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O Brasil não decepciona

By | Comentário de Conjuntura

Ontem, eu parei para escrever o comentário de conjuntura dessa semana e a minha ideia inicial era falar sobre a taxa de câmbio, sobre o índice bovespa e também sobre o risco país. Variáveis que sofrem bastante em momentos de turbulência política como agora. O tema da moda, no mundinho dos economistas, é o "furo" do teto, com a ideia fixa do governo de aprovar um auxílio provisório que tem claros objetivos eleitorais.

Mas eu acabei recuando e fechando o RStudio. Resolvi dar uma caminhada na praia, mesmo com o frio que anda fazendo no Rio de Janeiro. Às vezes, é importante dar um passo para trás, de forma a compreender o contexto a que estamos submetidos.

E qual é esse contexto, leitor, em termos de Brasil?

Hoje pela manhã, reabri o RStudio e rodei um script de R que baixa os números índices do PIB brasileiro diretamente do site do SIDRA/IBGE.

Com esses números índices, eu criei algumas métricas de crescimento. O gráfico acima, por suposto, expõe o crescimento acumulado do PIB brasileiro em quatro trimestres. Ele dá uma ideia geral de como andou a economia brasileira desde o final de 1997 até o dias atuais.

Foi uma aventura e tanto.

O período inicial do gráfico é marcado pelo tripé macroeconômico, composto por superávits primários recorrentes, meta de inflação e câmbio flutuante.

Nesse período de convergência macroeconômica, o Brasil acabou aproveitando um ambiente externo bastante favorável, com juros baixos e boom de commodities. Foi uma Belle Époque, que possibilitou uma expansão forte do PIB, início da redução da taxa de desemprego e pesados investimentos na agenda social, com, por exemplo, a criação do Bolsa Família.

Estava tudo muito bem até o estouro da crise do subprime no mercado norte-americano.

A crise de 2008 pegou em cheio a ideia de convergência entre responsabilidade fiscal e agenda social.

O Brasil colocou um terno muito caro e poucas vezes utilizado chamado política econômica anti-cíclica. 

Houve uma implementação forte de políticas fiscais, monetárias e parafiscais que tinham como objetivo conter o pior da crise de 2008.

O uso desse arsenal foi feito em um ambiente onde havia espaço fiscal, graças aos consistentes superávits primários do governo central, da redução da dívida líquida e ainda da melhor composição do endividamento público.

O pós-crise, contudo, mostrou as limitações dessa reação.

O tripé macroeconômico foi abandonado em 2011 e sobre surgiria a nova matriz econômica (NME), uma ideia heterodoxa de que é possível controlar preços, entre eles juros e câmbio.

Além da direção macro, houve diversas ações no campo microeconômico, principalmente através do BNDES, principal braço de execução da política industrial pensada pelo governo da época.

A NME geraria a contabilidade criativa nas contas públicas, o uso de manobras fiscais de modo a dar conta do esforço de tentar reativar a economia.

Como mostra o gráfico acima, isso não deu certo. O crescimento do PIB foi ladeira abaixo até o início de 2016, influenciado pelo ambiente político conturbado e, também, pelas lambanças feitas no campo macro e microeconômico.

O interregno Temer, por suposto, iniciou um novo ciclo reformista, que animou o mercado e culminaria no hoje tão falado Teto de Gastos

Os efeitos do Teto de Gastos são claros para a redução da taxa de juros e mesmo para a desinflação que ocorreria na sequência.

Além disso, o interregno Temer proporcionou uma retomada da economia, como, novamente, pode ser visto no gráfico.

Essa retomada da economia brasileira, contudo, teve um teto. O Brasil chegou a um crescimento acumulado em quatro trimestres de 2% em 2018Q3. Depois disso, foi só ladeira abaixo.

A pandemia, por seu turno, piorou o que já estava ruim, escancarando as restrições de oferta da economia e abrindo a caixa de Pandora em termos fiscais.

Essa semana, por suposto, estamos vivenciando o fim do Teto de Gastos, que foi, em si, a cereja no bolo do interregno Temer, um período que pode ser interpretado como uma tentativa da sociedade brasileira em voltar àquela convergência macroeconômica do início do gráfico.

O que vem por aí?

A criatividade brasileira em termos econômicos e políticos é tanta que não há autor que consiga prever.

Vamos acompanhar, leitor!

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(*) Os scripts do Comentário de Conjuntura estão disponíveis no Clube AM.

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(*) Para entender mais sobre política fiscal e monetária, confira nossos Cursos de Macroeconomia Aplicada.

