Mercado de Trabalho

O desemprego aumenta o número de motoristas da Uber?

By 22 de agosto de 2016 abril 6th, 2017 No Comments

Toda vez que eu entro em um táxi, seja no Rio ou em outra cidade do Brasil, a conversa sempre recai sobre a Uber. É incrível como não há um único taxista que não culpe a empresa pela queda no movimento. Alguns até chegam a identificar a crise econômica pela redução das suas margens, mas dizem que o principal problema é a Uber. Será que eles têm razão?

Em primeiro lugar, observe o seguinte. A Uber concorre com os taxistas por clientes, o que naturalmente reduzirá a demanda por táxis convencionais. Mas como perguntar não ofende, vamos lá: quem é esse cidadão que irá se cadastrar na Uber?

A pessoa que dirige um carro da Uber possivelmente também dirigiria um táxi, não fossem as restrições de licenças que as prefeituras impõem. Desse modo, a margem de lucro no mercado de táxis antes da Uber era maior porque a oferta de motoristas era menor. A Uber, em certa medida, corrige o problema de licenças, levando o preço médio para algo mais próximo de um mercado competitivo. Terrível para os taxistas, mas bom para o consumidor, diga-se.

Dito isto, vamos ao ponto central que a Uber traz. Uma vez que a empresa leva o preço para algo mais próximo de um mercado concorrencial, chegará o ponto onde não valerá mais a pena para o motorista entrar nesse mercado. Em determinado momento, a oferta de motoristas (Uber, táxis, outros aplicativos, outras empresas, etc...) será o suficiente para atender a demanda por um determinado preço. Esse preço será naturalmente menor do que era antes da Uber.

Argumento entendido? Agora, vamos para a conjuntura. Todo mundo sabe que o desemprego tem aumentado no Brasil de forma bastante pronunciada. Ainda que eu não possa mostrar essa causalidade - e isso me mata! - parece razoável supor que o aumento do desemprego faz aumentar a quantidade de pessoas dispostas a dirigir um carro da Uber. Ainda que muitas pessoas estivessem dispostas a dirigir um carro da Uber em condições normais, parece razoável que o aumento do desemprego incentiva essa decisão.

uber

De fato, se a gente pegar as pesquisas por "Ser motorista Uber" no Google Trends e associar à taxa de desemprego, verá uma correlação bastante positiva. Se essa pesquisa é uma boa proxy para a evolução do número de motoristas da Uber e se isso implica em causalidade, já é uma estória bem mais interessante, mas que no momento eu infelizmente não posso responder... 🙁

Em resumo, os taxistas convencionais podem até achar que o problema é a Uber, mas é preciso verificar duas coisas, como vimos.  A Uber corrige a "renda de monopólio" dos taxistas. Além disso, se de fato o desemprego estiver incentivando o número de pessoas dispostas a dirigir um carro Uber, a crise econômica tem ainda mais importância para explicar a redução do número de corridas dos taxistas tradicionais.

Por fim, se alguém tiver essa série "motoristas Uber", por favor, me mande! Ah, sim, membros do Clube do Código podem ver o script desse post no repositório do GitHub, na parte de posts... 🙂

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