Reformas Econômicas

Por que os preços são tão altos no Brasil?

By 24 de setembro de 2012 novembro 26th, 2012 No Comments

Admita leitor, por simplificação, que todas as questões ideológicas ficaram em um passado distante. Sejamos pragmáticos: vivemos em uma economia de mercado regida única e exclusivamente pelo mecanismo de preço e pronto. Nessa organização social produtores e consumidores se encontram todos os dias para realizar transações comerciais e financeiras. Nesse mundo existe uma instituição chamada Estado que pode dificultar ou facilitar a vida dessas pessoas. O que ele vai escolher?

Fazer negócios no Brasil é difícil, não é fácil. Em um ranking que mede a facilidade [ou dificuldade] de se fazer negócios em 183 países, nossa economia encontra-se na desonrosa 126ª posição. E o que é pior: nós caímos seis posições na passagem de 2011 para 2012! Entre os tópicos avaliados pela pesquisa estão os procedimentos necessários para abrir uma empresa, recolher impostos, conseguir crédito, ter acesso a eletricidade, resolver pendências jurídicas etc. O Brasil vai mal em todas elas.

O número de procedimentos para abrir um negócio no Brasil é mais do que o dobro da média dos países da OCDE (os países desenvolvidos). Isso, naturalmente, se reflete no tempo: em média é quase dez vezes mais demorado aqui do que lá!

Especificamente no item Paying Taxes nós ocupamos a 150ª posição. Uma empresa de médio porte gasta cerca de 2.600 horas de trabalho por ano para dar conta de toda a burocracia envolvida no recolhimento de impostos. Isso é quase sete (SETE!) vezes mais o que levam em média os países da América Latina. Eu disse América Latina. Na média dos países da OCDE a diferença simplesmente dobra!

Já no item Cumprimento de Contratos, que envolve disputas jurídicas, nosso número é a 118ª posição. Nós levamos em média 731 dias desde o momento em que o autor entra com uma ação até o efetivo ressarcimento do dano. O Camboja leva 401 dias...

E eu poderia continuar com mais números sobre as dificuldades de se fazer negócio no Brasil, mas acho que o leitor já entendeu onde quero chegar com isso tudo. Pois é, você acha que toda essa dificuldade vai parar aonde, leitor amigo? Lá mesmo: no preço das coisas que compramos e vendemos.

Agora que já mostrei o queria, podemos abstrair aquela simplificação lá de cima e voltar a eterna discussão entre mais ou menos Estado. E, claro, caso você tenha ficado interessado no assunto, pode consultar outros números do Doing Business in Brazil aqui.

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