Desindustrialização, Brasil Maior e temas correlatos

Nesse Brasil varonil, abençoado por Deus e bonito por natureza, já se praticou de tudo um pouco em matéria de intervenção do Estado na economia. Na maior parte das vezes, em função [claro] de interesses de uma [pequena] parte da sociedade. O recém-lançado [e polêmico] programa Brasil Maior soma-se, assim, aos tantos planos, tratados e gatilhos registrados em nossa historiografia econômica. A criatividade brasileira é mesma de saltar aos olhos!

Ao leitor desavisado, resumamos o Brasil Maior no que segue: é um programa que visa dar um "alívio tributário" a alguns setores [tidos como estrategicamente afetados pela concorrência externa] da economia. Pronto. É só isso. Mesmo que um ou outro ache que não. O programa não resolve o problema, por exemplo, da nossa alta [e burocrática] carga tributária, da nossa insegurança jurídica ou de nossa pobre infra-estrutura. Ao contrário, o programa "escolhe vencedores". Protege alguns setores [possivelmente alijados no poder] contra a concorrência [tida como desleal] chinesa.

Esse, leitor, é o nosso jeito de resolver as coisas. Em nossa industrialização, por exemplo, ao invés de liberalizar os setores à medida que o processo avançava, mantivemos o "arcabouço de proteção", gerando uma indústria pouco competitiva, que praticava preços elevados e não se interessava por inovação - dado que estava confortavelmente protegida. O choque da década de 90, nossa "segunda abertura dos portos", entregou a indústria brasileira à competição internacional. Não sem âncoras, como constumam dizer os críticos. O BNDES, por exemplo, continuou existindo e financiando [à taxas subsidiadas] a indústria nacional.

A defesa de alguns setores em detrimento de todo o conjunto da população, aliás, é uma prática corriqueira em nosso país. Lembre-se o leitor que nos idos do século XIX [e início do XX] o produto "estratégico" era o café e a ele eram devidos toda a sorte de incentivos e proteções. Quando veio a crise de 29 e o café já não dava mais frutos ao Erário foi a vez de aceitar a tese cepalina e dedicar "sangue, suor e lágrimas" à substituição de importações. Tudo, claro, com imensos custos para o país [leia-se: maiores preços para os consumidores].

Não tenha dúvidas, leitor, sobre duas coisas. A primeira é que proteção [contra a concorrência externa] a um determinado setor significa preços internos maiores - nós, os consumidores, pagaremos a conta. A segunda é que ao invés de "eleger vencedores", deveríamos fazer aquela lição de casa: insistir nas reformas e em inovação. Essas [e somente essas] nos dariam maior competitividade em relação à China ou a qualquer outro país.

Para saber mais, leia aqui e aqui.

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