A esperança para 2014

O ano de 2013 foi trabalhoso, leitor, como já me referi em outras oportunidades nesse espaço. Seja no Brasil, seja no cenário externo, os macroeconomistas tiveram de dar explicações sobre as inúmeras medidas anticíclicas que foram implementadas. Em particular, 9 em cada 10 de nós tiveram de listar as razões pelas quais a política econômica do governo Dilma Rousseff é anacrônica, mas parecendo com o "emplasto Brás Cubas" para a cura de todos os males que acossam nossa economia. Sobre isso, a propósito, penso que Mantega, Arno e Tombini devem ser mesmo pacientes de Simão Bacamarte na Casa Verde, em Itaguaí: isso explicaria as loucuras presentes na "nova matriz macroeconômica"! Para 2014, ano de Copa e eleições em nosso país, o trabalho se mostra redobrado. Em particular, estou curioso para ver se o "debate dos economistas" aparecerá na campanha ou se a "economia do povo" dará mesmo a reeleição para Dilma.

Ao menos uma das questões que poderia gerar trovoadas ano que vem, a redução dos estímulos do Banco Central norte-americano, não se mostra mais tão comprometedora. O FED resolveu optar pelo gradualismo, o que para o Brasil soa como música: reduzindo a incerteza sobre a condução da política monetária daquele país, se materializa uma trajetória mais calma para o câmbio, aumentando os graus de liberdade do nosso Banco Central. Mesmo assim, a incredulidade sobre a economia doméstica se mantém, dados nossas próprias restrições.

O crescimento econômico é, nesse contexto, o principal problema da macroeconomia brasileira. O baixo desemprego, o que para muitos de nós pode ser considerado de "pleno emprego", limitou - ou, no limite, encerrou - a possibilidade de crescer sem pressionar inflação e déficit em conta corrente. Implica dizer que ou bem aumentamos a taxa de investimento em relação ao PIB - o que implica em construir condições para elevar a poupança no país para sustentar esse aumento do investimento por vários períodos - ou bem elevamos a produtividade. A agenda para isso perpassa reformas estruturais, como a reforma tributária, do judiciário, melhoria do marco regulatório para a infraestrutura, legislação trabalhista, melhorias no ambiente de negócios etc.

Essa agenda, que pode aumentar a taxa de crescimento da nossa economia, é o que nós chamamos de "debate dos economistas". É ela que gostaríamos de ver nas eleições do ano que vem. A bem da verdade, nos dois últimos pleitos travados no país, a discussão foi ridiculamente pobre, baseada em discussões esvaziadas como privatizar ou não. Hoje, com o PT tendo levado a cabo um programa de concessões à iniciativa privada, talvez seja o momento de discutirmos não se faz sentido ou não privatizar, mas como melhor privatizar. Para isso, poderíamos discutir, por exemplo, qual deve ser o modelo de leilões, a formação da taxa de retorno desses investimentos, o fortalecimentos das agências reguladoras, a construção de um marco definitivo para dar previsibilidade a grandes inversões de capital, o papel do BNDES nesses investimentos etc. A pobreza do debate político nos últimos 10 anos sobre privatização reflete o esvaziamento dessa agenda reformista, possibilitada por um crescimento de curto prazo.

2014 é, portanto, uma boa oportunidade de conseguirmos por o "debate dos economistas" na pauta do debate político. Se conseguirmos isso, talvez em 2015 possamos, enfim, iniciar a execução no Parlamento dessa agenda, destravando as restrições que limitam nosso potencial de crescimento. É a esperança que tenho, a mais forte, para o próximo ano. A aguardar.

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