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Eleições 2014

Quantos "marinados" são necessários?

By | Eleições 2014

A conta é simples, leitor. Para vencer, Aécio Neves precisa converter mais de 71,4% dos eleitores de Marina Silva. O número considera que abstenção e não comprometimento (brancos e nulos) se manterão constantes, bem como os eleitores de Pastor Everaldo (PSC), Levy Fidelix (PRTB) e Eymael (PSDC) migrarão para Aécio, enquanto os eleitores de Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) migrariam para Dilma Rousseff. Feito isto, Aécio precisa de 9,475 milhões de votos para igualar os votos de Dilma. Desse modo, qualquer coisa acima de 71,4% de conversão para o candidato tucano lhe dá a vitória no pleito. Sugiro que quem quer a vitória do PSDB comece (desde já) a trabalhar, posto que os petistas já começaram. O cálculo aqui.

O saldo da eleição presidencial

By | Eleições 2014

Captura de tela 2014-10-05 23.43.55E acabou o 1º turno. Próximo à meia noite, com apenas 0,02% dos votos não apurados, dos 142,8 milhões de eleitores, 115,09 milhões compareceram às urnas. Ou seja, a abstenção ficou em 19,3%, um pouco superior aos 18,1% da eleição de 2010. A oposição representada pelos dois principais candidatos - Aécio e Marina - conquistou 57 milhões de votos - quase 55% dos votos válidos. A candidata governista ficou com 41,59% dos votos válidos, 5,32 pontos percentuais inferior ao alcançado em 2010. Na comparação com 2010, a oposição representada pelos dois principais candidatos conseguiu ampliar a distância para a candidatura governista de 5,1 para 13,3 pontos percentuais. Isso deixa as coisas em aberto para o segundo turno, dada a igualdade no tempo de televisão. A conferir... 🙂

O fim do dilmês

By | Eleições 2014

Não é fácil, leitor, estar ao vivo, em horário nobre, na maior emissora do país. Para agravar: diante do grande público a concorrer ao mais importante cargo eletivo da federação. Provavelmente por isso, nos aproximamos do fim do dilmês, a língua interpolada pela perturbação do silêncio. São sete atos, diga-se, para que o fim chegue. O primeiro de todos, logo ao abrir da cortina da arena das ilusões, foi o próprio exercício do poder. Dilma e seu dilmês geraram confusão nos agentes, ao aplicarem teorias, faladas e escritas, equivocadas, desnorteando possibilidades, colhendo um estado inchado, com 39 ministérios, escândalos, baixo crescimento, inflação sem controle, obras inacabadas, setor elétrico descapitalizado. Tudo em favor da atrasada e retrógrada maior presença do estado. Que estado, cara pálida?

O segundo ato, um sinal de que as coisas não vão bem, foi a campanha. Ao ver seus preciosos pontos nas pesquisas minguarem, a presidente empreendeu uma das piores campanhas dos últimos tempos. O discurso não do medo, mas do apavoramento. É preciso, afinal, apavorar o povo com um banco central que rouba-lhe a comida, acaso lhe seja dado o direito, veja, de controlar a inflação. É preciso, novamente, incutir no eleitor o apavoramento das privatizações, repetindo a mentira vencedora de 2002, 2006 e 2010. Há ainda outros apavoramentos, como o de que os programas sociais serão descontinuados, que o Brasil será guiado por banqueiros e que a indústria será desmamada das benesses.

O terceiro ato, a reviravolta, quando as pesquisas indicam reação às mentiras. A guinada à esquerda gera aversão ao risco no mercado financeiro. Em seu setembro negro, a bolsa cai 11% e o dólar chega a R$ 2,50. Aqui os barcos são queimados: não é mais possível voltar à racionalidade do superávit primário, da meta de inflação ou do câmbio flutuante. As pernas do tripé foram cortadas e tudo se desemboca para o clímax das urnas.

