O nome é pomposo. Provavelmente mais pomposo do que precise ser. Mais olhando para trás, eu provavelmente sempre me preparei para ser isso, um cientista de dados. Quando eu tinha 11, 12 anos, ter acesso a um jornal era algo difícil. Para não dizer raro. Lembro das manhãs de domingo em que meu irmão mais velho ia visitar a família e trazia um jornal, desses de papel mesmo, para casa. Era um momento particularmente bom para mim. Não nasci em uma família rica, portanto, não tinha acesso a livros. Internet nos anos 90 era algo bastante precário e eu não tinha acesso. Logo, informação vinha através de três fontes: livros, jornal e televisão. E eu gostava de ler...
Fui um garoto de 11 anos absolutamente normal. Estudava pela manhã e brincava na rua à tarde. Quase todos os dias, as tardes se estendiam até às 22h. Quando minha mãe vinha me buscar, prometendo todos os dias que iria me dar uma surra. Sim, minha mãe era ruim de promessas, melhor para mim. Mas o que tem a ver com gostar de ler?
Uma vez no colégio, dividia meu tempo entre a quadra do colégio e a biblioteca. Eu adorava jogar bola, mas também gostava de ler. Eu adorava ler gibis e também romances. Desde os mais simples, como os livros do Pedro Bandeira até chegar ao que hoje é uma das minhas grandes paixões, os livros de Machado de Assis. Eu sempre gostei de ler...
E nas manhãs de domingo, curiosamente, duas coisas me atraiam no jornal do domingo. O primeiro, sem pestanejar, era o caderno de economia. Eu gostava dos gráficos que ilustravam as matérias e ficava me perguntando como o autor construiu aquilo. Olhava a fonte dos gráficos e tinha vontade de reproduzi-los. Eu não me importava muito com a opinião do jornalista ou do colunista, eu queria na verdade ter acesso aos dados que geravam aqueles gráficos...
Mas eu tinha 11, 12 anos. Não tinha computador. O máximo que eu tinha à época era uma máquina de escrever que eu ganhei do meu irmão, meio de olho grande por tê-la cobiçado na sua casa em umas férias em Macaé. A máquina de escrever não produz gráficos, então eu tinha que me contentar em escrever...
Durante muito tempo eu me convenci que seria escritor. Aquela máquina de escrever e depois, algum tempo depois, um computador desktop, também doado pelo meu irmão, me colocaram na rota de ser escritor. As notas altas em redação contribuíram para a minha ilusão. Professores mal preparados costumam iludir alunos com falsos dons.
Ao longo da minha adolescência e início da vida adulta, um hábito não mudou: ler jornal aos domingos. E dentro desse hábito, uma vontade persistiu: querer construir os gráficos que os jornalistas plotavam nas páginas do caderno de economia. Ter acesso aos dados. Como posso ter acesso ao diabo desses dados?
Isso me levaria ao Instituto de Economia da UFRJ. Sim, decidi fazer economia. E coloquei na minha cabeça que eu iria fazer economia em uma faculdade estatal. Em uma época que existia um certo fascínio em fazer faculdade estatal. Não existia o ENEM como existe hoje. Existiam vestibulares para cada uma das faculdades e eram muito concorridos. O da UFRJ era o mais difícil porque era dissertativo de ponta a ponta, não existiam provas de múltipla escolha.
Eu entrei para economia na UFRJ. Trabalhando. Fiz escola técnica no ensino médio, digo 2º grau, na minha época chamava assim.