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Inflação

Inflação de custos vs. Inflação de demanda: onde foi que a heterodoxia se perdeu?

By | Inflação

Inflação se combate com política monetária. Ponto pacífico na literatura e na prática dos bancos centrais, mundo a fora. Infelizmente, no Brasil, há um grupo de economistas alternativos, descolados demais para utilizar os modelos caretas aceitos no mundo todo, que pregam outra explicação para o processo inflacionário. Eles acreditam que a inflação brasileira seria eminentemente e na maior parte do tempo de custos, provocada, por exemplo, por preços administrados, por uma safra menor de alimentos, ou, os mais ousados, pela economia excessivamente oligopolizada. Se é esse o quadro, dizem esses economistas, a inflação não deve ser combatida com juros, um instrumento que atua basicamente sobre a demanda - e que deveria ser utilizada apenas para conter inflação de demanda. Qual é o equívoco com esse argumento, leitor?

Para explicar o equívoco com esse tipo de argumento, vamos considerar um modelo de quatro equações como abaixo:

(1)   \begin{align*} \text{Curva IS}& \quad h_{t} = \beta_{0} - \beta_{1}(i_{t} - E_{t}\pi_{t+1} - r^*) + \beta_{2}\Psi_{t-1} + \varepsilon_{t}^{d}  \end{align*}

 

(2)   \begin{align*} \text{Curva de Phillips}& \quad \pi_{t} = \alpha_{0} + \alpha_{1}\pi_{t-1} + \alpha_{2}E_{t}\pi_{t+1} + \alpha_{3}h_{t-1} + \alpha_{4}\Delta\epsilon_{t} + \varepsilon_{t}^{s}  \end{align*}

(3)   \begin{align*} \text{PTJ}& \quad \Delta\epsilon_{t} = \phi_{0} - \phi_{1}(i_{t} - i_{t}^*) + \phi_{2}x_{t} + \varepsilon_{t}^{e}   \end{align*}

(4)   \begin{align*} \text{Regra de Taylor}& \quad  i_{t} = \omega_{0} + \omega_{1}i_{t-1} + \omega_{2}(E_{t}\pi_{t+1} - \pi^*) + \omega_{3}h_{t} + \omega_{4}\Delta\epsilon_{t} + \varepsilon_{t}^{bcb}  \end{align*}

Para um detalhamento desse modelo, consulte aqui. A Curva IS representa o lado da demanda, a Curva de Phillips representa o lado da oferta, a PTJ representa o contato com o setor externo e a Regra de Taylor diz como o Banco Central calibra os juros. A equação 2, por suposto, representa como a inflação se comporta ao longo do tempo, sendo afetada pelo componente regressivo, pelas expectativas de inflação dos agentes, pelo hiato do produto (que representa a ociosidade da economia), pela variação da taxa de câmbio e por \varepsilon_{t}^{s}, que representa choques de oferta, sendo supostamente um ruído branco. A ideia, por suposto, é que tudo o que não for explicado pelos fatores anteriores, entra em \varepsilon_{t}^{s}. Assim, uma quebra de safra, um aumento muito forte da energia elétrica, ou qualquer outro fator que os economistas alternativos chama de inflação de custos está em \varepsilon_{t}^{s}, isto é, entra como um choque de oferta.

 

Uma vez que ocorra um choque de oferta, o Banco Central não deve necessariamente reagir aos efeitos primários do mesmo, isto é, aos aumentos no preço de energia, de alimentos, etc. O que o Banco Central deve fazer, contudo, é circunscrever esse choque, evitando que haja efeitos secundários, isto é, efeitos sobre outros preços. Afinal, como qualquer pessoa sabe, energia elétrica é um insumo utilizado em todas as cadeias produtivas, logo se o preço dela aumenta, é razoável supor que haverá aumento em outros preços da economia. Alimentos, idem, assim como diversos outros bens e serviços, que são utilizados em várias cadeias produtivas.

Isso dito, não faz o menor sentido argumentar que o Banco Central não deve reagir a um choque de oferta ou à inflação de custos dos economistas alternativos. Se não o fizer, os efeitos secundários se proliferarão, bem como, o pior, as expectativas de inflação serão contaminadas, tornando mais custoso desinflacionar a economia.

