Routines no Claude: agente trabalhando sem você

Uma Routine do Claude Code é um agente agendado: prompt, repositório e conectores salvos uma vez e executados na nuvem da Anthropic no horário definido por cron. O post mostra a anatomia de uma Routine e o projeto que resume o boletim Focus do BCB toda segunda: um GitHub Action baixa o PDF (o BCB bloqueia IPs de nuvem) e a Routine escreve o resumo e abre um Pull Request para a sua revisão.

Uma Routine do Claude Code é um agente de IA que trabalha agendado: você salva uma vez o prompt, o repositório e os conectores, e a execução acontece na nuvem da Anthropic no horário definido, com o seu computador desligado.

Neste tutorial, o agendamento resolve uma tarefa concreta de quem acompanha a economia brasileira. Toda segunda-feira às 10h, a Routine lê o boletim Focus do Banco Central, escreve um resumo executivo com as três principais revisões de expectativas e abre um Pull Request, o pedido de revisão de mudanças do GitHub, para você aprovar antes de repassar o texto ao time.

Projeto de Routine no Claude Code para o resumo semanal do Focus: fonte no BCB, entrega em Pull Request e pipeline em duas etapas
O projeto em uma tela: a fonte (Focus do BCB), a entrega (resumo revisável via Pull Request) e o pipeline em duas etapas.

O desenho tem duas peças porque o BCB bloqueia downloads vindos de datacenters. Um GitHub Action, o serviço de automação do próprio GitHub, baixa o PDF às 9h15 e commita o texto extraído no repositório; a Routine entra às 10h apenas para interpretar esse texto e escrever o resumo. As próximas seções mostram como cada peça funciona e as seis etapas que colocam o conjunto em produção.

Claude Code para economistas, administradores e contadores

Esta Routine é um dos projetos da imersão da Análise Macro: você instala o Claude Code, conecta o GitHub e sai com um agente agendado analisando dados econômicos reais, no passo a passo completo.

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Vinte minutos toda segunda, no mesmo roteiro

O Focus é a pesquisa semanal do Banco Central que consolida as expectativas de cerca de 100 instituições financeiras para IPCA, PIB, Selic e câmbio, publicada toda segunda às 8h30 (na terça, quando a segunda é feriado). Em muitas mesas de análise, alguém baixa o PDF, compara com a semana anterior e escreve o parágrafo que circula no e-mail ou no Slack antes da reunião das 10h.

São uns vinte minutos numa tarefa cujo roteiro nunca muda: mesmo site, mesmo PDF, mesma estrutura de variáveis. Como o trabalho envolve ler texto corrido e resumir, um script tradicional não dá conta sozinho, e a escolha da ferramenta passa a depender do tipo de tarefa.

Script, chatbot ou agente agendado

Quatro caminhos cobrem a maior parte dos casos, cada um com um equilíbrio diferente entre agendamento, leitura de texto e dependência da sua presença. Dois termos ajudam a ler a tabela: cron é o agendador clássico dos sistemas Unix, em que uma expressão de cinco campos define minuto, hora e dia do disparo; LLM (modelo de linguagem) é o motor que interpreta e escreve texto em ferramentas como o Claude.

Como Agenda sozinho? Lê texto livre? Precisa de você?
Script + cron (Python, R) Sim Não Só se quebrar
Chatbot no navegador Não Sim Presente, todo dia
n8n / Zapier + LLM Sim Sim Configurar o fluxo visual
Routine (Claude Code) Sim Sim Revisar o PR depois

Quatro formas de automatizar uma tarefa recorrente que envolve texto. Elaborado por analisemacro.com.br.

A decisão fica mais clara classificando a tarefa em três regimes. Código puro serve quando o dado chega estruturado por API ou CSV e nenhuma interpretação é necessária; um script agendado resolve. LLM puro serve quando o trabalho é só ler e resumir texto, caso de um chatbot usado manualmente. O resumo do Focus mistura os dois mundos, porque exige interpretar texto livre e ainda versionar o resultado num repositório, e é esse regime híbrido que justifica uma Routine.

Três regimes de automação: código puro para dado estruturado, LLM para ler texto livre e híbrido, onde a Routine entra
O regime híbrido combina interpretação de texto com execução de código; o resumo do Focus vive aí.

