Comentário de Conjuntura

Hiato do produto deve diminuir no 2º semestre

By 15 de outubro de 2019 No Comments

Os dados de nível de atividade divulgados até aqui dão conta de um 3º tri positivo na margem, o que nos leva a projetar uma redução do hiato do produto, a diferença entre o PIB efetivo e o potencial da economia. De fato, isso pode ser verificado empiricamente ao estimarmos uma Curva IS como

(1)   \begin{align*} h_t = \beta_0 + \sum_{i>0} \beta_{1i} h_{t-1} + \sum_{j>0} \beta_{2j} r_{t-j} +\sum_{k > 0} \beta_{3k} \Delta sup_{t-k} + u_t, \end{align*}

onde o hiato do produto h_t é função das suas próprias defasagens, do juro real ex-ante r_{t-j} e da variação do resultado primário \Delta sup_{t-k}. As variáveis utilizadas para o exercício foram a série trimestral do hiato do produto divulgada pelo IPEA, o swap pré-DI 360 deflacionado pela expectativa de inflação 12 meses à frente o resultado primário estrutural da SPE. O gráfico abaixo ilustra as séries.

Ao estimarmos a Curva IS sugerida com os dados acima, vemos que a redução do juro real tem impacto positivo sobre o hiato. O impulso fiscal, por seu turno, medido como a diferença entre o resultado primário em t contra o mesmo em t-k, vai ter impacto negativo, considerando sup_{t-k} > sup_{t}. Já a desaceleração mundial, na falta de uma proxy para o mesma, é considera na Curva IS sugerida como um choque negativo de demanda. 

Dada a expectativa de queda na Selic, o juro ex-ante tem caído bastante nos últimos meses, sugerindo algum impacto expansionista sobre o hiato do produto nos próximos trimestres. Algum efeito, por suposto, deve ser sentido ainda nesse segundo semestre.

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