No setembro negro, Marina cai, Aécio sobe. As inserções cirúrgicas do pt trazem o efeito desejado: o PSDB. Até aqui desacreditado, Aécio chega ao quarto ato, ao debate na Globo, com renovado vigor. Mostra-se seguro, defende o passado do partido, em particular FHC e seu governo. Defende as privatizações, da telefonia, da siderurgia e da embraer. Cita a difícil conjuntura da época, ter de lidar com uma inflação de 916,4% em 1994.  Mostra os desmandos atuais nas estatais, na petrobras e nos correios. Cita os problemas com a inflação, com o setor elétrico, com o aparelhamento do estado.

O dilmês está nas cordas nesse momento. Engasga-se, encolhe-se, tenta balbuciar números desconexos, interpolações estanques, no que se refere, ao não referido. O dilmês respinga um "candidato Aécio", ao que mostra nervosismo de quem não se acostuma aos debates públicos, de quem tem dificuldades para estabelecer um raciocínio linear - talvez por inspirar-se na presidente, o banco central tenha escolhido a tal convergência não linear da inflação.

O dilmês se encontra, às vesperas do quinto ato, o 1º turno, quase morto. Resiste por aparelhos, diante de quatro déficits primários. Será que dá para ser contra as privatizações, afinal, diante dos escândalos sucessivos na petrobras? O que teriam feito com as empresas de telefonia, acaso FHC não tivesse privatizado? Seria, agora, muito mais simples, afinal, implantar o tal controle social da mídia, pensam os representantes do dilmês.

Há ainda três atos: o desse domingo é o quinto. O sexto, a campanha plebiscitária do 2º turno e o sétimo, e último, as urnas finais. Que o dilmês descanse em paz.

Aos meus amigos: em quem votarei nesse domingo?

By | Eleições 2014

Aos meus amigos

Peço, nesse momento, alguns minutos de suas vidas. Foi uma campanha difícil, em todos os sentidos. Conversei com muitos de vocês ao longo das últimas semanas sobre minhas preocupações com o futuro do país. De fato, venho me preocupando com isso desde 2011, quando por força dos acontecimentos reativei meu blog com o objetivo principal de analisar a política econômica desse governo. As falhas são muitas: a principal é teórica, por acreditar em coisas que a maior parte dos economistas já não mais acredita.

Sei que economia não é um tema de agrado de muitos de vocês. A acham etérea demais. Mas sendo ela a ciência que estuda como equilibrar recursos escassos com necessidades infinitas, não tem jeito, temos de dar atenção a seus ensinamentos. Coisa que o atual governo descuidou de forma vexatória, recuando em muitas das conquistas que tivemos nos últimos 20 anos.

Veja o orçamento público. Demoramos anos para conciliar gastos com receitas, em uma tentativa de domar o crescimento do endividamento do governo. Hoje, amigos, as receitas não dão conta dos gastos, estamos no cheque especial, pagando juros mais elevados, aumentando, portanto, nossa dívida pública. A continuar desse jeito, estaremos mais próximos do que hoje é a Argentina e mais distantes do que é o Chile.

A inflação. Convivemos durante mais de 30 anos com uma inflação sistematicamente resistente: em alguns momentos uma genuína hiperinflação. Em dezembro de 1993 ela era de 2477,15%, no acumulado em 12 meses. Números superlativos que foram enfrentados com a aplicação do que havia de mais moderno em matéria econômica. O plano real foi avançado até para os países mais avançados. Conseguimos: implementamos as metas de inflação. Conquistamos credibilidade com o tripé macroeconômico - superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante -, permitindo que nossa economia aumentasse produtividade e crescesse 4% ao ano entre 2003-2010.

