Como coletar dados da B3 no R com o pacote {rb3}

Coletar dados da B3 no R fica simples com o pacote {rb3}: em poucas linhas você baixa as cotações históricas de ações, FIIs, FIDCs, ETFs e BDRs de um ano inteiro. Neste tutorial mostramos o passo a passo e terminamos com o ranking dos ETFs que mais subiram e caíram em 2025 — ouro e financeiro no topo, cripto no fundo.

Como coletar dados da B3 no R com o pacote {rb3}

Coletar dados da B3 no R leva poucas linhas com o pacote {rb3}: você baixa as cotações históricas de ações, FIIs, FIDCs, ETFs e BDRs de um ano inteiro e chega direto a uma tabela pronta para analisar. Neste tutorial mostramos como fazer isso do começo ao fim e terminamos com um ranking dos ETFs que mais subiram e mais caíram em 2025.

O arquivo bruto de cotações da B3 (o COTAHIST) é grande e de formato difícil. O {rb3} baixa esse arquivo, trata o formato e entrega tudo como uma tabela do R. Abaixo, o resultado que vamos construir: as maiores altas e baixas entre os ETFs líquidos da bolsa no ano.

Gráfico de barras das 5 maiores altas e baixas entre ETFs da B3 em 2025, coletadas com o pacote rb3 no R: BRZP11 e GOLD11 no topo, META11 e CHIP11 no fundo
As 5 maiores altas e baixas entre ETFs líquidos da B3 em 2025. Fonte: B3, via pacote {rb3}.

Ouro e setor financeiro no topo, cripto e tecnologia de nicho no fundo: o gráfico resume o ano na bolsa. Nas próximas seções você vê como chegar até ele, passo a passo.

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O que é o pacote {rb3}

O {rb3} é um pacote de R, criado por Wilson Freitas e Marcelo Perlin, que automatiza o download e o tratamento dos dados públicos da B3, a bolsa brasileira. Ele resolve a parte chata: ir ao site da B3, baixar o arquivo certo, decodificar o formato de largura fixa e devolver uma tabela limpa.

O dado central é o COTAHIST, o arquivo de cotações históricas da B3. Para cada papel negociado, ele traz preço de abertura, máxima, mínima, fechamento e volume do pregão. É a base de praticamente toda análise quantitativa de mercado no Brasil.

As classes de ativo que dá para coletar

Uma mesma função do {rb3} traz cinco tipos de ativo diferentes. Cada sigla é uma classe distinta:

📈

Ações
Frações do capital de uma empresa (PETR4, VALE3), o ativo mais conhecido da bolsa.
🌎

BDRs
Recibos que representam ações de empresas estrangeiras (Apple, Google) negociados aqui.
🧺

ETFs
Fundos de índice: uma cota carrega uma cesta inteira (BOVA11 segue o Ibovespa).
🏢

FIIs
Fundos imobiliários: investem em imóveis ou títulos do setor e distribuem rendimentos.
🧾

FIDCs
Fundos lastreados em recebíveis (duplicatas, parcelas a receber). Classe menos comum.

O método, passo a passo

A coleta com o {rb3} segue três etapas. O código em si é a isca da newsletter; aqui explicamos o que cada passo faz.

1. Configurar o cache

O pacote guarda os arquivos baixados em uma pasta local, o cache, para não repetir downloads pesados. Antes de tudo, apontamos essa pasta e rodamos uma função de inicialização que cria a estrutura de diretórios. Sem isso, o pacote usa uma pasta temporária que some ao fechar a sessão.

2. Baixar as cotações do ano

Uma função de coleta baixa o arquivo anual do COTAHIST e o processa para um banco local; outra recupera esse dado já tratado como uma consulta preguiçosa (só carrega na memória quando você pede). O primeiro download demora, porque o arquivo tem dezenas de megabytes; as leituras seguintes são instantâneas, direto do cache.

3. Separar cada classe de ativo

O COTAHIST mistura tudo no mesmo arquivo. A família de funções cotahist_filter_*() separa cada classe: cotahist_filter_equity() para ações, cotahist_filter_bdr() para BDRs, cotahist_filter_etf() para ETFs, e assim por diante. Cada uma devolve a tabela só daquela classe.

