostando que a inflação convergirá para a meta de 4,5% em 2016. E que tal cenário é hoje mais forte do que era anteriormente. Há algo no horizonte que embase essa tese do Comitê?

Na ata da reunião de janeiro, o Comitê ainda mantinha esperança de que a inflação começasse a convergir ao final de 2015 para a meta. Expressou tal desejo no parágrafo 27, ao dizer que:

"Nesse contexto, o Comitê não descarta a ocorrência de cenário que contempla elevação da inflação no curto prazo, antecipa que a inflação tende a permanecer elevada em 2015, porém, ainda este ano entra em longo período de declínio".

A parte em negrito, entretanto, diante da revisão do aumento de preços administrados (9,3% para 10,7%) e das perturbações no câmbio (rompimento dos 3 R$/US$), ainda que na ata o câmbio considerado seja de 2,85 R$/US$, foi suprida na reunião de março. Em particular, houve forte revisão dos reajustes de energia elétrica considerados entre uma e outra reunião: passou de 27,6% para 38,3%. Nesse cenário, portanto, é natural que o Comitê não veja maiores chances de cumprimento do teto da meta esse ano. Seria o caso de deixar isso mais claro?

Em janeiro de 2003, diante do rompimento do teto da meta em 2002, o presidente do Banco Central teve de emitir carta aberta ao ministro da fazenda com explicações para o ocorrido. Nela, também, ajustou as metas para os anos de 2003 e 2004 com base no seguinte argumento:

"A trajetória de convergência é definida com base nas metas ajustadas para os próximos anos, que consistem na soma de três componentes: i) a meta para a inflação preestabelecida pelo CMN; ii) os impactos inerciais da inflação do ano anterior; e iii) o efeito primário dos choques de preços administrados por contrato e monitorados. O efeito primário corresponde à parte da inflação dos administrados por contrato e monitorados que excede a meta, descontada dos efeitos do câmbio e da inércia inflacionária. A meta ajustada poderá ser alterada, à medida que ocorram novas estimativas para o efeito primário do choque dos preços administrados por contrato e monitorados".

Desde meados de 2013, o Banco Central vem sinalizando em seus documentos o impacto da desvalorização do câmbio sobre os preços. No ano passado, na ata da reunião de junho, adicionou a esse choque o realinhamento dos preços administrados em função da interrupção dos subsídios empreendidos pelo governo ao grupo energia elétrica e combustíveis.

Sabe-se que um aumento de 40% nas tarifas de energia elétrica possui impacto entre 1,3 e 1,4 pontos percentuais sobre a inflação medida pelo IPCA, 8% na gasolina tem impacto próximo a 0,3 ponto percentual e 10% de desvalorização possui impacto de 0,5 ponto percentual. Ademais, estima-se que a inércia têm contribuído de forma mais intensa para a inflação no período 2012-2014.

Não seria, assim, melhor para a ancoragem das expectativas definir, de forma mais precisa e transparente, uma trajetória ajustada para a inflação ao longo de 2015-17?

Na minha leitura, a posição otimista do Banco Central com a convergência em 2016 se justifica pelo que expressou nos parágrafos 26 e 27 da ata de dezembro em relação à política fiscal. Naquele momento, disse que "não se pode descartar migração para a zona de contenção fiscal", além de atribuir elevada probabilidade à contenção nos subsídios de bancos públicos. Em outras palavras, a moderação na política fiscal e parafiscal potencializariam o já negativo hiato do produto, fazendo com que a convergência se desse ano que vem.

A instabilidade política ora em curso, notadamente a cisão na base aliada no Congresso, deixa dúvidas de que o ajuste fiscal prometido por Joaquim Levy seja possível de ser entregue em sua totalidade - ao menos R$ 20 bilhões dependem daquela casa. Ademais, mesmo com o hiato negativo, as expectativas para os próximos 12 meses continuam acima do teto da meta. Para 2016, elas têm oscilado próximas a 5,5%.

Em assim sendo, ainda que o hiato negativo contribua para o processo de desinflação, a inércia, as expectativas, os ajustes de preços administrados, a dinâmica do câmbio e as dificuldades políticas do ajuste fiscal sinalizam que o ajuste na meta seja um caminho mais prudente nesse momento. Para um Banco Central sem credibilidade, por que esperar?

Vejamos o que mais ele tem a nos dizer no Relatório de Inflação a ser divulgado no final desse mês.

Udpate: está implícito no argumento que o presidente do Banco Central terá de justificar a perda do teto da meta em 2015, com carta aberta ao ministro da fazenda. Além disso, ajustar a meta não implica em parar de aumentar juros. Essa última parte tem de ficar claro.

Convergência adiada

By | Política Monetária

Ontem escrevi o post abaixo sobre o processo de condução da política monetária diante das novas informações da conjuntura. No mesmo dia o presidente do Banco Central foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado dizer, entre outras coisas, que a convergência para o centro da meta está, uma vez mais, adiada. Desse modo, leitor, fica a dica: o regime de metas de inflação brasileiro mudou de estrito para flexível. Já escrevi, inclusive, um artigo sobre o assunto, que devo publicar nos próximos dias. Isso implica que o Banco Central aceita mais inflação em troca de mais crescimento. Essa troca é um bom negócio?

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