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Revisões importantes no Focus às vésperas de novo COPOM

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O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central volta a se reunir essa semana para decidir sobre a nova taxa básica de juros. O consenso de mercado aponta para corte de 50 pontos-base, o que levará a SELIC para 5% a.a. O boletim Focus divulgado agora há pouco, diga-se, espera que a taxa básica chegue a 4,5% no final do ano, o que implica em mais um corte de mesma magnitude na próxima reunião do Comitê. Segundo os respondentes do Focus, essa taxa se mantém até o final de 2020. Há uma semana, a mediana das instituições esperava que a taxa ficasse em 4,75% a.a. ao fim de 2020.

Um dado interessante trazido pelo Focus é que o grupo TOP5 Médio Prazo espera que a Selic feche em 4% ao fim de 2020. Cenário que condiz com a expectativa de inflação abaixo da meta para o próximo ano - em torno de 3,55%. Outro ponto interessante do Focus é a revisão positiva, pela segunda semana seguida, na expectativa de crescimento para esse ano. Os dados de alta frequência recém divulgados, como alertei nesse espaço, dão conta de um 3º tri melhor do que o esperado, o que tem embasado revisões positivas nessa expectativa.

Para a semana, além do COPOM, haverá divulgação da taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua na quinta e da produção industrial na sexta-feira. Expectativa é de redução no desemprego e aumento na margem da PIM-PF.

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Análise do IBC-Br com o R

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A deflação de setembro e a divulgação da POF 2017-2018, que traz novos pesos para os grupos do IPCA, trouxeram revisões importantes para a inflação nesse e no próximo ano. A expectativa para a inflação medida pelo IPCA em 2019 caiu de 3,42% para 3,28%, enquanto para o ano que vem a revisão foi de 3,78% para 3,73%. Esse último dado deve cair mais, à medida que as instituições avaliem melhor o impacto deflacionário da POF no ano que vem. Em outras palavras, há uma avenida aberta para a redução da Selic.

Hoje, a propósito, o Banco Central divulgou o seu IBC-Br, que busca avaliar o nível de atividade com base em pesquisas de periodicidade mensal. É um espécie de sumário das pesquisas recém divulgadas: PIM-PF, PMS e PMC. A tabela abaixo resume os dados do índice nos últimos três meses.

Variação do IBC-Br (%)
Mensal Trimestral Interanual Anual
Jun/19 0,32 -0,14 -1,47 1,15
Jul/19 -0,07 0,92 1,62 1,13
Ago/19 0,07 0,90 -0,73 0,87

Como se vê, o resultado de agosto mostra por um lado um avanço na margem - contra o mês anterior - e uma retração na comparação interanual - contra o mesmo mês do ano anterior. No acumulado em 12 meses, o índice cresceu 0,87% até agosto, na comparação com os 12 meses anteriores. Abaixo, um resumo da evolução das principais métricas calculadas a partir dos números-índices do IBC-Br.

 

No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R, nós temos uma apresentação completa sobre como tratar o índice. Ela está disponível aqui.

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Indicadores: cenário de inflação segue bastante tranquilo

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O Relatório Focus divulgado agora há pouco pelo Banco Central trouxe, pela 9ª semana seguida, queda na expectativa para o IPCA esse ano. Agora, espera-se alta de 3,42% a.a. Para 2020, a expectativa é de 3,78% a.a. Ou seja, a expectativa mediana do mercado é de inflação abaixo da meta esse e no próximo ano, dada a ainda elevada ociosidade da economia. Cálculos do IPEA notam que o PIB efetivo está ainda 3% abaixo do potencial, no segundo trimestre de 2019.

Nesse cenário, parece consensual uma taxa básica de juros abaixo de 5% no final do ano. Como mostra o gráfico acima, a mediana do TOP5 (de curto prazo) coloca a Selic em 4,75%, com uma mínima em 4,5%. Esse valor, na minha visão, parece bastante confortável de ser atingido, dado o cenário condicional para a inflação no próximo ano extraído dos modelos semi-estruturais.

Para a semana, teremos a divulgação do IPCA de setembro na quarta-feira, do Varejo de agosto na quinta e dos Serviços também de agosto na sexta. A conferir se varejo e serviços irão acompanhar os bons ventos trazidos pela produção industrial em agosto.