O que a B3 negociou em 2025

Contando os tickers únicos de cada classe no arquivo anual de 2025, temos o retrato do mercado. Os BDRs lideram em variedade, seguidos das ações; os FIDCs quase não aparecem no pregão.

Classe de ativo Nº de tickers (2025) Função de extração
Ações 452 cotahist_filter_equity()
BDRs 1.091 cotahist_filter_bdr()
ETFs 233 cotahist_filter_etf()
FIIs 438 cotahist_filter_fii()
FIDCs 2 cotahist_filter_fidc()

Ativos disponíveis no COTAHIST anual de 2025. Fonte: B3, via pacote {rb3}.

Os ETFs que mais subiram e caíram em 2025

Com os dados na mão, calculamos o retorno no ano de cada ETF: a variação percentual entre o primeiro e o último pregão. Usamos só os ETFs líquidos (negociados na maior parte do ano e com volume relevante), para o ranking refletir o mercado e não papéis quase sem negociação.

Por que só os ETFs, e não as ações? Porque os preços do COTAHIST não são ajustados por proventos (dividendos e desdobramentos). Nas ações, isso distorce o retorno; nos ETFs, o cálculo direto já funciona bem.

ETF Retorno em 2025
BRZP11 +99,5%
BDEF11 +49,2%
FIND11 +46,8%
TRIG11 +46,0%
GOLD11 (ouro) +44,5%
QSOL11 −46,9%
WEB311 −58,2%
DEFI11 (cripto) −61,6%
CHIP11 −78,3%
META11 (cripto) −79,2%

As 5 maiores altas e baixas entre ETFs líquidos da B3 em 2025. Fonte: B3, via pacote {rb3}.

  • Ouro no topo. O GOLD11, ETF que acompanha o ouro, rendeu +44,5% — o metal foi refúgio clássico em um ano de incerteza.
  • Financeiro em alta. ETFs do setor financeiro, como o FIND11 (+46,8%), acompanharam o bom desempenho dos bancos.
  • Cripto e tech no fundo. META11 (−79,2%), CHIP11 (−78,3%) e DEFI11 (−61,6%) são ETFs temáticos de criptoativos e tecnologia de nicho, que sofreram forte realização no ano.

As ferramentas por trás

Logo da linguagem R
R — a linguagem em que todo o exercício é feito: coleta, tratamento e gráfico no mesmo ambiente.
{rb3}
{rb3} — baixa e trata os dados da B3 (o arquivo COTAHIST) e entrega cada classe de ativo como tabela pronta.
{dplyr}
{dplyr} e {ggplot2} — filtram, agrupam e resumem as tabelas, e desenham o gráfico final no padrão da casa.

Considerações finais

Este exercício mostra o que a linguagem R torna possível: reproduzir, com dados públicos e poucas linhas, uma coleta que antes exigiria baixar arquivos na mão e decodificar formatos ilegíveis. O dado da bolsa brasileira fica a um comando de distância.

O R reúne, no mesmo lugar, as três pontas de qualquer análise de mercado: coletar, tratar e visualizar. Com pacotes como o {rb3}, feitos sob medida para o dado brasileiro, ele se torna a ferramenta natural de quem trabalha com finanças no país.

O alcance vai além deste exercício. O mesmo caminho — coletar, tratar, calcular, visualizar — se repete em quase todo problema da área. O que muda é a aplicação:

  • Analista de investimentos: monta rankings de retorno e risco por classe de ativo com dado atualizado, sem depender de planilhas de terceiros.
  • Gestor de carteira: alimenta modelos de alocação e rebalanceamento direto da fonte oficial da B3.
  • Trader: testa estratégias sobre o histórico completo de preços e volumes, ETF a ETF.
  • Risco e compliance: reconstrói séries de preços auditáveis, com origem rastreável no dado público da bolsa.

Aprender a linguagem é o que abre a porta para todas essas frentes.

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