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auto-ajuda Archives - Análise Macro

Resoluções de fim de ano

By | Crônicas Urbanas

Tive, neste fim de 2010, um desses encontros espantosamente reveladores com o meu eu mais íntimo. Não, não fui para o Ártico ou para algum retiro budista. A verdade é que quase fui dessa para melhor, no sentido literal do termo. E não há nada mais revelador do que achar que você vai morrer.

Não vou entrar no detalhe do que de fato aconteceu, porque é de foro íntimo. Mas imagine que foi muito ruim, tipo um acidente ou algo que o valha. De certo que coisas assim te mostram certas verdades. E, claro, te levam a fazer certas perguntas e ter certos questionamentos. No meu caso, me fiz apenas um: cheguei onde gostaria?

A resposta é claramente negativa. Mas, não me entenda mal, não sou do tipo frustrado que está parado no tempo vivendo às custas de sabe-se lá quem. Não. Pago minhas próprias contas desde que tenho 16 anos. E me sinto muito feliz por isso. Já dei algumas viradas na minha vida, quando tudo ao meu redor parecia cômodo o suficiente para que eu não movesse uma palha diante do meu nariz. Mas nem por isso olho para trás e digo que fiz tudo o que gostaria de fazer.

Naquele momento entendi uma coisa que aparentemente levarei para o resto da minha vida: eu nunca responderei sim para aquela pergunta. A verdade é que nunca chegarei a um ponto onde me sinta plenamente confortável. Acho honestamente que todo o ser humano deve ter mais expectativas do que certezas. A busca por uma eterna auto-realização é o melhor combustível para uma vida plena de sentidos.

E se assim penso, devo me manter sereno diante dessa aparente ansiedade permanente. A vida trata de premiar aqueles que possuem sonhos, que perseveram em seus objetivos e que, mesmo realizando-os constantemente, estão sempre atrás da próxima cenoura. Porque sem isso, a vida é apenas um amontoado de rotineiros momentos.

Feliz 2011 e boas cenouras pelo caminho!

Dezembro

By | Crônicas Urbanas

Nos últimos anos tenho tido um sentimento paradoxal pelo mês de dezembro. Não é coisa outra que não seja uma caduquice precoce, dessas de meia-idade. O fato é que me sinto o melhor dos homens na primeira quinzena do referido mês. Vai chegando o dia 20 e lá estou eu, mergulhado em profunda melancolia. Apesar de parecer ao leitor cético mais uma patologia dos tempos modernos, é coisa que se explica.

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O que estamos fazendo de nossas vidas?

By | Crônicas Urbanas

"Você olha para trás e diz: 'eu fiz tudo que era possível de ser feito'. E completa: 'Se só deu para chegar até aqui, paciência'. Mas dá um alerta: 'continuo tentanto'. Porque já disse alguém famoso - não apenas por dizer isso - 'você pode aceitar falhar, o que você não pode aceitar é não tentar'. And here I´m, keep trying..."

O parágrafo meio louco, meio cheio de sentidos parece ter sido escrito por mim, mas não foi. O roubei de uma garota igualmente louca que conheci no ano passado, cheia de defeitos, mas com uma inteligência inigualável. Fomos amantes por um tempo. Nos odiamos por outro tanto tempo. Voltamos a nos falar. Novamente amantes. Até que boom: terminamos em definitivo. Tudo muito intenso, tudo muito cheio de orgasmos múltiplos... De parte a parte...

Mas, whatever, não, a crônica não é pornográfica - apesar de que com ela deveria sempre ser. O parágrafo que abre essas linhas me fez cair em uma outra questão nessa semana, bastante delicada, diga-se: o que estamos fazendo de nossas vidas? Ora, bolas! Nossa geração é a mais educada desde que a educação formal foi inventada. Dispomos de mais informação do que foi possível processar nos últimos 15 bilhões de anos antes de nós e, mesmo assim, cá estamos: "procurando empregos". "Voltamos a viver como há dez anos atrás?". Onde, sem internet, sem wi-fi, sem mpX, lá estávamos perdidos, sufocados pela lealdade à empresa.

E parece que cá estamos: no mesmo ponto. Temos todo o potencial de fazermos o que quisermos de nossas vidas, mas nos comportamos como se fossemos iguais aos nossos pais. Casamos, tivemos filhos, nos iludimos, nos divorciamos, nos embebedamos, caímos, voltamos ao mesmo ponto.  O que fizemos de diferentes?

Nossa sociedade continua educando - e continuará por muito tempo - nossos filhos e netos a serem empregados de alguém. Mesmo depois de quilos e quilos de "Marx for children" continuamos ensinando nossos jovens assim como nos ensinaram: explorar o valor de uso contido na força de trabalho. E sim: o capitalismo continua aumentando sua taxa de produtividade, década após década e se mentendo em mais confusão, dado que o ritmo de apropriação parece ser maior do que o ritmo de geração de mais-valia.

