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recuperação da economia Archives - Análise Macro

IBC-Br e a recuperação em V

By | PIB

O IBC-Br é um indicador de periodicidade mensal, construído pelo Banco Central, que busca incorporar a trajetória de variáveis consideradas como proxies para o desempenho dos diversos setores da economia. Na 31ª edição do Clube do Código, diga-se, eu faço uma comparação entre o IBC-Br e o PIB, de modo a verificar se aquele é um bom preditor desse. A análise completa do índice é feita no nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R. Aqui, vou mostrar como coletar os dados do índice diretamente do Banco Central, bem como gerar um tratamento e visualização dos dados.

script começa carregando alguns pacotes de R:


## Pacotes
library(tidyverse)
library(scales)
library(Quandl)
library(BETS)
library(tstools)
library(knitr)

Na sequência, eu baixo os dados do Banco Central a partir do pacote BETS. Ademais, já crio as variações que quero para mostrar o avanço do índice no curto prazo.


## Coleta e tratamento dos dados
ibc = BETSget(24363, data.frame=TRUE)
ibc_sa = BETSget(24364, data.frame=TRUE)
ibc_df = inner_join(ibc, ibc_sa, by='date') %>%
as_tibble() %>%
rename(ibc = value.x, ibc_sa = value.y) %>%
mutate(margem = (ibc_sa/lag(ibc_sa,1)-1)*100) %>%
mutate(interanual = (ibc/lag(ibc,12)-1)*100) %>%
mutate(trimestral = acum_i(ibc_sa,3)) %>%
mutate(anual = acum_i(ibc, 12))

De posse dos dados, eu posso criar uma tabela como abaixo, de modo a ilustrar o avanço do índice nos últimos meses.

Índice de Nível de Atividade do Banco Central
Data IBC-Br IBC_sa Margem Interanual Trimestral Anual
2020-03-01 136.34 131.62 -5.93 -1.59 -1.82 0.73
2020-04-01 119.03 119.42 -9.27 -14.27 -6.50 -0.45
2020-05-01 120.37 121.43 1.68 -13.55 -10.99 -1.99
2020-06-01 126.96 127.90 5.33 -6.06 -10.26 -2.36
2020-07-01 136.77 132.64 3.71 -4.30 -2.30 -2.83
2020-08-01 136.66 134.05 1.06 -3.92 5.94 -3.09

Observamos por essa tabela que o índice tem se recuperado nos últimos meses do tombo sofrido em março e abril por conta da pandemia do Covid-19. Na variação interanual, contudo, o índice ainda mostra comparações negativas com igual mês do ano passado. Todas as variações e o índice em nível podem ser mostrados em um gráfico múltiplo como abaixo.


A análise do índice nos últimos meses parece indicar uma recuperação em V, isto é, uma forte recuperação após o tombo do nível de atividade em março e abril.

Como mostro naquele exercício do Clube do Código, contudo, a comparação entre IBC-Br e PIB deve ser vista com cautela.

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O drift perdido: recuperação da economia é frustrante

By | Comentário de Conjuntura

Ontem, eu publiquei aqui no Blog da Análise Macro os resultados do IBC-Br em fevereiro, divulgados pelo Banco Central. Aproveitei o tema para construir o comentário de conjuntura dessa semana, uma vez que tenho visto uma grande preocupação no mercado e na imprensa especializada com a fraca recuperação da economia brasileira nesse início de 2019. Para começar a ilustrar o problema, abaixo coloco o número índice do PIB com ajuste sazonal.

O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por uma economia em um determinado período, como aprendemos em nossos cursos de Teoria Macroeconômica e Análise de Conjuntura usando o R. O normal de uma série como essa é crescer ao longo do tempo - observe que ela possui uma tendência positiva. Em nosso curso de Séries Temporais usando o R, a propósito, aprendemos que uma série como essa é classificada como um passeio aleatório com drift. Às vezes, entretanto, pode acontecer algum problema no caminho, como a Crise de 2008, ilustrada na parte alaranjada no gráfico.

Não é normal, porém, o que está acontecendo na área azul do gráfico. O vale criado pela "Grande Recessão" de 2014-2016 está dificil de ser deixado para trás. Repare o leitor que ainda não conseguimos sequer alcançar o mesmo nível da série de 2014! É basicamente por isso, inclusive, que ainda temos um estoque de desempregados tão elevado no país.

E por que ainda estamos longe desse nível? Porque ainda não conseguimos formar consenso na sociedade brasileira em torno da agenda de reformas, cujos adversários são poderosos caçadores de renda que impedem o país de dar um salto de desenvolvimento. Para esses, quanto mais burocracia, melhor. Impondo dificuldades, vendem-se facilidades.

A necessidade de reformas é bem anterior a 2014, diga-se. Se você tirar a taxa de crescimento do PIB em nível, verá que ela declina desde o final de 2010. Abaixo, nós tomamos a taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres a partir do número índice do PIB sem ajuste sazonal - como aprendemos no nosso curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Em meados de 2010, por suposto, a economia brasileira chegou ao pleno emprego do fator trabalho, o que exigia acionar outras duas alavancas para continuar a crescer (investimento e produtividade). O problema dessas alavancas é que elas reagem mal a intervencionismo macro e micro, marcas de Dilma Rousseff na economia.

A mudança de governo em 2016 sinalizou uma retomada dessa agenda de reformas, o que fez interromper a queda do crescimento, como pode ser visto na área alaranjada do gráfico. Na ponta, porém, o crescimento parece ter se acomodado em torno de 1%, refletindo a dificuldade na aprovação dessa agenda que temos visto todos os dias no Congresso.

