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Economia Internacional

Swaps cambiais com o R

By | Dados Macroeconômicos, Economia Internacional

Tem sido amplamente divulgado pela imprensa os prejuízos que o Banco Central tem tido com o programa de swaps cambiais. Instrumento cujo o objetivo básico é minimizar a desvalorização do câmbio, dada a oferta de proteção a agentes expostos à variação cambial. Seu uso foi intensificado a partir de agosto de 2013, dada a sinalização feita pelo então presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que a normalização da política monetária de lá estaria próxima. Isso foi analisado à época nesse espaço aqui. Bom, leitor, como sabemos, até agora o aumento dos juros nos EUA não veio, mas o estoque de swaps cambiais já está na casa de US$ 108,1 bilhões e o câmbio... Nesse rápido post de hoje eu só quero apresentar a série de swaps cambiais, disponível no site do Banco Central, imaginando que em algum momento ao longo das próximas semanas, terei tempo para usar a mesma para fazer algum exercício mais elaborado com o câmbio.  Rapidamente, então, para o  \(\mathbf{R}\) !

Antes de mais nada, swaps são contratos que envolvem troca de (posição de) risco e rentabilidade. Swaps de juros, por exemplo, envolvem troca de taxas pré-fixadas (conhecidas, portanto, ex-ante) por taxas pós-fixadas (sujeitas à oscilações, portanto). Já os swaps cambiais envolvem troca de variação cambial por taxas de juros DI (pós-fixadas), equivalente, nesse aspecto, à venda de dólar no mercado futuro, dado que o banco central oferece ao investidor proteção contra oscilações da moeda, tornando desnecessária a compra de dólar. Há ainda os "swaps cambiais reversos", que envolvem operação contrária à descrita anteriormente (troca de taxas de juros por variação cambial), sendo equivalente, portanto, à compra de moeda no futuro, dado que quem assume o risco da variação cambial é o investidor.

Tipicamente, o banco central faz venda de "swaps cambiais" quando há pressão por desvalorização do real frente o dólar, como o momento atual, dado que visa ofertar "proteção" (hedge) aos investidores. O objetivo da operação, na prática, é "deslocar" a curva de oferta. O banco central "ganha" se a taxa de juros DI for superior à variação cambial. Já o "swap cambial reverso" ocorre em momentos de apreciação do real frente o dólar: daí a troca de juros por variação cambial, isto é, o banco central "ganha" se a variação cambial for superior à taxa de juros.

Dito isto, eu peguei a série de swaps cambiais, disponível no site do Banco Central, utilizando o código abaixo.

temp <- tempfile()

download.file("http://www.bcb.gov.br/htms/infecon/demab/ma201508/NImprensa.zip",temp)

data <- unzip(temp, files='Tab_download ago15.xlsx')

data <- loadWorkbook(data)

swaps <- readWorksheet(data, sheet = "Tab 12A", header = TRUE,
 colTypes = c('POSIXct','numeric'))

Tratada a série, um gráfico da mesma é colocado abaixo.

grafico01

Duas coisas rápidas: (i) instrumentos do tipo são corriqueiros para o Banco Central brasileiro; (ii) houve expressivo crescimento do seu uso a partir de agosto de 2013. Uma pergunta imediata é: o programa foi bem sucedido?

Tenho visto muita gente dizendo um monte de coisas para tentar responder essa questão. Na maioria delas, entretanto, não se faz uma análise de custo benefício. Por exemplo, já vi gente dizendo que o objetivo do Banco Central com o programa de swaps era conter a volatilidade do câmbio e, portanto, o impacto sobre a inflação. Na boa, leitor, se o Banco Central quisesse controlar a inflação, não teria dado um cavalo de pau na política monetária em agosto de 2011, não é mesmo?

Por hoje, eu não vou responder essa pergunta, deixo com o leitor... Outro dia, volto ao tema. 🙂

O câmbio na Era Dilma e os desenvolvimentistas: cadê o desenvolvimento?