E não: eu não sou marxista, comunista, socialista... Só que ao contrário de muita gente (boa?) por ai, me dei ao trabalho de ler Marx. E, por isso, não me rendi a pedagogia boba que domina as escolas Brasil a fora, querendo construir o tal "cidadão consciente". E querendo atingir tal objetivo sacro, constrói nada mais nada menos do que uma geração de ignorantes. Uma geração que destesta estudar, detesta ler, prefere videogame, ouvir restart e quando entra na faculdade quer apenas o canudo e um bom emprego.

Nossa geração não dorme tranquila. Tinha tanto potencial, tanta informação, mas tão pouco senso crítico. Esquecemos de propor algo diferente e cá estamos: perdidos. E nem ao menos TENTAMOS fazer algo diferente. Simplesmente falhamos em nossos intentos. Aceitamos sermos derrotados sem nem ao menos entrar em campo.

Para exemplificar, às vezes me pergunto sobre o rumo dos meus colegas de escola. O que se tornaram? O que cada um seguiu na vida? Sei que um é médico bastante graduado, formado pela melhor escola de medicina que esse país tropical possui. Outra é uma brilhante engenheira, igualmente formada pela mesma escola. A maioria, nessa faixa que vai dos 27 aos 30 anos está casada, um percentual elevado (para o meu gosto) já tem filhos e uns tantos outros estão em vias de conceber um ou o outro compromisso.

Não sou aqui o Senhor da Razão ou algo que o valha. O que me incomoda e o que acho que deveria incomodar muita gente é essa mesmice em que a minha geração está sufocada. Queria ao menos que meus amigos de infância, aqueles que junto comigo tiveram as primeiras lições de vida, me ajudassem nesse momento. Mas pelo caminho que uns seguiram, me mantenho com os mesmos questionamentos. É uma espécie de fardo que carrego desde muito cedo: o que faremos de nossas vidas?

Hoje, infelizmente, ainda não tenho respostas para tal pergunta. Mesmo passados tantos anos, a única coisa que posso dizer é que os caminhos tradicionais - casamento, filhos, emprego em uma grande empresa etc. - não me servem de alento. Deveriam servir? E, se deveriam, por que não servem? Dado, então, o passar dos anos, aquela pergunta de início deve ser atualizada: o que estamos fazendo de nossas vidas?

Chega uma época na vida que o ser humano - todos nós - nos fazemos essa pergunta. Nos fizemos essa pergunta quando éramos pequenos e voltamos a nos fazer sob certo ponto da vida. Alguns chamam de crise de meia-idade ou coisa que o valha. Mas e durante esse meio tempo? O que levou meus amigos a escolherem os caminhos que escolheram? E o que não me levou a esses caminhos? Por que não segui a manada e fui junto? Por que permaneci me questionando sobre o que quero fazer da minha própria vida?

Talvez dentro da própria pergunta esteja a resposta: pertenço a algum tipo de maldição! Daquelas que envolvem uns poucos seres, que são "escolhidos" de forma aleatória para provar algum ponto de vista. Será? Rio de mim mesmo, porque se fosse verdade seria uma maldição coletiva. Isto porque, mesmo aqueles meus amigos que seguiram os caminhos pré-determinados não estão lá tão contentes assim. E mesmo com vinte e muitos anos vivem se perguntando o que estão fazendo de suas vidas. E assim é, o que nos motiva a fazer tais perguntas?

A geração anterior a minha lutou contra a opressão do regime militar, fumou maconha, gritou nos consertos de rock por cá e por lá, foi socialista e bla, bla, bla... Era mais fácil para eles. Existia uma revolta coletiva que os guiava, que os conformava sobre um ideal,  uma razão, um sentido mais nobre de vida. Isso, infelizmente, acabou quando o muro caiu. Talvez não com o muro, mas muito antes, quando o povo soviético tinha bombas atômicas e jatos supersônicos, mas lhe faltava comida e papel higiênico. Cá entre nós: deve haver algo errado quando um sistema econômico não consegue prover uma porra de um pedaço de papel higiênico. Mas isso é papo para outro texto...

O fato concreto é que o ideal da minha geração passou a ser um emprego. Um maldito emprego, veja você! Estudamos, fizemos faculdade, fizemos mestrado e doutorado. E, adivinha: não tinha emprego para todo mundo! Muitos amigos meus são malditos gênios no que fazem, mas estão desempregados ou, no máximo, subempregados.

E ai nos perguntamos: valeu a pena? Estudamos, fizemos tudo como manda o script, mas cá estamos nós ou desempregados, ou desiludidos, ou nos perguntando sobre o que estamos fazendo de nossas vidas. Eu acho que não, leitor amigo... O que, afinal, estamos fazendo de nossas vidas?

Sem paixão, nada feito

By | Crônicas Urbanas

Sem paixão, nada feito. No trabalho, nos estudos, em um futebol com os amigos ou qualquer ramo da atividade humana. A paixão é a única motivação verdadeira. Sem ela o trabalho não rende, as horas não passam, a fórmula é sempre difícil, o futebol é trincado.

