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cpi Archives - Análise Macro

A corrida da inflação

By | Data Science

Em um post passado eu mostrei que a inflação brasileira comparada a alguns países selecionados está acima da média, com os dados mais recentes. Neste post vou explorar mais o tema com uma perspectiva mais ampla, dialogando com o post recente do professor Roberto Ellery, e aproveitar para exemplificar como podemos gerar uma visualização de dados "animada" no R.

O objetivo é criar uma visualização de dados comparativa entre países selecionados do G20 ao longo dos últimos 10 anos, tomando como base a inflação acumulada em 12 meses. Para tal, usaremos o dataset do IMF e os pacotes ggplot2 e gganimate para gerar a visualização animada.

Uma prévia do resultado final:

Pacotes

Para reproduzir os códigos desse exercício, certifique-se de que tenha os seguintes pacotes instalados/carregados:

Dados

O IMF oferece um rico banco de dados cross-country, sendo que para esse exercício usamos apenas o dataset "CPI", que traz os dados de inflação. Pegamos os dados de inflação % a.m. de 13 países do G20 desde 2011 em frequência mensal e depois acumulamos em 12 meses.

Visualização de dados

Como pode ser observado, os dados estão em formato long, ideal para gerarmos a visualização. Dessa forma, primeiro criamos um objeto auxiliar para armazenar a média histórica da inflação brasileira. Este valor será pontuado no gráfico como uma linha vertical tracejada. Em seguida construímos as camadas do gráfico: com exceção da camada de colunas, o diferencial do gráfico é agregar vários elementos textuais para enriquecer a visualização. Após as definições estéticas e personalizações do tema, usamos a função transition_states() para transformar o gráfico estático do ggplot2 em um gráfico animado (GIF), onde cada frame se refere às observações de 1 ano do conjunto de dados.

Simples, não?

 

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(*) Para entender mais sobre inflação e análise de conjuntura econômica, confira nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R - Versão 5.0.

Análise da PNAD Contínua com o R: desemprego atinge 12,4% da PEA

By | Mercado de Trabalho

O IBGE divulgou hoje os resultados da PNAD Contínua referentes ao trimestre móvel encerrado em junho último. De uma população de pouco mais de 208 milhões de pessoas, quase 13 milhões encontravam-se desocupadas naquele período. Esse número é 3,9% menor do que o registrado no trimestre móvel encerrado em junho do ano passado. Na mesma métrica, a população ocupada aumentou 1,1% e a população economicamente ativa (PEA) teve aumento de 0,5%. Em termos percentuais, o desemprego atingiu 12,4% da PEA. Na sequência do post, coletamos e tratamos dados da PNAD Contínua com códigos de R que são detalhadamente explicados em nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R.

Com o uso do R, é possível integrar em um único ambiente a coleta, tratamento e apresentação de dados como os da PNAD Contínua, gerando um produto final como esse aqui sem a necessidade de abrir múltiplos programas ou perder tempo entrando em sites para baixar dados. Tudo é feito via uma plataforma integrada como o RStudio, que possibilita um aumento incrível de produtividade. A começar pela coleta de dados, que hoje já pode ser feita de uma base de dados como o SIDRA com um pacote do R, como no código a seguir.


library(sidrar)

### Coletar dados no SIDRA IBGE

data = get_sidra(api='/t/6022/n1/all/v/606/p/all')

Os dados coletados, naturalmente, estão desorganizados, de modo que é preciso tratá-los, transformando-os em uma matriz amigável para que se possa fazer uma exploração dos mesmos via, por exemplo, construção de gráficos. Essa etapa é particularmente importante para quem lida com dados todos os dias, de modo que passamos um tempo considerável do nosso Curso de Análise de Conjuntura usando o R mostrando para os alunos como utilizar o para essa tarefa. Uma vez que o código esteja pronto, sua tarefa de coleta e tratamento de dados está automatizada, de modo que da próxima vez que você for atualizar os dados, perdera minutos nessa etapa. Isto é, poderá se concentrar na parte de análise e comunicação de resultados, sofisticando de modo bastante interessante suas apresentações.

Seus gráficos ficarão bem mais ilustrativos, o que lhe trará maiores insights para desenvolver argumentos econômicos mais sólidos, bem como fomentar a etapa posterior de modelagem e previsão, que pode ser vista nos cursos de Séries Temporais e Construção de Cenários e Previsões. Não perca tempo e venha já para o mundo do R!

Inflação no Brasil vs. Inflação nos Estados Unidos: você sabe a diferença?