Esse ponto, aliás, deveria ser muito claro depois do que ocorreu na economia brasileira. Afinal, acabamos de passar por um processo de forte aumento da inflação resultado de diversos expedientes recomendados por economistas alternativos. O governo Dilma Rousseff abdicou de controlar a inflação por meio da taxa de juros, fazendo uso do controle de preços. Não deu certo, como todos sabiam que não daria. Teve de voltar atrás, provocando um aumento de preços administrados assim que a eleição de 2014 terminou. Paralelo a esse controle artificial da inflação, as expectativas se desancoraram, fazendo aumentar a inércia inflacionária, tornando mais custosa a desinflação. Não à toa, foi só quando mudou o comando do Banco Central que a inflação começou a ceder.

Está tudo muito documentado em jornais, revistas, livros, blogs, etc. Confesso, diante de tudo isso, que acho simplesmente inexplicável que alguns economistas brasileiros continuem achando que não se deve utilizar política monetária para controlar a inflação. Diante disso, é esperar pelo próximo choque heterodoxo e pela subida da inflação e pelo stop and go no crescimento... Triste, não?

Explicando a deflação de junho e a desinflação da economia brasileira

By | Inflação, Política Monetária
O IPCA de junho, divulgado no início desse mês, mostrou avanço de -0,23%. A número negativo, em mais de 10 anos - os três últimos, diga-se, também foram em junho, em 2003, 2005 e 2006 - suscitou um grande debate entre os economistas. Para alguns desses, esse seria o sinal inequívoco dos erros na condução da política monetária. Para outros, apenas a soma de alguns efeitos pontuais. Nesse post, divulgamos o relatório Explicando a deflação de junho, enviada para os membros do Clube do Código. Nele, abrimos o índice, de modo a visualizar os fatores que causaram essa deflação, bem como explicamos a desinflação em curso no país. Os membros do Clube, como de hábito, têm acesso a todos os códigos que geraram o relatório.

No acumulado em 12 meses, o índice fechou em 3%. Esse valor é -0.6 p.p. em relação ao de maio e de -5.84 p.p. em relação a junho do ano passado. Ademais, a difusão da inflação foi calculada em 47.18% , ante 55.23% no mesmo mês do ano anterior. É o menor valor para essa série, disponibilizada pelo Banco Central. A tabela 1 traz um resumo do comportamento do índice e dos núcleos de inflação.

IPCA vs. Núcleos de Inflação (%)
Mensal Jun/17 Mensal Jun/16 Anual Jun/17 Anual Jun/16
IPCA -0,23 0,35 3,00 8,84
Médias Aparadas com Suaviz. 0,28 0,59 4,42 8,56
Médias Aparadas sem Suaviz. 0,22 0,31 3,68 7,14
Exclusão Monit. e Adm. 0,22 0,29 3,92 6,83
Exclusão 2 0,08 0,39 4,18 7,70
Dupla Ponderação 0,24 0,49 4,32 8,43

A média da variação mensal dos cinco núcleos de inflação construídos pelo Banco Central evoluiu -0.21 p.p. na comparação interanual. Em junho de 2016, ela foi de 0.41%, enquanto em 2017 foi de 0.21%. No acumulado em 12 meses, por outro lado, a média saiu de 7.73% para 4%, mostrando que, de fato, há um processo consistente de desaceleração do processo inflacionário, mas que também o índice cheio está contaminado por choques positivos de oferta. Em particular, como se pode ver na análise desagregada abaixo, o grupo alimentos saiu de uma inflação de 12.81% em junho de 2016, no acumulado em 12 meses, para 1.12% esse ano. Esse choque de oferta positivo explica, em grande medida, a distância entre a média dos núcleos e o índice cheio, corroborando um processo consolidado de desinflação da economia brasileira. Isso, diga-se, permite uma flexibilização um pouco mais intensa do que o anteriormente previsto da política monetária nos próximos meses. Mesmo diante do caos político que vive o país.

O gráfico acima mostra o comportamento da inflação desde janeiro de 2006, quando a meta passou a ser de 4,5% e o intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A área hachurada, por seu turno, destaca o arrefecimento da inflação no período recente. Desde agosto do ano passado, por suposto, o processo de desinflação tem sido intensificado. Cabe, nesse ponto, a ressalva de que a inflação brasileira não apenas tem sido persistente e crescente, como também difundida nos últimos anos. O comportamento do índice de difusão abaixo deixa isso bastante claro. Na margem, ademais, a difusão também tem caído, o que mostra um processo de desinflação consolidado.

