Introdução
O Índice de Condições Financeiras (ICF) é uma métrica fundamental para mensurar o "pulso" do mercado e antecipar os movimentos do ciclo econômico. Ao sintetizar o comportamento de diversas variáveis — como juros, câmbio e risco — em um único número, ele oferece uma leitura clara sobre se o ambiente financeiro está agindo como um freio (restritivo) ou um acelerador (estimulativo) para a atividade econômica.
Neste artigo, avançamos na análise do ICF, não apenas calculando o índice cheio, mas decompondo-o em sete grupos de ativos financeiros. Todo o processo, da coleta de dados à visualização, foi automatizado utilizando a linguagem Python.
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Metodologia e Replicação
Em um exercício anterior (que você pode acessar clicando aqui), desenvolvemos o código para a construção do ICF. Nossa abordagem baseia-se na metodologia oficial do Banco Central do Brasil (BCB), utilizando a Análise de Componentes Principais (PCA) para extrair tendências comuns entre os ativos.
No entanto, realizamos ajustes estratégicos para garantir a reprodutibilidade e a automação: substituímos variáveis que dependem de fontes pagas por proxies de dados públicos. Isso permite que o Python capture, trate e modele os dados automaticamente, mantendo a essência econômica do indicador original.
O resultado dessa replicação pode ser validado visualmente. O gráfico comparativo abaixo demonstra uma aderência robusta entre o nosso índice calculado (linha azul) e o índice oficial do BCB (linha vermelha), confirmando que as adaptações metodológicas preservaram a dinâmica histórica das condições financeiras no Brasil.
No gráfico abaixo, observamos a dinâmica mais recente do ICF replicado, indicando uma melhora nas condições financeiras no Brasil.
A questão central passa a ser: quais fatores explicam a elevação ao longo de 2025 e a posterior reversão em 2026?
Para responder a isso, é necessário decompor o ICF em seus principais componentes, identificando a contribuição de cada variável para os movimentos recentes do indicador.
Essa decomposição permite separar, por exemplo, o efeito do câmbio, dos juros, dos spreads de crédito e do mercado acionário, tornando possível entender se a melhora decorreu de fatores como Juros Externos, Juros doméstico, etc.
O que os dados nos dizem sobre 2026?
A grande vantagem da construção via PCA é a possibilidade de decompor o índice e identificar a contribuição exata de cada grupo de ativos. Ao analisarmos o gráfico de decomposição (Gráfico 1), observamos a evolução dos fatores que pressionam a economia:
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Ciclo Recente (2024-2025): O gráfico evidencia que este período foi marcado por condições financeiras restritivas. O fator preponderante foi o grupo "Juros Brasil" (barras azul-escuras), refletindo o ciclo de aperto monetário e a abertura da curva de juros futura, somado à pressão do grupo "Juros Exterior" (barras vermelhas) e Moedas (na passagem de 2024 para 2025).
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Virada de Tendência (Início de 2026): Os dados mais recentes indicam uma inflexão importante. O índice agregado se aproximou da linha neutra e se aproxima do terreno estimulativo (valores negativos).
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Vetores da Melhora: A decomposição revela que essa melhora é impulsionada por três frentes:
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Juros Locais: Houve uma diminuição significativa na contribuição restritiva dos juros domésticos, sugerindo uma precificação de mercado mais benigna quanto à política monetária (possíveis cortes na Selic ou fechamento da curva longa).
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Mercado de Capitais: O grupo (barras em azul-petróleo) passou a contribuir negativamente para o índice, o que, na metodologia do ICF, sinaliza valorização dos ativos de risco (alta da bolsa), gerando efeito riqueza e facilitando o financiamento das empresas.
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Câmbio: O grupo "Moedas" (barras verdes) reduziu sua pressão, indicando uma estabilização ou valorização cambial que alivia os custos financeiros.
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Referências
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Boxe 5: Índice de Condições Financeiras. In: Relatório de Inflação: dezembro 2022. Brasília: BCB, 2022. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/ri/relatorioinflacao/202212/ri202212b5p.pdf.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Indicador de Condições Financeiras. Estudo Especial nº 76. Brasília: BCB, [s.d.]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/conteudo/relatorioinflacao/EstudosEspeciais/EE076_Indicador_de_condicoes_financeiras.pdf.

