Apenas triste...

Amanhã, leitor, a Câmara dos Deputados deve votar a admissibilidade do processo de impeachment da presidente da República. Para quem trabalha com dados macroeconômicos é difícil ser contra o processo. Todos que trabalham com isso sabem que as finanças públicas do país estão arruinadas. Houve fraude contábil (pedalada é meio que eufemismo para descrever o que aconteceu nessa área) e contra isso não há muito mais o que argumentar. Os dados, afinal, falam por si - se você gosta de R, pode dar uma olhada nesse post aqui. Ocorre, entretanto, que ninguém que defende o impeachment da presidente está feliz com isso. Muito pelo contrário. Estamos todos muito tristes pela atual situação econômica e política do nosso país. O pior: sabemos que o impeachment não é panacéia. Sendo aprovado, não resolverá nossos problemas.

Eu fico particularmente triste, leitor, com a ideia fixa de alguns professores e estudantes (de graduação e pós-graduação) de economia, que insistem em testar teorias já comprovadamente equivocadas. Se você frequenta ou frequentou alguma faculdade de economia sabe do que estou falando. Infelizmente, não é mesmo? Sabemos todos que elas estão loteadas por defensores de ideias como a inflação não se controla com política monetária ou o câmbio deve ser depreciado para favorecer a indústria. Ou, a favorita de 9 em cada 10 heterodoxos: os governos devem aumentar o gasto público para gerar demanda e, portanto, aumentar ex-post a oferta.

Essas ideias, leitor, infelizmente, não se vão com o impeachment. O fracasso da Nova Matriz não foi capaz de mostrar para esses professores e estudantes o quão erradas essas ideias são. A evidência empírica não é suficiente para mostrar para essas pessoas que Keynes e Marx estão errados. Logo, leitor, esses professores e estudantes continuam por aí acreditando em ideias equivocadas, bobagens repetidamente rejeitadas pela evidência empírica.

Dilma Rousseff pode ser impedida de continuar seu governo. Mas nada, absolutamente nada, garante que o Brasil voltará ao rumo certo. Aprovar reformas estruturais e voltar a praticar uma política macroeconômica responsável não são consenso no país. Há professores e estudantes de economia que não consideram isso prioridade. Acham que o gasto público deve aumentar para gerar demanda. Acham que os juros devem ser reduzidos na marra. Creem que o câmbio deve ser desvalorizado. Acham que inflação de 10% ao ano é coisa pouca, bobagem, preocupação de economista ortodoxo, neoliberal, que não pensa nos pobres.

Infelizmente, leitor, esses professores e estudantes, que pensam assim, não são minoria no país. Nossas faculdades de economia estão loteadas por eles. E por suas ideias sobre como guiar a economia do país. Essas pessoas acham que o livre mercado não traz prosperidade. Acham que a abertura da economia só favorece as multinacionais estrangeiras. E o imperialismo norte-americano. Lembra como eles foram contra a ALCA e sempre apoiaram o MERCOSUL?

Pois é, leitor. Dilma Rousseff pode sair daqui a um mês. Mas, quer saber, nosso país não irá melhorar com isso. Simplesmente porque nós estamos perdendo tempo precioso dando ouvidos às bobagens que alguns professores e estudantes de economia vivem propagando por aí. Desde 2011 esse blog tem refutado essas ideias. Você, leitor, sabe disso. Mas isso não convence essas pessoas. Eles não são sensíveis à evidência empírica. E em 2018 ou em outro momento, eles podem retomar o poder e aplicar uma Nova Nova Matriz.

impeachment, leitor, não me traz alegria alguma. Apenas mostra o quanto nós perdemos tempo acreditando e fazendo bobagens no campo econômico. A Nova Matriz está aí para quem quiser ver...

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