Destacado o quadro geral da inflação no país, vamos nesse relatório destrinchar um pouco melhor o dado mensal. Como veremos a seguir, quatro pontos são chaves para explicar a inflação negativa de junho, a saber: (i) a sazonalidade favorável; (ii) mudança da bandeira tarifária da energia elétrica de vermelha para verde; (iii) queda no preço da gasolina; (iv) continuação do choque de alimentos;

A sazonalidade da inflação

Antes de tudo, é preciso explicar que o mês de junho é tradicionalmente favorável para a inflação medida pelo IPCA. O gráfico abaixo ilustra.

O gráfico acima computa o comportamento da inflação nos doze meses do ano. Observa-se que a inflação apresenta uma tendência de queda ao longo da primeira parte do ano, elevando-se na segunda parte. As linhas vermelhas, por suposto, apresentam a média da inflação em cada um dos meses. Destaca-se, assim, que a própria sazonalidade da série já explica um valor mais baixo em junho.

Análise desagregada do IPCA

O histograma abaixo traz a distribuição da variação mensal dos 373 subitens da inflação de junho. É um detalhamento da difusão, que mostra um avanço positivo em 47.18% dos subitens no mês.

Comportamento dos Grupos do IPCA

Vamos, agora, abrir o IPCA em camadas de forma a entender a inflação negativa em junho. Primeiro, vamos verificar como a desaceleração da inflação se deu entre os nove grupos do índice. A tabela 2 traz a variação mensal e acumulada em 12 meses dos grupos em junho desse ano e no ano passado.

Grupos do IPCA (%)
Mensal Jun/17 Mensal Jun/16 Anual Jun/17 Anual Jun/16
IPCA -0,23 0,35 3,00 8,84
Alimentação -0,50 0,71 1,12 12,81
Habitação -0,77 0,63 2,63 7,38
Artigos de Residência -0,07 0,26 -0,73 6,05
Vestuário 0,21 0,32 2,24 5,44
Transportes -0,52 -0,53 1,86 6,36
Comunicação 0,09 0,04 1,94 3,06
Saúde e Cuidados Pessoais 0,46 0,83 7,44 11,79
Despesas pessoais 0,33 0,35 5,30 8,12
Educação 0,08 0,11 8,00 9,14

Por essa abertura, observamos que quatro grupos apresentaram variação negativa no mês. A tabela 3, abaixo, ilustra por sua vez a contribuição dos nove grupos para o dado mensal.

Contribuição dos 9 grupos para o IPCA (p.p.)
Jun/17
IPCA Mensal -0,23
Alimentação -0,13
Habitação -0,12
Artigos de Residência 0
Vestuário 0,01
Transportes -0,09
Saúde e Cuidados Pessoais 0,05
Despesas pessoais 0,04
Educação 0
Comunicação 0

Em termos de contribuição, a deflação de junho está concentrada em três grupos: alimentos, habitação e transportes. Como introduzimos acima, existem motivos pontuais para que isso tenha ocorrido. O gráfico abaixo, por suposto, destaca a contribuição desses grupos para a deflação de junho.

Subgrupos

É possível, a propósito, detalhar o que foi visto anteriormente pelo corte dos subgrupos. A tabela a seguir resume essas contribuições.

Contribuição dos 19 subgrupos para o IPCA (p.p.)
Jun/17
IPCA Mensal -0,23
11.Alimentação no domicílio -0,16
12.Alimentação fora do domicílio 0,03
21.Encargos e manutenção 0,07
22.Combustíveis e energia -0,19
31.Móveis e utensílios 0
32.Aparelhos eletroeletrônicos 0
33.Consertos e manutenção 0
41.Roupas 0,01
42.Calçados e acessórios 0
43.Joias e bijuterias 0
44.Tecidos e armarinho 0
51.Transportes -0,09
61.Produtos farmacêuticos e óticos 0,01
62.Serviços de saúde 0,05
63.Cuidados pessoais 0
71.Serviços pessoais 0,04
72.Recreação, fumo e fotografia 0
81.Cursos, leitura e papelaria 0
91.Comunicação 0

