Inflação

Inflação medida pelo IPCA-15: quadro continua pessimista.

By 24 de janeiro de 2014 No Comments

ipca15gruposOntem o IBGE divulgou o IPCA-15 de janeiro, índice que se diferencia do IPCA tradicional apenas pelo período de coleta dos preços. A variação de 0,67%, na passagem de dezembro para janeiro, foi bastante disseminada: a difusão foi de 75,06%. Ou seja, 3/4 dos preços dos bens e serviços avaliados pelo índice sofreram variação positiva no período considerado. Essa difusão é normal para meses de janeiro, dada a sazonalidade: em 2013 a difusão foi de 73,69%. Desagregando o IPCA-15 pelos seus 9 grupos é possível perceber que Alimentação e Bebidas foi o responsável pela maior contribuição isolada, com 0,23 pontos percentuais. Despesas pessoais responderam por 0,14 p.p. ou 21% do índice cheio.

A tabela abaixo mostra o IPCA-15 dividido por grupos e subgrupos, aumentando assim o nível de desagregação e, portanto, de detalhamento. Nela estão informados a variação de cada um no mês de janeiro, o peso e a contribuição para a variação de 0,67% (peso*variação do item).  Verificamos que, isoladamente, o subgrupo Alimentação no domicílio (11) contribuiu com 0,16 pontos percentuais, sendo a maior contribuição nesse nível de desagregação. Nesse subgrupo são avaliados 146 produtos, o que corresponde a 40% de todos os bens e serviços contidos no IPCA-15. O peso relativo desse subgrupo no índice, considerando o mês de janeiro, foi de 15,95%. Para efeitos de comparação, o subgrupo Transportes (51) teve peso de 18,94%, sendo avaliados 27 itens. Os pesos são extraídos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que mede o quanto as famílias brasileiras gastam, em média, com cada bem ou serviço incluído no índice.

ipca15tabela

 

O grupo Alimentação deu uma trégua no segundo semestre de 2013, devido à safra recorde que tivemos. Foi, por suposto, uma melhora em relação à média dos últimos anos, cercado por choques de oferta adversos. Em 2014 não se espera por um cenário tão benigno, o que pode ser um fator adicional de pressão sobre o índice.

Uma outra questão interessante, apenas para ilustrar o que já venho salientando nesse espaço há algum tempo, é comparar o subgrupo Alimentação no domicílio com o subgrupo Transportes, os dois maiores pesos nesse nível de desagregação no gráfico abaixo. O que se nota é que a média de contribuição da alimentação no domicílio tem sido de 0,11 pontos percentuais desde fevereiro do ano passado. No segundo semestre do ano a contribuição despencou: foi para 0,01 pontos percentuais. Isso por conta da boa safra que tivemos, revertendo os problemas remanescentes de 2012 (choques interno e externo), que levaram o sugrupo a contribuir com 0,22 p.p. no primeiro semestre de 2013. Já o subgrupo transportes teve impacto bem mais modesto: 0,02 pontos percentuais no período completo. Em 2013 a contribuição foi de 0,04 pontos percentuais.

ipca15transpalim

 

A comparação entre um e outro subgrupo se justifica porque de um lado temos um fator de pressão nos últimos anos (alimentação no domicílio) e de outro um fator de alívio (transportes). O alívio proporcionado pelo subgrupo transportes está muito associado às renúncias fiscais feitas pelo governo no conjunto energia e combustíveis. Já a pressão dos alimentos tem a ver com as contínuas quebras de safra, aqui e lá fora, que levam a elevação de preços. O que se deve notar, nesse sentido, leitor, é se o quadro verificado no 2º semestre de 2013 para os alimentos irá se repetir esse ano, bem como se as desonerações sobre o subgrupo transporte serão continuadas. São incógnitas importantes.

Em assim sendo, o quadro para a inflação continua pessimista, apesar da desaceleração do IPCA-15 no acumulado em 12 meses para 5,63% (ante 5,85% em dezembro). Importante ressaltar, nesse aspecto, que sazonalmente o índice desacelera no início do ano, voltando a acelerar no segundo semestre - dado o comportamento cíclico da economia. Variações mensais menores do que as variações mensais do 1º semestre de 2013 (contaminadas ainda pelos choques de oferta de 2012 sobre os alimentos) gerarão redução no acumulado em 12 meses. Isso, per se, não deve ser confundido com menor pressão inflacionária: essa fruto de questões estruturais. Esse deve ser um elemento importante para avaliar prospectivamente a política monetária: até que ponto o Banco Central está comprometido com a resistência inflacionária? A conferir.

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