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Um rolezinho por 2014

By | Crônicas Econômicas

RolezinhoO verão mais quente dos últimos 30 anos. Temperaturas médias acima de 40 graus. Sensação térmica acima dos 50. O caldeirão que se tornou o Rio nesse início de 2014 dá uma ideia de como será o ano: intenso. Em todos os sentidos, vale dizer. Na política eleições presidenciais, na sociedade os rolezinhos e manifestações causados por uma Copa absurda, na economia os transtornos causados pela irresponsabilidade fiscal de um lado, do outro o processo de "volta ao normal" da política monetária norte-americana. O ano promete ser mesmo quente, se o leitor permitir o trocadilho.

A pacata sociedade brasileira, conservadora de valores e princípios estacionários, parece inclinada a fazer barulho. As manifestações prometidas para junho já começaram. No conforto dos shoppings, tudo bem, afinal dar um rolezinho com ar condicionado central é sempre algo mais prazeroso. Nesse calor, então, leitor, por que ir para as ruas, não é mesmo? Mas vale dizer: é bom colocar algum motivo. Bote aí: contra a opressão dos shoppings centers! Afinal, shopping é lugar de rico, de quem tem posses: pobre não pode ir lá comprar roupas na Renner ou na C&A, não é mesmo?

A Copa, então, parece ter começado mais cedo. Estádios de primeiro mundo, infraestrutura perfeita. Aeroportos funcionando, metrôs em todos eles. Veículos Leves sobre Trilhos em todas as 12 cidades-sedes. Linhas e linhas de ônibus rápidos, com vias expressas bem sinalizadas. Os turistas não têm o que reclamar, não é mesmo? Talvez tenham, afinal terão que pagar por tudo isso: ou você achou que seria de graça?

 "A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta quarta-feira (3) que o trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro ficará pronto para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que acontecerá no Brasil, pelo menos no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ela reafirmou que o governo não pretende gastar recursos em estádios e que o foco dos investimentos públicos será em mobilidade urbana nas cidades escolhidas para sediar o evento"

Os preços também têm sido motivo de protesto. Há o movimento surrealista carioca, de olho em todos os estabelecimentos que praticam "preços surreais". Uma espécie de "fiscais do Sarney" da internet, prontos para detonar qualquer empresário que cobre mais pelo filé ou pelas fritas. Porcos capitalistas, afinal, gostam de encher os bolsos às custas do salário dos outros!

Um rolezinho pela política e o circo está formado. O PT, 11 anos depois, parece sentir o peso de governar. As críticas, vindas da esquerda e da direita, se somam, se agregam, elevando o tom das pesquisas eleitorais: 70% querem mudança. O PT acha que as pessoas querem mudança porque o Brasil mudou. Mudanças exigem mais mudanças. A lógica petista é mesmo cheia dessas circularidades irremediáveis. Talvez faça sentido para quem consegue entender o que diz a presidenta e seus assessores. Mas é de difícil compreensão para os meros mortais, como eu e você, leitor amigo.

Na economia as possibilidades são muitas. A contabilidade criativa do Sr. Arno Augustin, secretário do tesouro, tem nos causado dor de cabeça: e a mágica de jogar para debaixo do tapete nossos erros, fazendo aumentar a dívida bruta enquanto a líquida cai, infelizmente, foi descoberta pelo mercado. E nem precisou de nenhum mister M: o truque era tão tosco que precisou apenas olhar mais de perto. Na inflação, idem: basta olhar o "controle" via preços administrados e ver que não há estabilidade de preços alguma. Essa foi descoberta apenas pelos economistas: afinal a sociedade brasileira não é igual à alemã. Por aqui toleramos, ainda, o truque de um pouquinho mais de inflação em troca de... Ops: a parte do crescimento sumiu. Mágica, também?

Não, incompetência mesmo. A agenda de reformas estruturais, que poderia elevar a produtividade da nossa economia, foi abandonada. Ah, mas agora o PT descobriu que privatizar é bom: e a presidenta poderá usar isso na campanha. Ops: mas não era ruim nos últimos trinta anos? Sim: mas quando o PT faz é bom. Quando os outros fazem é ruim! Entendeu, leitor? Quando o PT faz, ele fala que o modelo é de partilha: a Petrobras tem que entrar em todos os leilões. Quando o Estado está presente, bom. Sem Estado, ruim. Petrobras em tudo, mas sem poder equiparar o preço da gasolina aos preços internacionais do petróleo - porque tem que "controlar" a inflação, sacou? Mais investimento de um lado, menos receita de outro. Ops: o mercado também percebeu e reduziu o preço da estatal, negociado todos os dias em bolsa de valores. Esse mercado!

O verão escaldante, com temperaturas desagradáveis, promete perdurar por todo o ano. 2014 será intenso, leitor. Na política, na economia e nas ruas. Preparem o protetor auricular para a verborragia que vem por aí. É provável que você vá precisar!

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