O que é uma Routine do Claude Code

Uma Routine é uma configuração salva do Claude Code: um prompt, um ou mais repositórios e um conjunto de conectores, empacotados uma vez e executados automaticamente na infraestrutura da Anthropic. A rotina segue rodando com o notebook desligado, e cada execução deixa um transcript com tudo o que o agente fez.

Há três formas de criar a mesma Routine: pelo site claude.ai/code/routines, pelo aplicativo desktop ou pelo comando /schedule dentro do Claude Code, na pasta de um projeto com repositório Git conectado. O recurso está em research preview, então limites e nomes ainda podem mudar.

O disparo pode vir de três gatilhos: um agendamento por cron, uma chamada de API externa ou um evento do GitHub, como a abertura de um PR. No projeto do Focus usamos o agendamento, e a expressão 0 13 * * 1 significa toda segunda às 13h UTC, 10h de Brasília.

Anatomia de uma Routine

Toda Routine se decompõe em quatro decisões: de onde parte, com o que se conecta, quando dispara e onde entrega.

Anatomia de uma Routine do Claude Code: ponto de partida, conectores, trigger e entrega em PR, e-mail, Slack ou Notion
As quatro decisões de uma Routine: ponto de partida, conectores, trigger e entrega.

O ponto de partida define se a Routine recebe só um prompt, um prompt com repositório pronto (o caso do Focus) ou um prompt com repositório que o próprio Claude vai criar. Os conectores definem com o que o agente conversa: um conector é a ponte que dá ao agente acesso a um serviço externo, como GitHub, Slack ou Notion, sem você programar a integração.

O gatilho define o quando, e a entrega define o destino do resultado: PR no GitHub, e-mail, mensagem no Slack ou página no Notion, com destinos combináveis na mesma execução. Na hora de desenhar uma Routine nova, três perguntas resolvem a arquitetura: tem código no fluxo (se sim, precisa de repositório)? Roda sozinha ou reage a algo? Quem lê o resultado?

Três perguntas para desenhar uma Routine: tem código no fluxo, roda sozinha ou reage a algo, e quem lê o resultado
Três perguntas resolvem o desenho: código no fluxo pede repositório, disparo autônomo pede agendamento, leitor define o canal.

Duas peças: Action determinístico, Routine interpretativa

A primeira tentativa intuitiva é colocar tudo dentro da própria Routine: baixar o PDF, extrair o texto e resumir. O download falha, porque o BCB bloqueia requisições vindas de IPs de nuvem (Anthropic, AWS, GCP), justamente a faixa em que a Routine roda.

A saída é separar o pipeline em duas peças com responsabilidades distintas. O GitHub Action cuida da parte determinística: roda às 9h15 de Brasília, baixa o PDF do Focus mais recente com um script Python, extrai o texto com a biblioteca pdfplumber e commita os dois arquivos no repositório. Como o Action executa em IPs do GitHub, que o BCB não bloqueia, o download passa, e nenhum modelo de linguagem participa dessa etapa. No agendador do workflow, a linha que marca o horário é uma só:

cron: '15 12 * * 1'   # segunda-feira, 12h15 UTC = 9h15 em Brasília

A Routine cuida da parte interpretativa: entra às 10h, lê o texto já commitado, escreve o resumo executivo com as três principais revisões da semana e abre o PR numa branch de revisão. A folga de 45 minutos entre as duas peças garante que o texto esteja no repositório quando o agente começar a procurar.

O prompt da Routine é um roteiro em passos numerados com regras explícitas de aborto, porque o agente roda sem ninguém olhando: cenários de falha ficam escritos, não implícitos. Um trecho dá o tom do documento:

2. Verifique o frescor do texto: 0 a 3 dias, siga; 4 a 7 dias,
   marque o PR como [REVISAR]; mais de 7 dias, pare sem abrir PR.
[...]
Nunca dê push direto em `main`. Nunca invente número.

A regra "nunca invente número" obriga o agente a citar apenas medianas presentes no texto extraído, de preferência com citação literal entre aspas. O restante do prompt define o formato do resumo (até 200 palavras, começando pelas medianas de IPCA, Selic, PIB e câmbio), os critérios de sanidade do texto e o padrão de branch e de título do PR.