By | Inflação

O leitor mais frequente desse espaço já deve ter notado que um dos meus temas favoritos em economia é inflação e política monetária. De fato, tanto minha monografia quanto a dissertação foram em política monetária, envolvendo exercícios econométricos na área. Isso dito, confesso que ainda me espanta (certamente, a essa altura, não deveria) que alguns economistas brasileiros advoguem pelo surrado um pouquinho mais de inflação por um pouquinho mais de crescimento. Sabemos, há mais de cinquenta anos, desde o trabalho seminal de Friedman, que não existe uma troca permanente e estável entre inflação e crescimento (ou menos desemprego).

O entendimento disso, a propósito, é o que difere a política econômica e, com efeito, a inflação entre os países. Economias onde a política monetária tem como único objetivo a estabilidade do poder de compra da moeda são economias com inflação mais baixa. Já países onde os Bancos Centrais ainda insistem em explorar aquele trade-off de curto prazo entre inflação e crescimento, são países onde a inflação será mais elevada.

Para ilustrar, vamos comparar a inflação norte-americana com a inflação brasileira. Nos Estados Unidos, desde a passagem de Paul Volcker pelo Federal Reserve, o Banco Central deles, vale o princípio de Taylor, isto é, na ocorrência de um desvio da inflação em relação à meta, os juros aumentam mais do que proporcionalmente. Isso garante que a inflação não persiga uma trajetória explosiva. Já no Brasil, como sabe o leitor doméstico, nem sempre é assim, não é mesmo?

O resultado esperado dessa postura é que a inflação norte-americana será mais baixa do que a brasileira. Para ver se é isso mesmo, vamos tomar os índices de inflação dos dois países. O código de R (saiba mais sobre R aqui ) abaixo coleta os dados a partir da base de dados quantmod para o CPI norte-americano e do IPEADATA para o IPCA brasileiro.


library(quantmod)
library(ecoseries)

getSymbols('CPIAUCSL', src = "FRED")

cpi.eua = window(ts(CPIAUCSL, start=c(1947,01), freq=12),
start=c(1994,07))

ipca = window(ts(series_ipeadata('36482', 
periodicity = 'M')$serie_36482$valor,
start=c(1979,12), freq=12), start=c(1994,07))

Tomamos o CPI norte-americano e o IPCA brasileiro desde julho de 1994, quando a economia brasileira passou a conviver com um processo inflacionário estacionário. Os gráficos abaixo ilustram os dois índices.

Ao comparar os índices, observe que não há muita diferença entre eles. Ambos apresentam uma tendência positiva ao longo do tempo, evidenciando que os preços tendem a subir ao longo do tempo. A grande questão aqui é saber em qual velocidade os preços sobem. É basicamente isso que vai garantir o tal poder de compra de uma moeda ao longo do tempo. Economias onde a inflação, a velocidade em que os preços sobem, é muita alta, serão economias onde o poder de compra da moeda não se manterá ao longo do tempo, fazendo com que suas populações busquem alternativas para manter esse poder de compra.

Assim, apesar dos índices de inflação dos dois países apresentarem um comportamento, digamos, bastante similar, a velocidade em que crescem será bastante diferente. Para que você veja, o código abaixo traz a inflação acumulada nos dois países, medida pelos respectivos índices, entre julho de 1994 e junho de 2018.


(tail(cpi.eua,1)/head(cpi.eua,1)-1)*100
(tail(ipca,1)/head(ipca,1)-1)*100

O resultado não deixa de ser surpreendente. Enquanto nos Estados Unidos, a inflação acumulada nesse período foi de 69,04%, no Brasil ela foi de incríveis 450,74%. Se, alternativamente, tomarmos o período a partir de julho de 1999, quando passou a vigorar no Brasil o regime de metas para inflação, o resultado fica inflação de 50,48% nos EUA e de 229,17% no Brasil. Para todos as janelas que se tomar, a propósito, o resultado vai ser o mesmo: uma goleada de inflação por aqui.

Isso, como eu disse no início desse post, não é por acaso. Nos Estados Unidos, o Banco Central é independente, não há ingerência política sobre o presidente do FED e seus diretores. E a despeito deles terem um duplo mandato, isto é, baixa inflação e baixo desemprego, não existe uma "meta de desemprego", o que seria algo estranho considerando a teoria econômica, mas sim uma meta implícita de inflação de 2% ao ano. Já no Brasil, as instituições monetárias ainda são muito frágeis. O próprio regime de metas está baseado em um decreto, que pode ser revogado a qualquer momento. O presidente e os diretores do Banco Central não têm autonomia formal para seguir o princípio de Taylor. E, pasmem, quando se quer reduzir a meta para 3,75%, um valor alto considerando países civilizados, há uma gritaria grande entre economistas mal treinados que assessoram candidatos à presidência! Essa diferença institucional, por suposto, vai gerar aqueles resultados de inflação acumulada.

Não seria extraordinário se essa lição fosse aprendida pelo nosso país?

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ps: Hoje, 31 de julho, Milton Friedman faria 106 anos se vivo fosse. O post é uma homenagem a ele... 🙂 

 

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