De fato, como pode ser visto no gráfico acima, construído a partir do boletim Focus do Banco Central, a expectativa média de crescimento para 2019 mudou de patamar nos últimos 12 meses. Em particular, desde fevereiro, dada a sinalização de que a reforma da previdência pode não ser aprovada, o crescimento tem decaído de forma contundente. No último dado disponível - 12/04 - a média encontra-se em 1,9%, estando entre um mínimo de 1,08% e um máximo de 3,13%.

Tudo isso dito, precisamos urgentemente aprovar a reforma da previdência, garantindo o ajuste nas contas públicas, bem como precisamos conseguir consenso em torno de uma ampla agenda de reformas microeconômicas, que melhore o ambiente de negócios, aumente a produtividade e incentive o investimento privado. Não há outra forma de fazer aquela série do PIB em nível voltar à sua rotina normal de crescimento, garantindo assim a retomada de renda e emprego.

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Como de praxe, o código desse comentário está disponível no repositório do github do Clube do Código.

Como tornar a transição atual sustentável?

By | Artigos de Economia

O Brasil vive atualmente uma transição no campo da política econômica. Após os anos da famigerada Nova Matriz Econômica, o regime de metas de inflação voltou a funcionar, ancorando as expectativas dos agentes, bem como a taxa de câmbio voltou a ser flutuante. O último ponto do tripé, a recuperação dos superávits primários, é a parte mais difícil da transição, porque depende da consolidação das reformas fiscais, que passam pela reforma da previdência e pela desindexação de diversos gastos do governo. O gráfico abaixo, a propósito, ilustra a taxa de crescimento da economia brasileira sob um e outro regime.

 

O gráfico destaca os períodos cobertos pelo tripé macroeconômico e pela Nova Matriz Econômica, separados pela crise de 2008. Para entender essa separação, é preciso primeiro entender que o crescimento econômico depende de três alavancas: da absorção de mão de obra, da taxa de investimento e da produtividade. Dito isso, com o advento da crise de 2008, a reação do governo foi constituir uma política econômica anticíclica, o que fez não apenas o PIB crescer 7,6% em 2010 como fez com que a economia atingisse o pleno emprego.

Uma vez atingido o pleno emprego, para que a economia continuasse a crescer no pós-2010, era necessário acionar as duas outras alavancas, isto é, aumentar a taxa de investimento e/ou a produtividade da economia. Ocorre que essas são sensíveis à previsibilidade (ou falta dela) do ambiente institucional. O pós-2010 foi, por suposto, a antítese da previsibilidade, com diversas interferências do governo na microeconomia e na macroeconomia, no que ficou conhecido como Nova Matriz Econômica. Não é de surpreender que o crescimento só fez cair desde então.

O momento atual, pós-impeachment, é, por suposto, um período de transição. A nova diretoria do Banco Central conseguiu reancorar as expectativas de inflação, o que na prática implica na volta do regime de metas de inflação. A taxa de câmbio voltou a flutuar, após o período de interferência da NME. A parte mais difícil da transição é recuperar a capacidade do setor público de praticar superávits primários, o que deve ficar para o próximo governo.

São duas as conclusões aqui. A primeira é que o país precisa voltar a insistir nas reformas estruturais de modo a melhorar o ambiente de negócios. Só com isso, nós vamos conseguir aumentar a taxa de investimento e a produtividade da economia, tornando o crescimento econômico sustentável. A segunda é que o regime de política econômica não pode ser um ruído, precisa ser guiado por regras claras e simples, como era o tripé macroeconômico.

Em assim sendo, temos a oportunidade de aperfeiçoar o tripé e dar conta das reformas, de modo a garantir que o atual ciclo de recuperação seja sustentável e não mais um voo de galinha...

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Vítor Wilher

Data Scientist

Vítor Wilher é Bacharel e Mestre em Economia, pela Universidade Federal Fluminense, tendo se especializado na construção de modelos macroeconométricos, política monetária e análise da conjuntura macroeconômica doméstica e internacional. Tem, ademais, especialização em Data Science pela Johns Hopkins University. Sua dissertação de mestrado foi na área de política monetária, titulada "Clareza da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil", defendida perante banca composta pelos professores Gustavo H. B. Franco (PUC-RJ), Gabriel Montes Caldas (UFF), Carlos Enrique Guanziroli (UFF) e Luciano Vereda Oliveira (UFF). Já trabalhou em grandes empresas, nas áreas de telecomunicações, energia elétrica, consultoria financeira e consultoria macroeconômica. É o criador da Análise Macro, startup especializada em treinamento e consultoria em linguagens de programação voltadas para data analysis, sócio da MacroLab Consultoria, empresa especializada em cenários e previsões e fundador do hoje extinto Grupo de Estudos sobre Conjuntura Econômica (GECE-UFF). É também Visiting Professor da Universidade Veiga de Almeida, onde dá aulas nos cursos de MBA da instituição, Conselheiro do Instituto Millenium e um dos grandes entusiastas do uso do no ensino. Leia os posts de Vítor Wilher aquiCaso queira, mande um e-mail para ele: vitorwilher@analisemacro.com.br

Resultado do PIB: recuperação será lenta e gradual

By | PIB

Hoje saiu o resultado das Contas Nacionais referente ao segundo trimestre. E há motivos para comemorar. Após 12 trimestres de variação interanual negativa (contra o mesmo trimestre do ano anterior), o PIB registrou 0,3% de alta. Outro ponto positivo foi o crescimento do consumo das famílias, seja na margem, seja na comparação interanual. A apresentação abaixo resume o resultado.

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