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commodities Archives - Análise Macro

Medindo o efeito das Commodities sobre a inflação brasileira

By | Comentário de Conjuntura

O período da pandemia tem sido marcado por diversos choques que têm afetado a economia mundial. Em particular, o mundo assiste a um avanço bastante forte nos preços das commodities, inclusive as da área de energia, que são utilizadas como insumo em diversas cadeias produtivas. Um dos efeitos mais nítidos desse aumento nas commodities é o avanço da inflação na maior parte dos países. Nesse Comentário de Conjuntura, buscamos verificar o impacto das commodities na chamada inflação de preços livres no Brasil a partir da estimação de uma Curva de Phillips aos moldes do que faz o Banco Central em seu modelo de pequeno porte.

O objetivo do exercício será estimar uma forma reduzida da Curva de Phillips do Modelo Semiestrutural de Pequeno Porte do BCB, conforme descrito abaixo:

(1)   \begin{align*} \pi_t^{livres} = \sum_{i>0} \beta_{1i} E_t \pi^{total}_{t+i} +\sum_{j>0} \beta_{2j} \pi^{total}_{t-j} +\sum_{k \geq 0} \beta_{3k} \pi^{importada}_{t-k} + \sum_{l>0} \beta_{4l} hiato_{t-l} + \sum_{m = 1}^4 D_m + \epsilon_t  \end{align*}

com a imposição da restrição de verticalidade de longo prazo:

(2)   \begin{align*} \sum_{i>0} \beta_{1i} +\sum_{j>0} \beta_{2j} +\sum_{k \geq 0} \beta_{3k} = 1 \end{align*}

Basicamente, a inflação dos preços livres é uma função linear da inflação passada, das expectativas de inflação, do hiato do produto e da inflação importada, que aqui será captura por um índice de commodities produzido pelo próprio Banco Central.

A reprodução do exercício está disponível para os membros do Clube AM. Uma aula sobre o assunto está disponível no nosso Curso de Macroeconometria usando o R.

Só hoje, 7 de abril, estamos com inscrições abertas para o Clube AM, o espaço de compartilhamento de exercícios da Análise Macro. Faça sua inscrição aqui.

O modelo é estimado via mínimos quadrados em dois estágios, utilizando como instrumentos as defasagens das próprias variáveis. Ademais, foram adicionadas dummies para controlar o overshooting do câmbio no início do governo Lula, outra para o governo Dilma Rousseff e uma última para a pandemia do Covid-19.  A seguir, os resultados do modelo.

 

Curva de Phillips com restrição de verticalidade
Variável Dependente: inflação de preços livres
Expectativa 12 meses 0.20***
(0.04)
IPCA Total(-1) 0.76***
(0.03)
IC(-1) 0.04**
(0.01)
Hiato(-1) 0.04
(0.02)
DLula -2.58***
(0.50)
DDilma -1.57*
(0.71)
DCovid 1.70**
(0.53)
Q1 -0.49*
(0.20)
Q2 -1.05***
(0.20)
Q3 -1.18***
(0.21)
eq1: R2 0.62
eq1: Adj. R2 0.57
Num. obs. (total) 75
***p < 0.001; **p < 0.01; *p < 0.05

A amostra contém dados trimestrais que vão desde o quarto trimestre de 2002 até o último trimestre de 2021. Nesse período, o modelo acima mostra que uma variação de 10% na inflação importada, medida pelo Índice de Commodities do Banco Central brasileiro, tem impacto de 0,4 p.p. dentro do trimestre, controlando para as variáveis em relevo.

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A reprodução do exercício está disponível para os membros do Clube AM. Uma aula sobre o assunto está disponível no nosso Curso de Macroeconometria usando o R.

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Coletando e visualizando preços de commodities no R

By | mercado financeiro

No Brasil, é comum acompanhar preços de commodities, afinal, qualquer mudança desses ativos afeta a vida dos brasileiros, seja diretamente ou indiretamente, mesmo para quem não atue no mercado financeiro. No post de hoje, vamos mostrar como é possível coletar dados de commodities e visualizá-los no R.

library(quantmod)
library(tidyverse)
library(timetk)

Após o carregamento dos pacotes, iremos criar os vetores com os tickers dos ativos que iremos coletar. Utilizaremos como fonte o Yahoo Finance, portanto, devemos encontrar os símbolos para a coleta no site.

# Define os tickers que iremos coletar

tickers <- c("KC=F", "NG=F", "CL=F", "SB=F")

Com os símbolos em mãos, podemos retirar os preços a partir do ano de interesse (aqui a partir de 2019), utilizando a função getSymbols(). Em seguida, podemos tratar os dados pegando somente os dados de fechamento e juntando em um só tibble os preços das quatro commodities.

Após isso, transformamos nosso conjunto de dados no formato long, de forma que fique mais fácil utilizar o ggplot para a visualiza-los.

