Sobre economistas que não sabem econometria e outras ilicitudes

[et_pb_section admin_label="section"][et_pb_row admin_label="row"][et_pb_column type="4_4"][et_pb_text admin_label="Texto" background_layout="light" text_orientation="justified" text_font="Verdana||||" text_font_size="18" use_border_color="off" border_color="#ffffff" border_style="solid"]

A graduação em economia no Brasil é uma espécie de cemitério de ideias mortas, onde teorias já abandonadas na maior parte do mundo encontram refúgio, recebem aconchego e florescem. A causa disso, sabe o leitor amigo, tenho tratado ao longo dos últimos anos nesse espaço. Ainda que a realidade esteja lentamente sendo modificada, com cada vez mais informação disponível para os jovens estudantes de economia, há ainda uma séria disposição de alguns em aceitar o que lhes dizem os seus professores. O que, por suposto, podemos fazer para modificar essa triste realidade?

Frequentemente, leitor, recebo mensagens e comentários que contam a surrada estória do multiplicador keynesiano, donde o gasto do governo é apontado para resolver a crise que vivemos. Peço, então, alguma demonstração sobre como esse gasto viraria, magicamente, crescimento. Em nenhum momento, entretanto, minhas preces são atendidas. Nenhum exercício empírico é mostrado, nenhum artigo é citado. Nada, apenas estórias, narrativas sobre o poder mágico da multiplicação dos pães e do vinho...

O aluno ouviu o professor dizer que o multiplicador funciona. Ele, então, leu o livro-texto e, como faz sentido, resolveu se agarrar ao argumento. A narrativa se constituiu, então, em verdade auto-evidente.

Testes empíricos, por outro lado, dão enorme trabalho. É preciso ter tido alguns cursos de cálculo, estatística e econometria. Mas não apenas teoria, é preciso ter aprendido a lidar com algum pacote estatístico ou mesmo uma linguagem de programação voltada para data analysis. Só assim, será possível testar alguma teoria que se ouviu falar por aí. É preciso ter um pouco de São Tomé, só acreditar nas teorias que podem ser falseadas por testes empíricos minimamente controlados.

Certamente, aqui, já é possível dizer que o problema não é do aluno. Há uma relação de confiança entre ele e o seu professor, geralmente um cara com boas credenciais acadêmicas, doutor e pós-doutor na arte que lhe ensina. Por que o aluno deveria desconfiar?

Desconfie de tudo, disse em uma aula, Mário Possas, o engenheiro que virou professor de economia. Provavelmente uma das mentes mais brilhantes com quem pude ter aulas. Inclusive de mim, completou... Engenheiros têm, por dever de ofício, obrigação de desconfiar e confrontar a teoria exposta com a prática. Afinal, se não o fizer, a ponte pode cair ou o sistema não funcionar... São coisas muito práticas.

Mas também não são práticas as coisas que estudam os economistas? O gasto que não vira crescimento pode perfeitamente ser testado empiricamente, assim como a expansão monetária que vira inflação. Por que raciocínios perfeitamente falseáveis pela evidência empírica precisam ficar confinados às narrativas de nossos professores?

É preciso desafiar as ilicitudes de nossos mestres, leitor. Economia, afinal, não é questão de opinião. Toda vez, portanto, que o seu professor lhe disser que Y causa X, peça que ele mostre. Peça provas, artigos, papers ou mesmo algum exercício no R, que tal? Só assim para acabarmos com a fanfarronice de pessoas que acham que econometria é coisa de neoliberal. Em pleno 2017, por favor, né? 🙂

____________________________

Update: interessados na discussão metodológica implícita aqui, ver Friedman (1953), disponível, por exemplo, aqui

[/et_pb_text][/et_pb_column][/et_pb_row][et_pb_row admin_label="Linha"][et_pb_column type="1_2"][et_pb_image admin_label="Imagem" src="https://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2017/06/econometria02.png" show_in_lightbox="off" url="https://analisemacro.com.br/cursos-de-r/cursos-de-econometria/" url_new_window="off" use_overlay="off" animation="off" sticky="off" align="center" force_fullwidth="off" always_center_on_mobile="on" use_border_color="off" border_color="#ffffff" border_style="solid"] [/et_pb_image][/et_pb_column][et_pb_column type="1_2"][et_pb_image admin_label="Imagem" src="https://analisemacro.com.br/wp-content/uploads/2017/06/fb.png" show_in_lightbox="off" url="https://analisemacro.com.br/cursos-de-r/macroeconomia-aplicada/" url_new_window="off" use_overlay="off" animation="off" sticky="off" align="center" force_fullwidth="off" always_center_on_mobile="on" use_border_color="off" border_color="#ffffff" border_style="solid"] [/et_pb_image][/et_pb_column][/et_pb_row][/et_pb_section]

Compartilhe esse artigo

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Email
Print

Comente o que achou desse artigo

Outros artigos relacionados

Como Construir um Monitor de Política Monetária Automatizado com Python?

Descubra como transformar dados do Banco Central em inteligência de mercado com um Monitor de Política Monetária Automatizado. Neste artigo, exploramos o desenvolvimento de uma solução híbrida (Python + R) que integra análise de sentimento das atas do COPOM, cálculo da Regra de Taylor e monitoramento da taxa Selic. Aprenda a estruturar pipelines ETL eficientes e a visualizar insights econômicos em tempo real através de um dashboard interativo criado com Shiny, elevando o nível das suas decisões de investimento.

Qual o efeito de um choque de juros sobre a inadimplência?

Neste exercício, exploramos a relação dinâmica entre o custo do crédito (juros na ponta) e o risco realizado (taxa de inadimplência) através de uma análise exploratória de dados e modelagem econométrica utilizando a linguagem de programação R.

Qual a relação entre benefícios sociais e a taxa de participação do mercado de trabalho?

Este exercício apresenta uma investigação econométrica sobre a persistente estagnação da taxa de participação no mercado de trabalho brasileiro no período pós-pandemia. Utilizando a linguagem R e dados públicos do IBGE e Banco Central, construímos um modelo de regressão linear múltipla com correção de erros robustos (Newey-West). A análise testa a hipótese de que o aumento real das transferências de renda (Bolsa Família/Auxílio Brasil) elevou o salário de reserva, desincentivando o retorno à força de trabalho.

Boletim AM

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

Boletim AM

Receba diretamente em seu e-mail gratuitamente nossas promoções especiais e conteúdos exclusivos sobre Análise de Dados!

como podemos ajudar?

Preencha os seus dados abaixo e fale conosco no WhatsApp

Boletim AM

Preencha o formulário abaixo para receber nossos boletins semanais diretamente em seu e-mail.