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Update: Evolução do Covid-19 no Brasil

By | Hackeando o R

Nas primeiras semanas de março, acabei me envolvendo bastante com os dados do Covid-19, por questões profissionais. Há muitos posts sobre o assunto publicados nesse espaço, o leitor pode fazer uma busca por eles. À época, porém, o Brasil começava sua guerra contra o vírus, de modo que nossos dados ainda eram bastante iniciais sobre o assunto. As semanas passaram e já aqui, no início de maio, estamos com um quadro preocupante sobre a doença no país, mas creio que melhor do que as previsões inicialmente feitas. Os gráficos a seguir resume o alastramento da epidemia no país, com dados atualizados até 5 de maio.

Do lado esquerdo, temos os casos confirmados de Covid-19 no Brasil, bem como a variação diária desses casos. No lado direito, temos o log dos casos confirmados. A ideia de colocar os dados em log facilita a visualização porque a expansão inicial da doença se mostrou ser exponencial. Um crescimento exponencial transformado em log segue uma reta linear. Isso posto, o gráfico à direita nos mostra que o crescimento da doença parece começar a experimentar um arrefecimento.

É para comemorar? Não muito. Primeiro, porque é preciso lembrar da subnotificação. Isto é, o Brasil, infelizmente, não teve uma política pública consolidada de testes. Nós testamos muito pouco a doença Brasil à fora. Logo, é preciso olhar para os dados oficiais com bastante cautela. Segundo, porque os dados oficiais são uma agregação de um país bastante desigual. Enquanto municípios mais ricos enfrentaram a doença primeiro e agora começarão a ver uma melhora no quadro, municípios mais pobres ainda estão por enfrentar o pior cenário.

Feitas as ressalvas, gostaria de ressaltar que nós ainda estamos distantes de um entendimento completo da doença, bem como do impacto dela sobre o país. A precariedade dos dados e das políticas públicas de saúde adotadas seguem inundando de incerteza o cenário. Cautela no momento é o melhor que devemos ter.

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(*) Os dados foram coletados diretamente do survey da JHU, que se consolidou como a melhor base de dados sobre o assunto no mundo.

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O balanço de riscos do COPOM

By | Comentário de Conjuntura

O Banco Central divulgou agora há pouco a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, realizada na semana passada. Valem destacar dois aspectos do documento. O primeiro diz respeito às projeções do modelo da autoridade monetária. Em um cenário com juros e câmbio extraídos da pesquisa Focus, a inflação esperada para 2019 e 2020 fica em 4,1% e 3,8%, respectivamente. Já no cenário de juros constantes e câmbio a 3,95 R$/US$, a inflação fica em 4,3% esse ano e em 4% no próximo ano.

O outro aspecto a ser destacado é o chamado balanço de riscos em torno do cenário básico traçado pela autoridade monetária. Por um lado, chama atenção a ressalva do Comitê quanto à maior ociosidade dos fatores de produção. Como apontei no comentário da semana passada e o Banco Central acabou ratificando em ata, há risco real de termos um crescimento negativo do pib do primeiro trimestre, na comparação com o último trimestre do ano passado.

Já por outro lado, como também chamei atenção na semana passada, a reforma da previdência e o consequente ajuste fiscal trazem incerteza à economia, contribuindo de forma negativo para a inflação esperada.

A ponderação desses dois aspectos justifica, por suposto, a manutenção da taxa básica de juros nos atuais 6,5% ao ano.

Inflação observada e núcleos de inflação

Um outro ponto destacado na ata foi o comportamento da inflação observada nos últimos meses. O Comitê destaca que o repique verificado no período recente deve retroceder, de modo que não deve ser visto como problema, ao menos por enquanto. Salienta ainda que os núcleos de inflação permanecem comportados.

IPCA vs. Núcleos de Inflação (%)
Mensal Abr/19 Mensal Abr/18 Anual Abr/19 Anual Abr/18
IPCA 0,57 0,22 4,94 2,76
Médias Aparadas com Suaviz. 0,37 0,21 4,01 3,21
Médias Aparadas sem Suaviz. 0,32 0,04 3,25 2,35
Exclusão 0 0,35 0,04 3,03 2,61
Exclusão 1 0,42 0,20 4,03 2,96
Dupla Ponderação 0,40 0,13 3,79 2,91
Exclusão 2 0,41 0,09 2,89 2,03
Exclusão 3 0,45 0,15 2,83 2,31

Como pode ser visto na tabela acima, de fato, a despeito do repique da inflação cheia medida pelo IPCA, os núcleos encontram-se abaixo da meta de 4,25%. Em outras palavras, passado o choque recente, a inflação deve se acomodar novamente em torno da meta de inflação. O gráfico abaixo ilustra.

Como de praxe, os códigos desse comentário de conjuntura encontram-se disponíveis no Clube do Código.

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