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ntn-f Archives - Análise Macro

NTN-F 2031 vs. Treasury US 10 anos: spread entre taxas de juros aumenta

By | Comentário de Conjuntura

Tem chamado atenção do mercado o aumento da diferença entre as taxas de juros da NTN-F de 10 anos, com vencimento em 2031 e o Treasury de 10 anos dos Estados Unidos. O aumento do spread entre as taxas têm sido associado ao risco fiscal, expresso na discussão do Orçamento no Congresso. Nesse Comentário de Conjuntura, mostramos como se coleta e se visualiza as taxas diretamente do Tesouro Direto e do FRED St. Louis com o R.

Membros do Clube AM, por suposto, têm acesso a todos os códigos desse exercício.

O início do script que coleta os dados é colocado abaixo. Os dados da NTN-F 10 anos são coletados a partir do pacote GetTDData, enquanto os dados do Treasury de 10 anos são coletados a partir do pacote quantmod. Também coletamos os dados das expectativas fiscais contidas no boletim Focus através do pacote rbcb.

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########## NTN-F 10 anos vs. Treasury 10 anos ###########

library(GetTDData)
library(quantmod)
library(timetk)
library(tidyverse)
library(scales)
library(ggcorrplot)
library(vars)
library(aod)
library(rbcb)

### NTN-F 10 anos
download.TD.data("NTN-F")
ntnf31 = read.TD.files(dl.folder = 'TD Files',
maturity = '010131')

### Treasury 10 anos
getSymbols('DGS10', src='FRED')
treasury10 = tk_tbl(`DGS10`, preserve_index = TRUE, rename_index = 'date')

### Expectativas fiscais
fiscal = get_annual_market_expectations('Fiscal',
start_date = '2020-01-01')

fiscal$indic_detail = ifelse(fiscal$indic_detail == "Resultado Primário",
'Resultado Primário', fiscal$indic_detail)

fiscal = fiscal %>%
filter(reference_year == '2021' &
base == 0 & indic_detail %in% c('Resultado Primário', 'Resultado Nominal')) %>%
dplyr::select(date, indic_detail, mean) %>%
spread(indic_detail, mean)

### Data
data = ntnf31 %>%
dplyr::select(ref.date, yield.bid) %>%
rename(date = ref.date, ntnf31 = yield.bid) %>%
mutate(ntnf31 = ntnf31*100) %>%
inner_join(treasury10, by='date') %>%
rename(treasury10 = DGS10) %>%
inner_join(fiscal, by='date') %>%
as_tibble() %>%
drop_na()

Com os dados disponíveis, podemos visualizar a seguir o comportamento das taxas de juros associadas aos títulos do BR e do US, a partir do início do ano.

De fato, existe uma correlação positiva forte entre as séries ao longo desse ano, de 0,91. Essa correlação, entretanto, não implica em causalidade. O teste de Wald, seguindo o procedimento de Toda-Yamamoto, não indica causalidade em nenhuma direção, considerando o nível de significância de 5% para a amostra restrita a 2021. Para uma amostra maior, que contém dados desde fevereiro de 2020, o teste sugere que há causalidade em ambas as direções.

Como se pode observar pelos gráficos acima, tem ocorrido um aumento da taxa de juros associada ao Treasury de 10 anos desde julho do ano passado. A seguir, colocamos o spread entre as taxas de juros de ambos os títulos.

A área hachurada traz o aumento do spread entre as taxas a partir do início de 2021. Abaixo, por suposto, colocamos as expectativas coletadas pelo boletim Focus para as variáveis de fluxo do resultado fiscal esse ano.

Como se vê, existe uma percepção de recrudescimento do resultado primário e do nominal ao longo de 2021. De fato, encontramos evidências de que existe uma precedência temporal entre o resultado nominal e o spread de taxas de juros BR/US.

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Membros do Clube AM, por suposto, têm acesso a todos os códigos desse exercício.

 

Especial Renda Fixa: Precificando o NTN-F

By | mercado financeiro

Brasil já foi rebaixado pelo mercado

By | Política Fiscal

Em uma economia de mercado as coisas são mais simples do que o falatório oficial. O ministro da Fazenda pode gritar, o secretário do Tesouro pode iludir e o presidente do Banco Central pode se omitir. A falta de uma política econômica transparente, guiada por regras, que faça a coisa certa a cada período do tempo, atingindo os objetivos previamente estabelecidos, gera desconfiança e apreensão. E isso, leitor, tem um preço. A discussão sobre se o Brasil será ou não rebaixado pelas agências de classificação de risco, hoje, é questão passada. De fato, o Brasil já foi rebaixado pelo mercado. Basta olhar o leilão feito hoje pelo Tesouro Nacional de NTN-F, com vencimento em 01/01/2025 e oferta de 2 milhões de títulos - a tentativa do país de alongar a dívida. Os juros ficaram em 13,39%, como pode ser visto aqui, a maior taxa em estreia de papéis desse tipo, ofertados pelo Tesouro. E isso, Mantega, não se resolve com retóricas furadas, mas sim com ações concretas: como anunciar um superávit primário condizente com a queda da Dívida Bruta já nesse ano.

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