Itens

Contribuição dos 52 itens para o IPCA (p.p.)
Jun/17
IPCA Mensal -0,23
1101.Cereais, leguminosas e oleaginosas 0,05
1102.Farinhas, féculas e massas -0,01
1103.Tubérculos, raízes e legumes -0,08
1104.Açúcares e derivados 0
1105.Hortaliças e verduras 0
1106.Frutas -0,06
1107.Carnes -0,03
1108.Pescados -0,01
1109.Carnes e peixes industrializados 0
1110.Aves e ovos -0,01
1111.Leites e derivados -0,02
1112.Panificados 0,01
1113.Óleos e gorduras 0
1114.Bebidas e infusões 0,01
1115.Enlatados e conservas 0
1116.Sal e condimentos 0,01
1201.Alimentação fora do domicílio 0,03
2101.Aluguel e taxas 0,06
2103.Reparos 0
2104.Artigos de limpeza 0
2201.Combustíveis (domésticos) 0,01
2202.Energia elétrica residencial -0,20
3101.Mobiliário 0
3102.Utensílios e enfeites 0
3103.Cama, mesa e banho 0
3201.Eletrodomésticos e equipamentos 0
3202.TV, som e informática 0
3301.Consertos e manutenção 0
4101.Roupa masculina 0,01
4102.Roupa feminina 0
4103.Roupa infantil 0
4201.Calçados e acessórios 0
4301.Joias e bijuterias 0
4401.Tecidos e armarinho 0
5101.Transporte público 0,02
5102.Veículo próprio 0,03
5104.Combustíveis (veículos) -0,14
6101.Produtos farmacêuticos 0,01
6102.Produtos óticos 0
6201.Serviços médicos e dentários 0,01
6202.Serviços laboratoriais e hospitalares 0
6203.Plano de saúde 0,04
6301.Higiene pessoal 0
7101.Serviços pessoais 0,04
7201.Recreação 0
7202.Fumo 0
7203.Fotografia e filmagem 0
8101.Cursos regulares 0
8102.Leitura 0
8103.Papelaria 0
8104.Cursos diversos 0
9101.Comunicação 0

A análise desagregada da inflação medida pelo IPCA ilustra que prossegue o choque positivo da alimentação no domicílio, que em junho contribuiu com -0,16 pontos percentuais. Isso se soma a outros dois fatores pontuais. A mudança de bandeira vermelha para verde retirou 0,2 pontos percentuais da inflação, enquanto a redução do preço da gasolina e e do diesel nas refinariais retirou 0,14 pontos percentuais. Esses três processos explicam, com a permissão da sazonalidade, a inflação negativa no mês.

Comportamento das Categorias do IPCA

Uma outra leitura interessante sobre a inflação é aquela feita através das categorias. A tabela 6 ilustra.

Categorias do IPCA (%)
Mensal Jun/17 Mensal Jun/16 Anual Jun/17 Anual Jun/16
IPCA -0,23 0,35 3,00 8,84
Comercializáveis -0,24 0,56 1,77 9,42
Não Comercializáveis 0,14 0,24 3,88 7,71
Preços Monitorados -0,83 0,24 3,30 9,94
Preços Livres -0,04 0,39 2,92 8,50
Bens não-duráveis -0,81 0,68 0,47 13,90
Bens semi-duráveis 0,11 0,25 2,42 5,52
Bens duráveis 0,11 -0,13 -1,20 2,66
Serviços 0,43 0,33 5,72 7,02

Um último ponto a ressaltar, nessa análise desagregada, é a dificuldade de reduzir a inflação de serviços. Como evidenciado na tabela acima, em junho do ano passado ela era de 7,02%, enquanto nesse ano ela cedeu para 5,72%, um número ainda bastante elevado. O gráfico abaixo ilustra mais detidamente a desinflação nessa categoria.