Transformando os gráficos do ggplot em gifs

By | Data Science

O gganimate é um pacote que permite extender os gráficos do ggplot para uma forma animada, em formato de vídeo ou gif. Esse tipo de visualização pode ser muito interessante, principalmente para apresentações de slides ou textos online. Para demonstrar a funcionalidade do pacote, iremos analisar o comportamento da participação da agropecuária no PIB das microrregiões do Brasil, entre 2002 e 2018. Para capturar os dados, iremos utilizar o pacote sidrar, que faz o download dos dados do IBGE. Já para plotar o mapa, utilizaremos o pacote geobr.

Além dos pacotes carregados pelo library, é necessário instalar os pacotes gifski, png e transformr.

 


#install.packages('gifski')
#install.packages('png')
#install_github("thomasp85/transformr")
library(geobr)
library(sidrar)
library(gganimate)

Além de fazer o download dos dados e dos mapas, é preciso junta-los em um mesmo dataframe por um denominador comum. No caso, utilizaremos o código IBGE da microrregião, presente em ambas as bases.

pib_agro = sidrar::get_sidra(5938,
variable = 516, #variavel e porcentagem do agro no pib
geo = "MicroRegion",
period = "all")

mapa_micro = read_micro_region()
mapa_micro$code_micro = as.character(mapa_micro$code_micro)

merged = dplyr::left_join(mapa_micro, pib_agro, by = c("code_micro" = "Microrregião Geográfica (Código)"))
merged$Ano = as.integer(merged$Ano)

Com o dataframe pronto, é possível plotar o mapa. Veja que os comandos do pacote gganimate são as duas últimas linhas. O comando transition_time faz a definição da variável que vai corresponder aos frames do vídeo. Já com o ease_aes, o pacote faz uma interpolação entre os frames para gerar uma suavização dos dados.


ggplot() +
geom_sf(data=merged, aes(fill=Valor), color= NA) +
labs(subtitle="Participação da agricultura no PIB", size=8) +
scale_fill_continuous(trans = "reverse") +
theme_minimal() +
theme(axis.title=element_blank(),
axis.text=element_blank(),
axis.ticks=element_blank()) +
labs(title = 'Year: {frame_time}') +
transition_time(Ano) +
ease_aes('linear')


Com o mapa, é possível perceber que a participação da agropecuária caiu no período de forma quase geral, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste do país, mas permanece forte em parte das regiões Centro-oeste e Norte.

IBC-Br: Recuperação mais do que comprometida

By | PIB

O Banco Central acabou de divulgar os resultados do Índice de Nível de Atividade da instituição - o IBC-Br - referente ao mês de fevereiro. Nada animadores, diga-se. Pelo segundo mês seguido, a variação na margem veio negativa: 0,73% em relação a janeiro. Também na variação da média móvel trimestral - últimos três meses contra os três meses imediatamente anteriores - houve recuo de 0,21%. Uma indicação de que a recuperação da economia nesse ano está bastante comprometida.

Aprenda a analisar o IBC-Br e vários outros índices no Curso de Análise de Conjuntura usando o R 

Nas métricas mais suavizadas, por seu turno, ainda há crescimento positivo. A variação interanual, o IBC-Br cresceu 2,49% em fevereiro, enquanto no acumulado em 12 meses registra alta de 1,21%.

O pessimismo captado pelo IBC-Br, a propósito, se soma à sétima redução semanal do crescimento previsto para 2019 captado no boletim Focus. No último dado disponível, espera-se crescimento de 1,95%.

O pessimismo está em grande parte associado à possibilidade de não aprovação da reforma da previdência ou à aprovação de uma reforma bem mais desidratada do que a versão entregue pelo governo ao Congresso.

"Aquele 1%": economia se acomoda em 2018

By | Comentário de Conjuntura

No nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R estão disponíveis apresentações feitas em Beamer/LaTeX de diversos indicadores da economia brasileira. Essas apresentações tem por princípio a automatização do processo de coleta e tratamento dos dados, de maneira que a atualização dos resultados pode ser feita em poucos minutos, com mudanças mínimas no script. Isso garante um aumento considerável na produtividade de quem mexe todos os dias com dados macroeconômicos.

Nas últimas semanas, por suposto, tenho trabalhado na transição dessas apresentações para RMarkdown, uma sintaxe mais simples que o LaTeX, que permite uma introdução ainda mais tranquila para quem nunca programou. Como exemplo, coloco nesse post a atualização da apresentação das Contas Nacionais, divulgadas hoje pelo IBGE para o resultado do quarto trimestre do ano passado.

Os alunos do Curso de Análise de Conjuntura usando o R têm acesso a todos os códigos que geram a apresentação, desde a coleta dos dados, o tratamento dos mesmos e a visualização via ggplot2. Como degustação, não alunos podem ver a nova apresentação RMarkdown aqui.

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