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Política Fiscal

Houve ajuste fiscal em 2015 e 2016?

By | Política Fiscal

O objetivo básico da Análise Macro é contribuir com a melhoria do ensino e do debate sobre economia do país. Entendemos que isso só é possível com a ampla divulgação de ferramentas para lidar com a evidência empírica disponível. Isso dito, e de modo a contribuir com o debate sobre política fiscal no país, divulgo aqui a dissertação de mestrado do economista Gabriel Leal de Barros (da Instituição Fiscal Independente), recentemente defendida na FGV.  A dissertação faz uma discussão metodológica e empírica sobre o Resultado Fiscal Estrutural, aquele que desconsidera receitas e despesas não recorrentes e é controlado pelo ciclo econômico no que tange ao seu efeito sobre receita/despesa do setor público.

Uma vez definido o resultado fiscal estrutural, pode-se calcular o impulso fiscal, isto é, a variação do resultado fiscal entre dois períodos. Se o impulso é positivo (negativo), diz-se que a política fiscal encontra-se em terreno expansionista (contracionista). Isso dito e utilizando o pacote tabulizer, extrai a tabela 5 da dissertação e gerei o gráfico abaixo, que retrata o impulso fiscal ao longo de 1998 a 2017.

Como se vê pelo gráfico, o impulso fiscal foi positivo tanto em 2015 quanto em 2016, o que configura uma política fiscal expansionista nesse período. O trabalho do Gabriel, com efeito, se soma ao conjunto de evidências de que, de fato, somente em 2017 tivemos algum prenúncio de ajuste fiscal, refletindo a aprovação da PEC do Teto no final de 2016.

Para quem quiser conferir o trabalho do Gabriel na íntegra, basta clicar aqui.

A Dívida Brasileira desde o Império

By | Política Fiscal

O Roberto Ellery publicou um post no seu blog mostrando grande preocupação com o comportamento da Dívida Bruta brasileira. Para isso, utilizou dados do livro da Carmen M. Reinhart sobre o endividamento brasileiro desde o Império. Achei interessante divulgar porque, como todo mundo sabe, encontrar dados longos para variáveis macroeconômicas desse país é um enorme sacrifício. Abaixo o código para baixar os dados da relação Dívida/PIB.


library(XLConnect)
library(ggplot2)
library(scales)

#### Dívida segundo Carmen M. Reinhart
url = 'http://www.carmenreinhart.com/user_uploads/data/7_data.xls'
temp = tempfile()
download.file(url, destfile=temp, mode='wb')
data = loadWorkbook(temp)

divida = readWorksheet(data, sheet = 'Brazil', header = TRUE, 
 startRow = 59)[,7]

time = seq(as.Date('1861-01-01'), as.Date('2010-01-01'), 
 by='1 year')

df = data.frame(time=time, divida=divida)

ggplot(df, aes(x=time))+
 geom_bar(aes(y=divida), 
 stat='identity', colour='darkblue', fill='darkblue',
 width=50)+
 scale_x_date(breaks = date_breaks("10 years"),
 labels = date_format("%Y"))+
 theme_bw()+xlab('')+ylab('% PIB')+
 labs(title='Dívida Bruta do Governo Brasileiro',
 caption='Fonte: Carmen M. Reinhart.')

E abaixo o gráfico...

 

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Vítor Wilher

Data Scientist

Vítor Wilher é Bacharel e Mestre em Economia, pela Universidade Federal Fluminense, tendo se especializado na construção de modelos macroeconométricos, política monetária e análise da conjuntura macroeconômica doméstica e internacional. Tem, ademais, especialização em Data Science pela Johns Hopkins University. Sua dissertação de mestrado foi na área de política monetária, titulada "Clareza da Comunicação do Banco Central e Expectativas de Inflação: evidências para o Brasil", defendida perante banca composta pelos professores Gustavo H. B. Franco (PUC-RJ), Gabriel Montes Caldas (UFF), Carlos Enrique Guanziroli (UFF) e Luciano Vereda Oliveira (UFF). Já trabalhou em grandes empresas, nas áreas de telecomunicações, energia elétrica, consultoria financeira e consultoria macroeconômica. É o criador da Análise Macro, startup especializada em treinamento e consultoria em linguagens de programação voltadas para data analysis, sócio da MacroLab Consultoria, empresa especializada em cenários e previsões e fundador do hoje extinto Grupo de Estudos sobre Conjuntura Econômica (GECE-UFF). É também Visiting Professor da Universidade Veiga de Almeida, onde dá aulas nos cursos de MBA da instituição, Conselheiro do Instituto Millenium e um dos grandes entusiastas do uso do no ensino. Leia os posts de Vítor Wilher aquiCaso queira, mande um e-mail para ele: vitorwilher@analisemacro.com.br

Os juros e o novo regime fiscal

By | Artigos de Economia, Política Fiscal, Política Monetária

Existe no Brasil um apetite voraz para encontrar e difundir soluções fáceis para problemas complexos. No que tange aos juros, não surpreende por suposto que o governo tenha levado a cabo a redução forçada a partir de 2011, contando com o apoio de analistas e professores de economia reconhecidos. Há ai e em muitos outros episódios da história econômica brasileira uma espécie de malandragem macunaíma, que prefere os atalhos às soluções difíceis, porém definitivas. É o que se observa quando a discussão envolve política fiscal e juros. A rejeição ao teto de gastos e à reforma da previdência, que têm efeitos claros sobre os juros, é uma unanimidade entre os analistas e professores de economia que apoiaram a solução simples - e errada.

