Nas últimas duas edições do Clube do Código, fizemos exercícios de modo a compreender a origem do choque cambial que tem afetado a economia brasileira, bem como a reação do Banco Central ao mesmo. Verificamos que o choque no início do ano sobre a volatilidade no mercado internacional afetou a taxa de câmbio BRL/USD, gerando um overshooting cambial. Ademais, verificamos que na ocorrência de choques sobre o nível ou mesmo sobre a primeira diferença do câmbio, o Banco Central não parece fazer mudanças na taxa básica de juros. Sua reação ocorre apenas sobre a volatilidade dessa variável. Uma possível explicação para isso é que o Banco Central tem preferido corrigir excessos no mercado de câmbio por meio de outros instrumentos, como os famosos swaps cambiais.

Como se sabe, swaps são contratos que envolvem troca de (posição de) risco e rentabilidade. Swaps de juros, por exemplo, envolvem troca de taxas pré-fixadas (conhecidas, portanto, ex-ante) por taxas pós-fixadas (sujeitas à oscilações, portanto). Já os swaps cambiais envolvem troca de variação cambial por taxas de juros DI (pós-fixadas), equivalente, nesse aspecto, à venda de dólar no mercado futuro, dado que o banco central oferece ao investidor proteção contra oscilações da moeda, tornando desnecessária a compra de dólar. Há ainda os "swaps cambiais reversos", que envolvem operação contrária à descrita anteriormente (troca de taxas de juros por variação cambial), sendo equivalente, portanto, à compra de moeda no futuro, dado que quem assume o risco da variação cambial é o investidor.O gráfico acima traz a posição líquida de swaps cambiais na carteira do Banco Central. Os dados estão disponíveis em termos diários até 30 de maio. Nessa data, o Banco Central tinha US$ 30,3 bilhões em carteira.

Tipicamente, por suposto, o banco central faz venda de "swaps cambiais" quando há pressão por desvalorização do real frente o dólar, como o momento atual, dado que visa ofertar "proteção" (hedge) aos investidores. O objetivo da operação, na prática, é "deslocar" a curva de oferta. O banco central "ganha" se a taxa de juros DI for superior à variação cambial. Já o "swap cambial reverso" ocorre em momentos de apreciação do real frente o dólar: daí a troca de juros por variação cambial, isto é, o banco central "ganha" se a variação cambial for superior à taxa de juros.

Isso dito, estendemos o modelo BVAR estimado na última edição do Clube do Código, de modo a compreender o efeito de um choque cambial, tendo agora o Banco Central dois instrumentos: taxa básica de juros e swaps cambiais. Abaixo, funções impulso-resposta selecionadas ilustram o efeito de um choque no câmbio (em nível), no desvio da inflação em relação à meta e no hiato do produto.

Como se pode observar, de fato, o Banco Central reage ao choque cambial com a oferta líquida de swaps cambiais no mercado. Membros do Clube do Código, como sempre, têm acesso a um pdf detalhado com todos os códigos, explicações e referências, além de acesso aos scripts do exercício. Essa nova edição estará disponível no próximo domingo, 8/7. 

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