Conclusão

Na comparação interanual, a inflação acumulada em 12 meses cedeu 5,84 pontos percentuais, situando-se no limite inferior de tolerância do regime de metas. Isso foi possível graças a uma combinação de dois fatores principais. Por um lado, a nova equipe econômica conseguiu reancorar as expectativas de inflação, o que fez reduzir a inércia. Esse fator garantiu a convergência da inflação, dado o efeito da política monetária sobre o hiato do produto. Por outro lado, o choque de alimentos, em curso desde o segundo semestre de 2016, aprofundou esse processo de desinflação, levando o índice cheio abaixo da meta, algo que não ocorria desde 2007.

O dado mensal de junho, por seu turno, mostra uma combinação de eventos favoráveis, abraçados pela sazonalidade do período. A continuação do choque positivo no subgrupo alimentos no domicílio se somou à mudança na bandeira tarifária da energia elétrica e à queda nos preços dos combustíveis, como vimos. Tudo isso, por fim, em conjunto corrobora a expectativa de continuação do processo de flexibilização da política monetária, a despeito das dificuldades políticas em se aprovar a agenda de reformas.

Conheça o Clube do Código

E se você tivesse acesso a scripts de relatórios, apresentações e exercícios macroeconométricos que fazem uso do R? Após fazer um Curso de Introdução ao R ou mesmo no processo de aprendizado do R, muitas vezes, é difícil prosseguir pelo fato simples de não ter exemplos práticos de como usar a linguagem. E se isso existisse? Se houvesse um lugar onde você tivesse acesso a exemplos aplicados à realidade brasileira? E se houvesse atualizações semanais desses exemplos? Isso existe: é o Clube do Código! Ao lado o Monitor de Inflação destacado nesse post. 

A convergência da inflação foi para o R

By | Inflação

A inflação medida pelo IPCA chegou a 4,08% a.a. no acumulado em 12 meses terminados em abril. É o menor patamar desde 2007. Com efeito, parece consolidada a convergência da inflação para a meta. Para ilustrar essa convergência, produzimos o gráfico abaixo, com o auxílio do R, utilizando o pacote rbcb.

library(ggplot2)
library(rbcb)
library(scales)

ipca12m = get_series(13522, start_date='2015-12-01')

ipca12m = as.data.frame(ipca12m)
colnames(ipca12m) = c('date', 'ipca')
ipca12m$date = as.Date(ipca12m$date, format='%d/%m/%Y')

ggplot(ipca12m, aes(x=date, y=ipca))+
 annotate("rect", fill = "gray", alpha = 0.5, 
 xmin = as.Date('2016-08-01'), 
 xmax = as.Date('2017-04-01'),
 ymin = -Inf, ymax = Inf)+
 geom_line(size=.8)+
 geom_hline(aes(yintercept=4.5), colour='red', size=.8)+
 scale_y_discrete(limits=4:11)+
 scale_x_date(breaks = date_breaks("2 months"),
 labels = date_format("%m/%Y"))+
 theme_bw()+xlab('')+ylab('% a.a.')+
 labs(title='Inflação medida pelo IPCA',
 subtitle='acumulada em 12 meses',
 caption='Fonte: analisemacro.com.br com dados do IBGE.')+
 geom_point(size=12, shape=21, colour="#1a476f", fill="white")+
 geom_text(aes(label=ipca), size=3, 
 hjust=0.5, vjust=0.5, colour="darkblue")+
 annotate('text', x=as.Date('2016-04-01'), y=4.8, 
 label='Meta de Inflação: 4,5%',
 colour='red', size=4)

E o resultado...

 

A convergência se dá em um momento de provável queda da inércia e de expectativas ancoradas, principais determinantes da inflação, como mostra a tabela ao lado. Nela, rodamos a Curva de Phillips abaixo:

(1)   \begin{equation*} \pi_{t} = \beta_0 + \beta_1 \pi_{t-1} + \beta_2 E_t \pi_{t+1} + \beta_3 hiato_{t-1} + \varepsilon_t \end{equation*}

Onde \pi_t é a inflação medida pelo IPCA acumulada em 12 meses, E_t \pi_{t+1} é a expectativa para a inflação nos próximos 12 meses e hiato_{t-1} é o hiato do produto. Em outras palavras, a despeito do que se pode querer acreditar, o hiato do produto, a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial, possui pouco impacto sobre a inflação brasileira, sendo a inércia medida pela primeira defasagem e as expectativas preponderantes para explicá-la.