By | Economia Internacional

No encontro da ANPEC de 2013, just for fun, fui assistir a uma mesa alternativa, que pregava a desindustrialização da economia brasileira. Causada, segundo o interlocutor, veja você, pelo Banco Central, que apreciava a taxa de câmbio com vistas a controlar a inflação. Oi? Pois é. Nessa mesa, sentou ao meu lado um dos expoentes do novo-desenvolvimentismo, que acabou me reconhecendo por causa desse blog. Perguntou-me, entre outras coisas, por que eu tinha virado um economista sério [neoclássico], tendo estudado em escolas eminentemente heterodoxas. Depois disso, o expoente professor, respondendo ao questionamento do apresentador aquela altura, sobre o que deveria ser feito para conter a tal desindustralização, foi incisivoé só deixar o câmbio desvalorizar. Vamos ao  \(\mathbf{R}\)  ver como ficou o câmbio na Era Dilma?

Com o código abaixo, peço a série de câmbio diário nominal venda. O gráfico da série é posto em seguinda.

library(Quandl)

cambio <- Quandl('BCB/1', start_date='2011-01-01', type='zoo')

plot(cambio, lwd=2, xlab='', ylab='R$/US$', main='O câmbio na Era Dilma')

grafico1

Bom, o câmbio era de 1,65 R$/US$ em 03/01/2011 e em 03/09/2015, por essa série do Banco Central, fechou em 3,77 R$/US$. Não custa perguntar, portanto, onde está o desenvolvimento, professor? 🙁

Update: Tem gente criticando o post porque não leu jornal nos últimos quatro anos. Acha que o governo brasileiro não desvalorizou o câmbio de forma intencional? Dá uma lida nesse artigo do ex-ministro Guido Mantega aqui.

Efeito da Operação Lava Jato sobre a Taxa de Câmbio

By | Economia Internacional, Macroeconometria

Ao longo das últimas semanas tenho recebido muitas perguntas sobre o comportamento da taxa de câmbio. Não para menos, afinal o câmbio ultrapassou a fronteira de 3 R$/US$ na última semana, algo que os modelos econométricos só alcançavam nos cenários mais pessimistas. Ainda que existam fatores econômicos que fomentem a deterioração das expectativas, fica claro, nesse momento, que a conjuntura política tem contribuído de forma decisiva para o aumento da aversão a risco dos investidores. Para o macroeconomista, desse modo, o problema é imediato: como adicionar esse componente político aos modelos?

Tenho pesquisado e testado algumas alternativas para esse problema. Uma delas é utilizar a base de dados do google trends, sobre determinadas palavras-chave e a quantidade de pesquisas relacionadas às mesmas em relação ao total de pesquisas feitas no Google. Um exemplo é a palavra-chave "operação lava jato", que teve sua menção elevada nos últimos meses.* O gráfico abaixo registra o interesse por essa palavra-chave ao longo das semanas.

lavajato

Podemos, desse modo, pegar um conjunto de palavras-chave e testar em modelo pré-definido para a taxa de câmbio de forma a tentar captar o efeito da instabilidade política que existe hoje no país. Ao fazer isso, por exemplo, para a operação lava jato, observa-se que o efeito da mesma é positiva sobre a taxa de câmbio. Isto é, maiores referências à operação implicam em maior desvalorização do câmbio. Significa dizer que, ao adicionar essa variável, mantendo as trajetórias de todas as demais variáveis do modelo constantes, observa-se uma forte sensibilidade do modelo, como se pode observar no gráfico abaixo.

cambiolavajato

Como exemplo, apenas, no modelo base, sem adição da variável lavajato, o modelo prevê que o câmbio médio em dezembro seja de 3,11 R$/US$. Com a adição dessa variável, o câmbio vai a 3,28 R$/US$, considerando que o tema continue "quente" na imprensa.

Observe, nesse contexto, que a operação lava jato é apenas um dos vários momentos da instabilidade política no país, que conta, por exemplo, com o clima de ruptura entre PMDB e o governo. Desse modo, a aplicação de um conjunto de variáveis que represente esse momento parece ser uma das alternativas para capturar a trajetória da taxa de câmbio nesse momento. O modelo base parece se adequar melhor ao período recente com a adição dessas variáveis.

(*) Corrigido em relação à primeira versão. O índice do google trends não faz referência ao número absoluto de pesquisas de uma determinada palavra-chave, mas sua relação com o total de pesquisas feitas no Google. Maiores informações aqui.  

ps: para maiores informações sobre o modelo base usado no post, bem como a forma como temos construído essas variáveis de instabilidade política, entre em contato. 

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