Dizem por ai que nada substitui o talento. Mas de onde vem o talento? Vem da paixão. Da paixão por realizar algo, por ser algo. O sucesso, o dinheiro, a glória e até mesmo o próprio talento são apenas conseqüências. Não era por dinheiro que o craque Zico ficava depois do treino cobrando faltas extras. Não era pela glória, pelo sucesso. Era pelo prazer que ele tinha em jogar futebol.

Ninguém acha que os maiores gênios da humanidade fizeram o que fizeram pela simples expectativa de serem bem sucedidos. Pensar no sucesso não gera sucesso. Entregar-se a uma paixão pode dar em sucesso. Se não der, você estará feliz assim mesmo. Por quê? Estará se dedicando aquilo que ama e nada pode comprar isso.

Apesar de tudo o que já foi escrito sobre paixão a maioria das pessoas ainda se motiva pelo dinheiro. Não desconsidero o poder do dinheiro. Apenas o considero limitado. Até o primeiro milhão ele pode, realmente, ser um grande motivador. Você trabalha mais para o contra-cheque vir mais gordo no final do mês, você faz MBA ou estuda inglês para ser promovido ou tantas outras coisas que as pessoas fazem para ganhar cada vez mais e mais. O primeiro milhão chega. Pode ser um salário com três dígitos ou uma casa na praia. Ai, se você construiu sua fortuna sem paixão, as coisas começam a dar errado.

Um vazio incomoda seu peito, não te deixando ter noites calmas de sono. Para aliviar você “dá um tapinha”. Toma mais uma dose daquele whisky caro que você tem no bar. Faz sexo com uma mulher gostosa que acabou de conhecer. Mas nada disso traz alento. Pelo contrário, aquele vazio vai te consumindo por inteiro. O dinheiro traz apenas ilusão, se não vier acompanhado de amor pelo que se produz.

Você pode transar com a mulher mais gostosa do mundo. Mas se não sentir paixão, no momento que terminar o sexo, você vira para o lado e dorme. Só vai olhar para ela de novo quando o tesão voltar. Sem paixão, nada feito. A vida perde o sentido. As manhãs são sempre cinzentas. Os invernos são mais rigorosos, os verões são sempre chuvosos. As noites não possuem aquele luar deslumbrante. As segundas-feiras são um verdadeiro tédio.

Existem aquelas pessoas que se confortam com uma “vidinha”. Trabalham em algo que detestam, mas têm um carro, uma casa e filhos para sustentar. “É melhor não trocar o certo pelo duvidoso”, dizem. Pois vos digo: sem paixão, tudo é duvidoso. É como uma casa sem alicerces. Um edifício sem colunas. Um corpo sem coração. Sem paixão o ser humano é um poço de desentendimentos. Não há razão para negar isso. Todos nós fomos feitos parar realizar algo. Cada indivíduo possui um dom, uma mágica, um gosto mais específico. Uns são bons em futebol, outros são bons em basquete. Oscar teria sido um péssimo jogador de futebol e Pelé um péssimo jogador de basquete. Basta encontrar essa verdadeira paixão que está em cada um de nós. Reconhecer gostos, esforçar-se muito e colher os frutos.

Não devemos nunca nos conformar. É preciso sempre se questionar sobre nossa vocação. Sobre nosso horizonte. Será que fui feito para isso? Será que estou com o amor da minha vida? Será que amo meus amigos? Se houver negativas para essas questões, mude. Mas não mude de uma hora para outra. Pense. Reúna suas forças, aquelas que estão dentro de cada ser humano e parta para a ação. Viva cada dia intensamente, pois só assim ele valerá a pena.

Faça o que você ama. Apaixone-se a todo instante. Muitas pessoas acabam não encontrando suas verdadeiras paixões por medo de arriscar. Temem não encontrar outro emprego “tão bom”. Acham que nada vai dar certo. Pois vos falo: a vida, per se, já é um grande risco. Cada minuto a mais deve ser comemorado. Não se prive a passar vinte ou trinta anos sentado em uma cadeira, fazendo aquilo que detesta. Mude.

A partir do momento que o ser humano encontra-se apaixonado, tudo muda. O trabalho é mais produtivo, as horas passam que você já não sente, o teorema é tão fácil, o sexo é excepcionalmente mais prazeroso. A vida muda. As segundas-feiras são relaxantes. A semana é uma grande descoberta. Os finais de semana são uma oportunidade de lazer e não uma compensação pelas horas de trabalho.

Estamos no século XXI, acabou aquela idéia de que era possível viver feliz fora do trabalho. A própria identificação de trabalho já não é mais a mesma. As empresas querem pessoas apaixonadas. Por quê? Porque elas sabem que pessoas apaixonadas são mais produtivas, rendem mais, dão mais idéias, fazem aumentar o valor das ações. Basta do trabalho forçado, do trabalho como algo ruim ou imposto. É preciso adicionar paixão que a partir disso tudo se transforma. Porque afinal sem paixão, nada feito.

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