Como o Banco Central reage a choques cambiais?

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Na edição 42 do Clube do Código, discutimos a relação entre o Índice de Volatilidade VIX e a taxa de câmbio BRL/USD. Verificamos que existe uma causalidade - no sentido de Granger - na direção do índice de volatilidade para o câmbio, como esperado, bem como observamos que um choque naquele causa uma reação neste. De forma a complementar o entendimento do momento atual vivido pela economia brasileira, resolvemos verificar na edição 43 como o Banco Central reage a um choque cambial. Mais especificamente, vamos verificar se o Banco Central reage a um choque na volatilidade da taxa de câmbio.

Segundo a teoria normativa de política monetária, Bancos Centrais sob regimes de câmbio flutuante devem reagir a choques cambiais. Ball (2002), por exemplo, propõe uma regra de Taylor na qual a taxa de juros reage a choques cambiais

(1)   \begin{align*} r = r_n + e(\pi - \pi^M) + f y + h \varepsilon_3 \end{align*}

onde \varepsilon_3 é um choque cambial e h é um parâmetro positivo. Isto é, a taxa de juros deve reagir a choques cambiais temporários que incidem sobre a economia.

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De modo a verificar se é este o caso em termos empíricos, resolvemos estimar um BVAR com Minnesota prior, extraindo do modelo as funções de impulso na volatilidade do câmbio, no desvio da inflação em relação à meta e no hiato do produto e a resposta na taxa de juros SELIC. De forma a implementar o modelo, coletamos a taxa SELIC, a inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA, o PIB mensal e a taxa de câmbio R$/US$ diretamente do Banco Central através do pacote BETS para o período de janeiro de 2007 a abril de 2018. Ademais, construímos a série de volatilidade do câmbio através da estimação de um modelo GARCH(1,1).

Para estimar o nosso modelo BVAR, vamos utilizar uma Minnesota prior, considerando os coeficientes autorregressivos das variáveis como informação prévia. A prévia de Minnesota envolve, basicamente, substituir \Sigma, a matriz de covariância dos termos de erro, por uma estimativa, isto é, \hat{\Sigma}. O Minnesota prior original é ainda mais simples ao assumir que \Sigma é uma matriz diagonal. Uma vez estimado nosso modelo, podemos extrair as funções de impulso na volatilidade do câmbio, no desvio da inflação e no hiato do produto e a resposta da taxa Selic.

No presente exercício, procuramos verificar como o Banco Central reage, por meio de mudanças na taxa básica de juros, a choques ocorridos em variáveis macroeconômicas selecionadas. Em particular, devido à conjuntura atual, estávamos interessados em verificar como o Banco Central reage a um choque na taxa de câmbio BRL/USD. Para isso, utilizamos tanto o câmbio em nível quanto em primeira-diferença, obtendo como consequência resultados contra-intuitivos. Ao invés de uma resposta positiva a um choque cambial, o que observamos foi uma resposta neutra ou levemente negativa.

Uma possível explicação para isso é que no período do exercício, o Banco Central preferiu utilizar outros instrumentos em meio a choques na taxa de câmbio, como, por exemplo, ofertando swaps cambiais. Soou razoável, nesse aspecto, verificar como o Banco Central reage à volatilidade da taxa de câmbio. Isso porque, um aumento grande da volatilidade dessa variável têm impactos não desprezíveis sobre o ambiente econômico. Os resultados encontrados sugerem que a autoridade monetária reage a aumentos de volatilidade no câmbio, ainda que de forma defasada. Membros do Clube do Código, como sempre, têm acesso a um pdf detalhado com todos os códigos, explicações e referências, além de acesso aos scripts do exercício. 

 

 

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Vítor Wilher é Bacharel e Mestre em Economia, pela Universidade Federal Fluminense, tendo se especializado na construção de modelos macroeconométricos, política monetária e análise da conjuntura macroeconômica doméstica e internacional. Tem, ademais, especialização em Data Science pela Johns Hopkins University. Sua dissertação de mestrado foi na área de política monetária, titulada "Clareza da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil", defendida perante banca composta pelos professores Gustavo H. B. Franco (PUC-RJ), Gabriel Montes Caldas (UFF), Carlos Enrique Guanziroli (UFF) e Luciano Vereda Oliveira (UFF). Já trabalhou em grandes empresas, nas áreas de telecomunicações, energia elétrica, consultoria financeira e consultoria macroeconômica. É o criador da Análise Macro, startup especializada em treinamento e consultoria em linguagens de programação voltadas para data analysis, sócio da MacroLab Consultoria, empresa especializada em cenários e previsões e fundador do hoje extinto Grupo de Estudos sobre Conjuntura Econômica (GECE-UFF). É também Visiting Professor da Universidade Veiga de Almeida, onde dá aulas nos cursos de MBA da instituição, Conselheiro do Instituto Millenium e um dos grandes entusiastas do uso do no ensino. Leia os posts de Vítor Wilher aquiCaso queira, mande um e-mail para ele: vitorwilher@analisemacro.com.br

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