Uma apresentação em RMarkdown do boletim Focus está disponível aqui.

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Mediana do TOP5 indica Selic a 4,75% no final do ano

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No boletim Focus divulgado hoje pela manhã pelo Banco Central, chama atenção a correção na taxa básica de juros esperada para o final do ano no grupo conhecido como TOP-5, as 5 instituições melhor pontuadas no ranking de curto prazo. Dentro desse grupo, houve correção na mediana do dia 19 para o dia 20 último, de 5% para 4,75% para a selic esperada no fim de 2019. O intervalo das projeções vai de 4,25% a 5%. Os dados, a propósito, podem ser coletados utilizando o pacote rbcb, disponível no github. Abaixo, um exemplo de código:


library(rbcb)

selic_top5 = get_top5s_annual_market_expectations('Meta para taxa over-selic', start_date = '2019-01-04')
selic_esperado_top5 = selic_top5$median[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
selic_esp_min_top5 = selic_top5$min[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
selic_esp_max_top5 = selic_top5$max[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']
dates = selic_top5$date[selic_top5$indic_detail=='Fim do ano'&selic_top5$reference_year=='2019'&selic_top5$type=='C']

data5 = data.frame(dates=dates, selic=selic_esperado_top5,
min=selic_esp_min_top5, max=selic_esp_max_top5)

Com os dados à disposição, podemos gerar um gráfico como o abaixo usando o pacote ggplot2.

 

Isto é, a mediana do TOP5 Curto Prazo indica que deve haver mais dois cortes até o final do ano: um de 50 pontos-base e outro de 25 pontos-base. O ajuste na selic esperada ocorre após a divulgação do comunicado do Banco Central na quarta-feira, que deixou bastante claro o cenário benigno para a inflação projetada. Nas palavras do Banco:

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05*, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020.

Isto é, temos uma inflação abaixo da meta tanto esse quanto no próximo ano, se a taxa de juros ficar em 5% a.a. Há, portanto, espaço para uma taxa de juros abaixo dessa patamar. Ao rodar modelos similares aqueles adotados pelo Banco Central, temos trajetórias de inflação comportadas mesmo com a Selic projetada de 4,25%, já que o câmbio está com baixo repasse, dada a abertura do hiato e a queda das commodities.

É, portanto, difícil acreditar que o Banco Central encerrará o ciclo em 5% na próxima reunião, com mais 50 pontos-base de corte. Estão dadas as condições para termos juros nominais abaixo de 5% ainda esse ano. Possivelmente, mais um corte adicional de 50 pontos-base, totalizando um orçamento de 200 pontos nesse ciclo de expansão da política monetária. Esse orçamento, diga-se, é condizente com inflação na meta - 4% - em 2020. Em 2019, o mais provável é que o Banco Central entregue uma inflação abaixo da meta de 4,25%.

Depreciação cambial ainda não preocupa

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O boletim Focus divulgado agora há pouco trouxe poucas novidades. O destaque é que, pela quarta semana seguida, a mediana das instituições consultadas corrigiu a expectativa para a taxa de câmbio R$/US$ no final do ano. Agora, espera-se que o câmbio feche próximo a 3,87 R$/US$. A despeito disso, a inflação esperada segue em queda, agora esperada em 3,54% para o ano de 2019. O motivo disso é que o repasse cambial parece estar sendo compensado pela queda dos preços de commodities e, obviamente, pela ociosidade ainda grande da economia.

Para a semana, o destaque é a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio na quarta e da Pesquisa Mensal de Serviços na quinta-feira. Ambas as pesquisas contam com scripts automáticos que são detalhados em nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R. Maiores detalhes sobre o boletim Focus, veja nossa apresentação automática aqui.

Para nossos alunos do plano premium e para todos os assinantes do Clube do Código, a Edição 48 constrói um modelo que busca medir o repasse cambial para a inflação. Em média, a cada 10% de desvalorização, estimamos um repasse de 0,56 p.p. em um trimestre. Como dito acima, entretanto, esse repasse não é automático, uma vez que pode ser compensado pela ociosidade da economia e por outros fatores como preços de commodities.

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