As seis etapas até rodar sozinha

Seis etapas colocam o conjunto em produção, na ordem em que precisam acontecer: validar localmente, subir o repositório, testar o Action, autorizar o agente, agendar e disparar.

Seis etapas até a Routine do Focus rodar sozinha: teste local, repositório, Action validado, GitHub App, /schedule e produção
As seis etapas: validação local, repositório, Action, GitHub App, agendamento e primeiro disparo.

As três primeiras validam a parte determinística: rodar os scripts na sua máquina para confirmar que o PDF baixa e o texto sai legível, subir o repositório liberando as permissões de escrita dos Actions, e disparar o workflow manualmente para conferir que os arquivos aparecem commitados.

As três últimas ligam o agente: instalar o GitHub App da Anthropic e selecionar o repositório, o que autoriza a leitura do código; criar a Routine com o /schedule, colando o prompt e apontando o conector MCP do GitHub, por onde o agente cria branch, commita e abre o PR; e disparar a primeira execução manual para acompanhar o transcript antes de confiar no automático.

O primeiro disparo e o ajuste do prompt

Na primeira execução, o transcript mostra o agente clonando o repositório, localizando o texto mais recente, checando o frescor, escrevendo o markdown e abrindo o PR. Você recebe a notificação do GitHub, revisa o diff e faz o merge; a partir da segunda-feira seguinte, tudo roda sozinho às 10h.

O primeiro disparo é também onde o prompt evolui. Se o resumo veio sem citação literal, a exigência entra no prompt; se uma hipótese de revisão soou inventada, entra um exemplo do que conta como hipótese aceitável. Cada erro vira uma linha nova, e em duas ou três semanas a Routine estabiliza.

Um agente sem supervisão precisa deixar rastro, e aqui são três trilhas: o transcript de cada execução na página de Routines, o histórico de PRs abertos pelo bot no repositório e os logs do Action na aba correspondente. Ative a notificação por e-mail de falha do Action, porque sem ela o problema só aparece na segunda-feira em que o PR não chega.

O mesmo padrão para outros boletins

O par Action determinístico + Routine interpretativa, fechando em PR para revisão humana, se transfere para outros documentos recorrentes com ajustes pequenos.

Produto Ajustes mínimos
Ata do Copom Trocar URL e agenda (8 reuniões por ano em vez de semanal)
Relatório Trimestral de Inflação Trocar a fonte e expandir o prompt para comparações entre trimestres
Boletim fiscal do Tesouro (STN) Trocar a fonte; manter o resto
Release do IBC-Br Action baixa a planilha; Routine compara mês contra mês

Quatro variações do mesmo padrão. Elaborado por analisemacro.com.br.

A primeira Routine custa o tempo de entender os conectores, as permissões e o ciclo Action → Routine → PR; a segunda custa metade, porque a arquitetura já está resolvida. O projeto do Focus funciona como template.

Considerações finais

Uma Routine muda o lugar do analista no fluxo: em vez de produzir o resumo, ele revisa um resumo que chega pronto, com a garantia de que nenhum número circula sem passar pelo seu merge. A parte repetitiva (baixar, extrair, compilar) vira infraestrutura, enquanto a leitura crítica continua humana.

O padrão serve a qualquer profissional que acompanha documentos recorrentes de fontes públicas:

  • Economistas: Focus, atas do Copom e relatórios de inflação resumidos e comparados semana a semana, com o histórico versionado no repositório.
  • Administradores: relatórios recorrentes de mercado e de concorrência transformados em resumo executivo agendado, liberando a equipe para a decisão em vez da compilação.
  • Contadores: comunicados de órgãos reguladores e atualizações de normas acompanhados no automático, com resumo revisável antes de circular para os clientes.

Montar a primeira Routine exige entender o agendamento, os conectores e o desenho do prompt; a partir da segunda, o padrão se repete com outra fonte e outro cron.

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Na imersão Claude Code para economistas, administradores e contadores, você constrói este projeto do início: instala o Claude Code, conecta o GitHub, escreve o prompt da Routine e vê o Pull Request chegar. Quem quer acesso a todas as formações da Análise Macro tem o AM Black, a assinatura anual.

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