Category

Indicadores

Semana de turbulência e o impacto no FOCUS

By | Indicadores

O boletim Focus dessa semana refletiu duramente as notícias preocupantes da semana passada. As falas do presidente Bolsonaro sobre a troca da presidência da Petrobras impactaram diretamente no preço das ações da empresa, e, com a indicação de que podem ocorrer intervenções em outras empresas de energia, o mercado está apreensivo com a possível guinada da política econômica. O resultado dos anúncios pode ser visto nas projeções de aumento da taxa de juros de longo prazo e de redução do crescimento, impactos diretos de um país com maior nível de incerteza econômica.

Como pode-se ver acima, também vemos aumento nas expectativas de inflação. Além da turbulência apresentada, esse movimento é explicado pelo aumento do preço de combustíveis anunciado pelo Petrobrás, resultado da continuação da escalada dos preços do petróleo. Os indicadores de IGP-M e preços administrados também aparentam seguir essa tendência, apresentando aumento na semana:

 

O código de R desse artigo está disponível para os membros do novo Clube AM. Para saber mais, clique aqui.

____________________

Comportamento das variáveis fiscais em 2020 e o que esperar de 2021

By | Indicadores

No último dia 29 de janeiro, o Banco Central divulgou as Estatísticas Fiscais referentes à dezembro de 2020. Com efeito, ficamos sabendo como se comportaram as principais variáveis fiscais ao longo de 2020, um ano repleto de desafios por conta da pandemia do coronavírus. Nesse Comentário Semanal do boletim Focus, nós trazemos uma edição especial focada em variáveis fiscais.

Para começar, como de praxe, nós carregamos os pacotes que utilizamos.


library(rbcb)
library(scales)
library(tidyverse)

A seguir, nós buscamos dois grupos de dados. Para começar, nós pegamos os dados referentes às variáveis efetivamente observadas. O código a seguir pega os dados diretamente do Sistema de Séries Temporais do Banco Central.


## Coleta de dados reais
series = list('DBGG' = 13762,
'DLSP' = 4513,
'NFSP Primário' = 5793,
'NFSP Nominal' = 5727)

data_variaveis = get_series(series, start_date = '2019-01-01') %>%
purrr::reduce(inner_join) %>%
gather(variavel, valor, -date)

A seguir, nós pegamos os dados referentes às expectativas contidas para essas variáveis dentro do boletim Focus.


## Coleta de dados de expectativas
data_expectativas = get_annual_market_expectations('Fiscal',
start_date = '2019-01-01')

data_expectativas$indic_detail = ifelse(data_expectativas$indic_detail == "Resultado Primário",
'Resultado Primário',
data_expectativas$indic_detail)

data_expectativas$indic_detail = ifelse(data_expectativas$indic_detail ==
unique(data_expectativas$indic_detail)[3],
'DLSP',
data_expectativas$indic_detail)

data_expectativas$indic_detail = ifelse(data_expectativas$indic_detail ==
unique(data_expectativas$indic_detail)[4],
'DBGG',
data_expectativas$indic_detail)

De posse dos dados, nós podemos olhar o que ocorreu com as variáveis observadas.

O ano de 2020 terminou com a Dívida Bruta muito próxima dos 90% do PIB (89,3%) e com a Dívida Líquida em 63%. Em dezembro de 2019, a DBGG estava em 74,3%, enquanto a DLSP estava em 54,6% do PIB. Isto é, houve um aumento de 15 pontos percentuais na DBGG ao longo de 2020.

A deterioração do fluxo explica a maior parte dessa evolução. As Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) saíram de 0,84% em dezembro de 2019 para 9,49% do PIB em dezembro de 2020, no seu corte primário, que não inclui gastos com juros. No seu corte nominal, que inclui gastos financeiros, houve uma variação de 7,91 pontos percentuais: de 5,79% para 13,7% do PIB.

Ao longo de 2021, diga-se, os agentes de mercado esperam uma certa estabilidade nas variáveis de estoque, enquanto para o fluxo, o resultado nominal esperado está em -6,59% do PIB e o primário em -2,72%.

 

____________________

(*) No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, nós estressamos a coleta e tratamento de dados fiscais com o R;

(**) O código de R desse artigo está disponível para os membros do novo Clube AM. Para saber mais, clique aqui.

O IGP-M volta a se descolar do FOCUS

By | Indicadores

No boletim FOCUS dessa semana, o IGP-M vê escalada de mesma magnitude da semana anterior, chegando agora a 6,57%. O IPCA, por outro lado, não acompanhou esse aumento, indicando que a variação está ocorrendo em setores de pesos diferentes para cada índice. O IGP-M dá maior peso para preços industriais, e também inclui em sua composição índices de custos de construção e de produtos de atacado agropecuários, o que o torna mais dependente de variações de preços nas primeiras etapas da cadeia de produção.