Dependent variable:
inflação
lag(inflação, -1)0.935***
(0.025)
expectativa0.105**
(0.050)
lag(hiato, -1)0.034***
(0.013)
Constant-0.133
(0.171)
Observations119
R20.974
Adjusted R20.973
Residual Std. Error0.280 (df = 115)
F Statistic1,429.549*** (df = 3; 115)
Note:*p<0.1; **p<0.05; ***p<0.01

Entendendo a desinflação da economia brasileira - Parte I

By | Inflação

A inflação medida pelo IPCA de março, divulgada na última sexta-feira, mostrou avanço de 0,25%. No acumulado em 12 meses, a inflação fechou em 4,57%. Esse valor é -0,19 p.p. em relação ao de fevereiro e de -4,82 p.p. em relação a março do ano passado. Ademais, a difusão da inflação foi calculada em 55,76% , ante 69,44% no mesmo mês do ano anterior. A tabela ao lado traz um resumo do comportamento da inflação cheia e dos núcleos de inflação.

A média da variação mensal dos cinco núcleos de inflação construídos pelo Banco Central evoluiu -0,18 p.p. na comparação interanual. Em março de 2016, ela foi de 0,44%, enquanto em 2017 foi de 0,27%. No acumulado em 12 meses, por outro lado, a média saiu de 8,03% para 5%, mostrando uma desaceleração do processo inflacionário.

O gráfico abaixo mostra o comportamento da inflação desde janeiro de 2006, quando a meta passou a ser de 4,5% A área hachurada, por seu turno, destaca o arrefecimento da inflação no período recente. Desde agosto do ano passado, por suposto, o processo de desinflação tem sido intensificado.

IPCA vs. Núcleos de Inflação (%)
Mensal Mar/17 Mensal Mar/16 Anual Mar/17 Anual Mar/16
IPCA 0,25 0,43 4,57 9,39
Médias Aparadas com Suaviz. 0,28 0,61 5,61 8,77
Médias Aparadas sem Suaviz. 0,24 0,48 4,54 7,64
Exclusão Monit. e Adm. 0,14 0,42 4,60 7,24
Exclusão 2 0,42 0,23 5,51 7,95
Dupla Ponderação 0,25 0,48 5,73 8,53

Cabe, nesse ponto, a ressalva de que a inflação brasileira não apenas tem sido persistente e crescente, como também difundida nos últimos anos. O comportamento do índice de difusão abaixo deixa isso bastante claro. Na margem, ademais, a difusão também tem caído, o que mostra um processo de desinflação consolidado.

A tabela ao lado, por suposto, abre a inflação medida pelo IPCA pelos seus nove grupos. Observe que a inflação acumulada em 12 meses no grupos Alimentos e Bebidas saiu de 13,25% em março de 2016 para 4,04% em março de 2017, refletindo basicamente o choque positivo nesse grupo, como analisamos em post anterior. A inflação no grupo Habitação também sofreu forte desaceleração, saindo de 8,43% para 4,47% na mesma base de comparação, enquanto a inflação no grupo Artigos para Residência saiu de 6,67% para 1%. Os grupos Saúde e Cuidados Pessoais e Comunicação, pelo contrário, ainda mostram resistência. O gráfico abaixo abre a contribuição dos nove grupos para a inflação acumulada em 12 meses.

 

Grupos do IPCA (%)
Mensal Mar/17 Mensal Mar/16 Anual Mar/17 Anual Mar/16
IPCA 0,25 0,43 4,57 9,39
Alimentação 0,34 1,24 4,04 13,25
Habitação 1,18 -0,64 4,47 8,43
Artigos de Residência -0,29 0,70 1,00 6,67
Vestuário -0,12 0,69 2,20 5,94
Transportes -0,86 0,16 1,77 8,08
Comunicação -0,63 -1,65 2,74 2,35
Saúde e Cuidados Pessoais 0,69 0,78 10,34 10,21
Despesas pessoais 0,52 0,60 6,65 9,15
Educação 0,95 0,63 8,30 9,14

No próximo post, analisamos os subgrupos da inflação medida pelo IPCA. Enquanto isso, veja os cursos da Análise Macro com inscrições abertas abaixo. No Clube do Código, ademais, você tem acesso a todos os códigos desse exercício.

 

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