A desigualdade caiu, precisamente, por causa dos avanços da década de 90. A inflação destrói o sistema de preços, esfacela qualquer possibilidade de troca, condenando as sociedades ao retrocesso. A estabilidade da moeda, pelo contrário, recupera os ânimos dos agentes econômicos, permitindo que o crédito avance, que os investimentos se tornem realidade, as trocas se efetuem e o emprego apareça. Com o menor desemprego, a renda do trabalho aumenta, permitindo que os filhos deixem de entrar no mercado de trabalho mais cedo e possam estudar. O ciclo virtuoso que assistimos ao longo da primeira década desse século só foi possível porque a moeda foi reconquistada lá atrás, em 1994, com a Unidade Real de Valor e, consequentemente, com o Real.

Hoje, infelizmente, a desigualdade parou de cair, precisamente, porque paramos de crescer: é o que revela os dados da PNAD. A política econômica da administração Dilma Rousseff quis reduzir os juros e desvalorizar o câmbio porque achava que essas duas medidas impulsionariam a indústria, para eles o setor mais estratégico dos estratégicos. Não deu certo porque a indústria para ser competitiva precisa de tributos mais simples de serem pagos, estradas mais modernas, ferrovias, portos, aeroportos. Precisa de um ambiente de negócios previsível, com um sistema judiciário que arbitre de forma célere conflitos.

Os juros para serem reduzidos, meus amigos, precisam de aumento de poupança. E essa caiu de 18% do PIB em 2008 para 13% em 2013. Precisamente porque o governo incentivou o consumo das famílias, em uma tentativa pueril de aumentar o crescimento da economia. Não deu certo: as famílias estão endividadas e as firmas sem certeza se terão para quem vender seus produtos. A política econômica ativa do governo aumenta a imprevisibilidade dos negócios, agravando o quadro de incerteza: é o que dizem, não eu, mas as pesquisas de confiança da FGV.

E aqui, apelo para vossas consciências. Vocês são inteligentes o suficiente para entender que o Brasil não vai bem. Vivemos hoje a "soma de todos os medos", que é nos tornarmos a Argentina em um futuro próximo. O aumento do intervencionismo do estado sobre a economia, com seus 39 ministérios, o ocaso da petrobras, os desequilíbrios no setor elétrico e toda a sorte de denúncia de corrupção fazem parte de uma visão de mundo: a que o estado é mais importante do que o indivíduo. Não é, posto que somos nós quem pagamos uma carga tributária de 37% do PIB, somos nós quem financiamos um déficit nominal de 4% do PIB. Nós, indivíduos, quem financiamos um estado que deveria ofertar bens e serviços públicos com qualidade para a população. Nós, indivíduos, quem financiamos a redução da desigualdade de oportunidades, via sistemas universais de saúde e educação básica. E, portanto, nós que devemos cobrar uma política econômica responsável e que nos direcione para mais crescimento, único meio de garantirmos menor desigualdade.

Alguns de vocês estão me pedindo conselhos em quem votar no próximo domingo. Ontem, no debate da Globo, vocês viram uma Dilma que tem dificuldades para se expressar em debates públicos e uma Marina que conhece pouco a economia do país. Ambas estão despreparadas para os desafios que virão pela frente. Meu voto é do candidato Aécio Neves apenas pelos economistas que fazem parte da sua equipe: confio em todos, sem exceção. São os melhores dos melhores na profissão. Estão prontos para recuperar a credibilidade do país, tão abalada nos últimos anos.

Não os engano: serão anos difíceis os que vem pela frente. Precisaremos fazer um ajuste nas contas públicas: colocando os subsídios que foram dados para meia dúzia de empresários suspeitos dentro do orçamento. Precisaremos recuperar o regime de metas de inflação, garantindo a autonomia do Banco Central. Precisaremos voltar a aprovar reformas importantes, para dar conta do aumento de produtividade e de investimento que o país precisa para crescer. E, dentre as opções disponíveis, quem tem a melhor equipe para esses desafios é o candidato Aécio Neves.

Bom voto a todos e que consigamos sair vencedores no pleito!

Grande abraço,

Vítor Wilher

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