# Retira os preços do Yahoo Finance e realiza o tratamento

prices <- getSymbols(tickers, src = "yahoo",
                     from = "2019-01-01") %>%
  map(~Cl(get(.))) %>% 
  reduce(merge) %>% 
  `colnames<-` (c("Coffee Mar 22", "Natural Gas Dec 21", "Crude Oil", "Sugar #11 Mar 22")) %>% 
  tk_tbl(preserve_index = TRUE,
         rename_index = "date") %>% 
  drop_na()

# Transforma em formato long

prices_long <- prices %>% 
  pivot_longer(cols = -date,
               values_to = "price")


# Plota os preços

prices_long %>% 
ggplot(aes(x = date, y = price, colour = name))+
  geom_line()+
  labs(title = "Preços de Commodities em US$",
       x = "$",
       y = "",
       caption = "Fonte: Yahoo Finance")

Como podemos ver, houve uma escalada de preços do café no ano de 2021. Também é possível notar o momento em que o preço do petróleo cru ficou negativo em abril de 2020.

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(*) Para entender mais sobre Mercado Financeiro e aprender como realizar a coleta, tratamento e visualização de dados financeiros, confira nosso curso R para o Mercado Financeiro.

Inflação no Atacado e o avanço das commodities

By | Comentário de Conjuntura

A inflação segue sendo uma preocupação importante para a conjuntura brasileira, a despeito de um hiato do produto ainda bastante aberto. O IPCA-15 de julho, por exemplo, teve avanço de 0,72%, reagindo, sobretudo, à alta da energia elétrica. Julho é um mês que, sazonalmente, a inflação mensal deveria começar a apresentar algum arrefecimento. A verdade, como temos discutido nesse espaço já há alguns meses, é que a inflação atual está longe de ser fruto de apenas um ou outro choque. Os núcleos e o índice de difusão mostram, de fato, que a inflação atual já é um processo bastante consolidado e que, se houve choques primários no passado, isso se reverberou sobre os demais preços da economia.

Um importante fruto de tensão para os preços ao consumidor, nesse aspecto, como notado pelo Diogo Wolff, no Relatório AM publicado ontem nesse espaço, vem do atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) tem mostrado uma inflação acumulada em 12 meses próxima a 50% nos últimos meses.

Por trás desse aumento consistente do IPA está um avanço forte nos preços das commodities em reais, seja porque houve de fato um aumento de diversas matérias-primas ao longo da pandemia, seja porque o câmbio R$/US$ se depreciou no período.

Tanto o IPA de produtos agrícolas quanto o IPA de produtos industrais apresentaram no período avanços consistentes, fruto em grande parte do aumento das commodities.

A reversão da inflação, por suposto, parece ainda bastante distante do cenário base, ao considerar toda essa pressão vinda do atacado. O hiato do produto aberto, diga-se, dificulta o repasse integral para o varejo, mas é ingênuo imaginar que isso não está ocorrendo.

Sobre isso, em breve, divulgaremos estudo sobre efeito de choques no atacado na inflação ao consumidor, no âmbito do Clube AM.

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Os códigos do exercício estarão disponíveis na plataforma do Clube AM.

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(*) Para entender mais sobre inflação e análise de conjuntura econômica, confira nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R - Versão 5.0.

FMI mantém projeção de crescimento para o Brasil

By | Indicação de Leitura Econômica

Se vale de alguma coisa, o Fundo Monetário Internacional manteve a projeção de crescimento brasileiro para este e o próximo ano em, respectivamente, 4,5% e 4,1% no último relatório Panorama Econômico Mundial - disponível na página da instituição. O crescimento mundial foi projetado em 4,4% para 2011 e 4,5% em 2012. O crescimento do Brasil está, portanto, em linha com o internacional.

clique para ampliar

 

Na análise de "Indicadores de Superaquecimento", o Fundo coloca o Brasil entre as quatro economias mais superaquecidas, em termos de hiato do produto, inflação, taxa de desemprego etc. Mas mesmo assim é dissonante em relação à opinião majoritária do mercado doméstico quanto ao cumprimento da meta de inflação para 2012. Enquanto este é pessimista em relação à atuação do Banco Central, o FMI acredita que os preços convergirão para o centro da meta no próximo ano.

Já as expectativas do mercado doméstico continuam em linha com a eclosão de um processo inflacionário além dos "choques primários de oferta". Desagregando o IPCA, por exemplo, é possível verificar pressões tanto em alimentos e bebidas (impactados pelo aumento dos preços das commodities), quanto nos serviços, que são diretamente impactados pelo aumento do crédito e da massa salarial. É esperar para ver se as medidas prudenciais serão suficientes para conter o ímpeto do crescimento do crédito.

Mais sobre o que disse o FMI aqui e mais sobre o que pensa o mercado doméstico aqui.

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