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Economia Internacional

O câmbio na Era Dilma e os desenvolvimentistas: cadê o desenvolvimento?

By | Economia Internacional

No encontro da ANPEC de 2013, just for fun, fui assistir a uma mesa alternativa, que pregava a desindustrialização da economia brasileira. Causada, segundo o interlocutor, veja você, pelo Banco Central, que apreciava a taxa de câmbio com vistas a controlar a inflação. Oi? Pois é. Nessa mesa, sentou ao meu lado um dos expoentes do novo-desenvolvimentismo, que acabou me reconhecendo por causa desse blog. Perguntou-me, entre outras coisas, por que eu tinha virado um economista sério [neoclássico], tendo estudado em escolas eminentemente heterodoxas. Depois disso, o expoente professor, respondendo ao questionamento do apresentador aquela altura, sobre o que deveria ser feito para conter a tal desindustralização, foi incisivoé só deixar o câmbio desvalorizar. Vamos ao  \(\mathbf{R}\)  ver como ficou o câmbio na Era Dilma?

Com o código abaixo, peço a série de câmbio diário nominal venda. O gráfico da série é posto em seguinda.

library(Quandl)

cambio <- Quandl('BCB/1', start_date='2011-01-01', type='zoo')

plot(cambio, lwd=2, xlab='', ylab='R$/US$', main='O câmbio na Era Dilma')

grafico1

Bom, o câmbio era de 1,65 R$/US$ em 03/01/2011 e em 03/09/2015, por essa série do Banco Central, fechou em 3,77 R$/US$. Não custa perguntar, portanto, onde está o desenvolvimento, professor? 🙁

Update: Tem gente criticando o post porque não leu jornal nos últimos quatro anos. Acha que o governo brasileiro não desvalorizou o câmbio de forma intencional? Dá uma lida nesse artigo do ex-ministro Guido Mantega aqui.

Efeito da Operação Lava Jato sobre a Taxa de Câmbio

By | Economia Internacional, Macroeconometria

Ao longo das últimas semanas tenho recebido muitas perguntas sobre o comportamento da taxa de câmbio. Não para menos, afinal o câmbio ultrapassou a fronteira de 3 R$/US$ na última semana, algo que os modelos econométricos só alcançavam nos cenários mais pessimistas. Ainda que existam fatores econômicos que fomentem a deterioração das expectativas, fica claro, nesse momento, que a conjuntura política tem contribuído de forma decisiva para o aumento da aversão a risco dos investidores. Para o macroeconomista, desse modo, o problema é imediato: como adicionar esse componente político aos modelos?

Tenho pesquisado e testado algumas alternativas para esse problema. Uma delas é utilizar a base de dados do google trends, sobre determinadas palavras-chave e a quantidade de pesquisas relacionadas às mesmas em relação ao total de pesquisas feitas no Google. Um exemplo é a palavra-chave "operação lava jato", que teve sua menção elevada nos últimos meses.* O gráfico abaixo registra o interesse por essa palavra-chave ao longo das semanas.

lavajato

Podemos, desse modo, pegar um conjunto de palavras-chave e testar em modelo pré-definido para a taxa de câmbio de forma a tentar captar o efeito da instabilidade política que existe hoje no país. Ao fazer isso, por exemplo, para a operação lava jato, observa-se que o efeito da mesma é positiva sobre a taxa de câmbio. Isto é, maiores referências à operação implicam em maior desvalorização do câmbio. Significa dizer que, ao adicionar essa variável, mantendo as trajetórias de todas as demais variáveis do modelo constantes, observa-se uma forte sensibilidade do modelo, como se pode observar no gráfico abaixo.

cambiolavajato

Como exemplo, apenas, no modelo base, sem adição da variável lavajato, o modelo prevê que o câmbio médio em dezembro seja de 3,11 R$/US$. Com a adição dessa variável, o câmbio vai a 3,28 R$/US$, considerando que o tema continue "quente" na imprensa.

Observe, nesse contexto, que a operação lava jato é apenas um dos vários momentos da instabilidade política no país, que conta, por exemplo, com o clima de ruptura entre PMDB e o governo. Desse modo, a aplicação de um conjunto de variáveis que represente esse momento parece ser uma das alternativas para capturar a trajetória da taxa de câmbio nesse momento. O modelo base parece se adequar melhor ao período recente com a adição dessas variáveis.

(*) Corrigido em relação à primeira versão. O índice do google trends não faz referência ao número absoluto de pesquisas de uma determinada palavra-chave, mas sua relação com o total de pesquisas feitas no Google. Maiores informações aqui.  

ps: para maiores informações sobre o modelo base usado no post, bem como a forma como temos construído essas variáveis de instabilidade política, entre em contato. 

Gráfico do dia: os juros norte-americanos.

By | Economia Internacional
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Os juros norte-americanos irão aumentar. E o Brasil, como fica?

O Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, deu ontem mais um passo rumo à normalização da sua política monetária. Ele atualizou sua estratégia de quando começará a aumentar os juros básicos da economia. O gráfico ao lado (clique para ampliar) resume como os 16 membros do FOMC, o comitê de política monetária deles, observa o ritmo de aumento nos próximos anos. Cada bolinha azul representa a opinião de um dos membros. Para esse ano, por exemplo, 16 dos 17 membros situam a taxa básica de juros no intervalo entre 0% e 0,25%. Já para o ano que vem, 10 membros projetam a taxa no intervalo entre 1% e 2%. Para 2016, 8 membros projetam os juros entre 2% e 3% e em 2017, 12 membros a colocam entre 3% e 4%. No longo prazo, 15 membros consideram o intervalo de 3,25% e 4% o mais adequado para os juros. Qual o impacto que essa elevação dos juros norte-americanos terá sobre a economia brasileira? Leia aqui. O gráfico foi retirado daqui.
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