O IPCA, por outro lado, só possui preços industriais como proxy da cadeia produção em seu cálculo, e em menor peso, dando mais espaço para variáveis que afetam o consumidor final, como alimentação no domicílio e serviços. Com isso, podemos ver que a diferença entre os dois índices depende da capacidade de repasse dos custos crescentes de produção ao consumidor, através do preço final. Essa capacidade é de modo geral limitada, efeito que se exacerba com a diminuição de renda vista desde o começo de 2020. O resultado que pode ser inferido então é de que o mercado prevê um aumento do custo dos insumos industriais.


As outras variáveis apresentam pouca ou nenhuma variação na última semana, com algum otimismo para os resultados do governo, com o resultado nominal subindo de -7% para -6.85%, e para o resultado externo, com a balança comercial subindo de -19,95 para -19,66 bilhões de dólares.

O código de R desse artigo está disponível para os membros do novo Clube AM. Para saber mais, clique aqui.

____________________

Expectativas de inflação continuam sua escalada

By | Indicadores

Em relação ao relatório anterior, as expectativas do mercado se mantiveram relativamente constantes para a maior parte das variáveis na semana passada. A exceção que vemos aqui é o aumento das expectativas de inflação, que subiram para 3,50% para o IPCA. O IGP-M é ainda mais preocupante, com um aumento de 4,94% para 5,52%. Tais movimentos são influenciados pelo aumento gradual do preço das commodities, como já visto em 2020, aumentando custos ao longo de toda a cadeia de produção. O fim do auxílio emergencial pode combater a pressão inflacionária nos próximos meses, porém, há a possibilidade de extensão do programa.

As pressões crescentes da inflação podem influenciar o Banco Central para um aumento da SELIC antes do esperado. As expectativas da última semana revelam isso, com um aumento da SELIC para 3,50%. Essa decisão, porém, pode retardar o crescimento real do produto, que só deve ocorrer no segundo semestre, segundo o Boletim Macro do IBRE dessa segunda-feira.

Outro fator que preocupa para a escalada da inflação é o de preços administrados, que também vê aumento em suas expectativas. A mediana sobe de 4,20% para 4,39%.

 

O código de R desse artigo está disponível para os membros do novo Clube AM. Para saber mais, clique aqui.

____________________

Análise do boletim Focus com o R

By | Indicadores

A variação do IPCA de dezembro de 2020 foi divulgada na semana passada em 1.35%, sendo a maior desde fevereiro de 2003. O valor pode ser atribuído ao reajuste da eletricidade residencial, porém gera preocupações para uma elevação nos próximos meses. O aumento do índice de difusão de 66.1% para 72.1% indica que a inflação está permeando um maior número de setores, se descolando do efeito isolado em alimentos que ocorreu na segunda metade de 2020. Com isso, o Focus dessa semana tem um aumento da previsão do IPCA em 2021 para 3.43%.

As expectativas para o crescimento, a taxa de câmbio e a Selic se mantém estáveis em relação à semana passada. Com a incerteza em relação à manutenção do regime forward-looking das metas da Selic, poderíamos esperar uma maior variância nas expectativas nas últimas semanas, porém esse efeito não é evidenciado, com a banda de 1 desvio-padrão das observações de expectativas se mantendo estável, como pode ser visto no gráfico abaixo:

Os fatores observados como influência para o IPCA também afetam o IGP-M, que tem alta de expectativa para 4.94%. Vemos também a continuação da escalada das expectativas sobre a produção industrial em 2021, com a retomada econômica prevista com a vacinação que deve se iniciar essa semana.

Em relação ao setor externo, manteve-se o superávit mediano esperado para 2021 na balança comercial em US$ 55 bilhões. Já o déficit em conta corrente mediano oscilou para US$ 19,4 bilhões, contra US$ 16 bilhões que eram esperados na semana passada. Dada a dificuldade de projetar essa variável ao longo do ano, oscilações nas projeções são vistas como normais.

Já o desafio fiscal permanece ainda bastante elevado. O resultado primário médio esperado para 2021 é de -3,04%, enquanto o nominal  médio está em 6,5%.

Para finalizar, as expectativas de crescimento estão estáveis na faixa dos 3.4% para 2021. O que podemos ver, porém, é uma diminuição da variância da estimação, indicando que o mercado está ficando cada vez mais seguro em relação à retomada do crescimento.

O código de R desse artigo está disponível para os membros do novo Clube AM. Para saber mais, clique aqui.

____________________

Seja avisado da nossa próxima aula ao vivo de R para Análise de Dados, toda terça-feira, às 21h!

Quero ser avisado
{"cart_token":"","hash":"","cart_data":""}