Antes de mais nada, nunca é demais explicar como juros e política fiscal se relacionam. Um governo perdulário pressiona a curva de demanda (chamada de Curva IS), o que eleva o juro de equilíbrio da economia. Ademais, governos que gastam muito e de forma crescente vão precisar cobrar mais impostos, se endividar mais ou, no limite, emitir moeda, todas essas tendo consequências graves para o organismo econômico. Naturalmente, portanto, moderar a trajetória do gasto é essencial em qualquer economia civilizada.

E onde está o Brasil nesse empreitada? Em fevereiro desse ano, o setor público consolidado registrou um déficit primário real, que não inclui despesas financeiras, de R$ 149,5 bilhões, no acumulado em 12 meses. O gráfico abaixo, por suposto, ilustra a trajetória dessa métrica ao longo do tempo. Significa dizer, leitor, que o setor público brasileiro não consegue pagar contas primárias, como salários de funcionários ou aposentadorias e pensões, sem recorrer a mais endividamento - emissão de títulos públicos no mercado.

Nessas condições, por suposto, se algo não fosse feito, a nossa dívida, o estoque de títulos públicos em poder do público, só faria aumentar, chegando a um ponto onde não seria mais possível rolá-la, restando ao governo apenas a emissão de moeda para se financiar. É o que ocorre na Venezuela, a título de exemplo. Limitar o crescimento da despesa, que é de 6% ao ano em termos reais há mais de vinte anos, era o caminho mais do que razoável para enfrentar esse problema.

O segundo passo era enfrentar a rubrica com maior peso no orçamento do setor público: a previdência pública. Hoje, com 5,7% da população com 65 anos ou mais, o Brasil gasta cerca de 12,6% do PIB com previdência. O japão, por exemplo, com 19,8% da população com 65 anos ou mais, gasta 8,7% do PIB. Se nada for feito, portanto, tudo o que faremos daqui a algumas décadas será pagar aposentadorias, pensões e salários de servidores, não restando muita coisa para toda a sorte de bens e serviços públicos.

E os juros, pergunta o leitor. E aqui é incrível como o mercado responde às soluções estruturais. A despeito de um déficit primário de 2,3% do PIB, a simples aprovação do teto de gastos e o encaminhamento de uma reforma da previdência foram suficientes para inverter a deterioração dos juros de equilíbrio da economia brasileira. Como capturar isso? Basta obter a tendência dos juros de um título público de longo prazo, como a NTN-B com vencimento em 2045. O gráfico abaixo ilustra.

Os críticos das soluções estruturais e definitivas, comprometidos que estão com suas narrativas, não conseguem ver o que diz a evidência empírica. Ao combater a trajetória insustentável das finanças públicas com o teto de gastos e a reforma da previdência o que se produz é uma queda dos juros, que beneficia todo o organismo econômico. E isso não é estória, pode ser verificado pelos dados.

Resta perguntar a esses economistas e professores alternativos, portanto, por que não querem dar atenção ao que diz a evidência. Será que querem juros mais altos?

 

 

Monitor Fiscal: projeções para a dívida bruta mostram melhora

By | Clube do Código, Política Fiscal

Com a divulgação na semana passada do resultado primário do governo central pela Secretaria de Tesouro Nacional e do resultado consolidado do setor público pelo Banco Central, a Análise Macro pode atualizar o seu Monitor Fiscal. Relatório automatizado, totalmente produzido com uso do R. Ao clicar na imagem ao lado, você tem acesso à apresentação completa. Membros do Clube do Código têm acesso aos arquivos que geraram a apresentação, como sempre. 

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OBS: O Clube do Código não implica em serviço de consultoria econômica, sendo tão somente um projeto que ensina os seus membros a utilizar o e o RStudio para produzir relatórios e apresentações, bem como gerar exercícios macroeconométricos.

Tenha acesso completo aos códigos dessa apresentação assinando o Clube do Código, o projeto de compartilhamento de códigos da Análise Macro. Você aprende a produzir apresentações, relatórios e exercícios macroeconométricos usando todo o poder do R. E ainda ajuda a manter o Blog da AM ativo durante todo o ano! Clique abaixo e conheça o Clube!

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