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A inflação que nos espera após as eleições

By | Inflação

represadaUma das grandes preocupações dos economistas de conjuntura é o impacto dos reajustes de alguns preços administrados na inflação de 2015. Como se sabe, esse conjunto de preços tem se mantido artificialmente baixo ao longo dos últimos anos, por interferência direta do governo. Em 2013, fecharam em 1,5%, enquanto os preços livres ficaram em 7,3%. Em outras palavras, existe uma necessidade imperiosa dos preços serem corrigidos, para que sinalizem corretamente o que ocorre com a oferta e a demanda nos setores que representam. Nesse post faço um breve exercício do impacto dessa correção no IPCA do ano que vem.

A tabela acima resume o efeito de reajustes em três preços: energia elétrica, ônibus urbano e gasolina. Quatro são os reajustes lineares: 5%, 10%, 15% e 20%. O cenário "múltiplo" verifica o impacto de reajustes de 25% em energia elétrica e 10% em ônibus urbano e gasolina. Os reajustes possuem impacto entre 0,46 e 1,82 pontos percentuais nos reajustes lineares. Já o cenário múltiplo tem impacto de 1,31 pontos percentuais.

Considerada a projeção do Banco Central para o IPCA no 1º trimestre de 2015, de 6%, a inflação pode se aproximar de 8%, apenas com os efeitos primários desses aumentos. Se considerarmos efeitos secundários dessas elevações, isto é, o impacto dos reajustes desses preços em outros bens e serviços - dado que transporte, energia elétrica e gasolina são insumos para a maior parte das cadeias produtivas - a inflação pode se situar facilmente entre 8% e 8,5%.

A necessidade desses reajustes é inexorável porque a manutenção de um preço abaixo daquele que seria de equilíbrio entre oferta e demanda gera custos não desprezíveis para o Tesouro. Afinal, a diferença entre o preço vigente e o preço de equilíbrio é subsidiado pelo governo e/ou mantido às custas de mecanismos "criativos", como o recente empréstimo que será tomado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) no valor de R$ 12 bilhões. O acúmulo desses "esqueletos" uma hora tem de ser revelado e pago, bem como o preço de equilíbrio restaurado, para que sinalize corretamente o que acontece com os respectivos mercados. O adiamento dessa ação eleva ainda mais a "inflação corretiva" necessária para recuperar o equilíbrio entre oferta e demanda. Em outras palavras, adiar o processo incrementa ainda mais os números do parágrafo anterior.

Vale lembrar que a necessidade de uma "inflação corretiva" é o sintoma básico do congelamento de preços, largamente praticado no Brasil no âmbito do Conselho Interministerial de Preços (CIP), entre 1968 e 1991. Ou seja, o que o atual governo pratica é velho, não tem o menor respaldo pela teoria monetária moderna. É fruto apenas de uma interpretação equivocada do fenômeno inflacionário.

Em assim sendo, a inflação que nos espera depois do pleito eleitoral é ainda mais elevada do que a atual, de 6,15%. Dificilmente o governo poderá compatibilizar maior esforço fiscal (maior superávit primário) com a manutenção da política de controle desses preços. Isto porque, manter o represamento de preços gera custos significativos para o Tesouro. Adiar ainda mais a correção, portanto, é uma opção que nos levará de forma segura para o mesmo patamar que vive a Argentina hoje.

Impacto do aumento da gasolina e do óleo diesel no IPCA de 2013 e nas previsões do GECE.

By | Inflação

A partir da meia noite do último dia 30/11 estão em vigor os aumentos de 4% e 8%, respectivamente, sobre a gasolina e óleo diesel que a Petrobras aprovou para a venda dos combustíveis nas refinarias. O GECE fez o cálculo do impacto desses reajustes sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice que representa a meta de inflação no país. Supondo que o repasse seja integralmente repassado ao consumidor – algo que não é inexorável – o impacto máximo do aumento da gasolina é de 0,16 pontos percentuais sobre o IPCA de dezembro (para fins de simplificação), enquanto o impacto do óleo diesel é de apenas 0,01 pontos percentuais. Chega-se a esse número tomando a média dos pesos desses subitens (51040001, gasolina e 51040003, óleo diesel) em 2013 e multiplicando os mesmos pelo reajuste anunciado para cada um. A gasolina teve peso médio de 3,88% no IPCA desse ano, contribuindo em média com -3% na variação mensal do índice. O pico de contribuição ocorreu em fevereiro, quando foi responsável por 26,4% da elevação de 0,6% do IPCA naquele mês. A mudança nas nossas previsões para o IPCA desse ano é o que detalhamos em seguida.

A previsão do GECE para o IPCA em 2013 era de 5,65%, supondo que em novembro e dezembro o índice ficasse, respectivamente, em 0,54% e 0,68%. Com o reajuste, o valor do mês de dezembro vai para 0,84%, o que eleva o IPCA de 2013 para 5,82%. Nesse cenário consideramos o limite mínimo da previsão em 5,74% e o máximo em 5,91%,.

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